Alysa Liu (Clovis, 8 de agosto de 2005) é uma patinadora artística no gelo norte-americana de ascendência chinesa. Ela foi campeã olímpica nas categorias individual feminina e por equipes em 2026 e campeã mundial em 2025.

Conquistou o sexto lugar nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, em Pequim, na prova individual, e foi medalhista mundial de bronze em 2022. É a campeã nacional mais jovem da história da modalidade nos os Estados Unidos, tendo conquistado seu primeiro título em 2019, aos 13 anos.

Juntamente às suas performances, seu estilo foi enaltecido como um elemento que ajuda a redefinir a estética da patinação artística feminina, historicamente associada a uma imagem clássica e delicada.

Vida pessoal Alysa Liu nasceu em 8 de agosto de 2005 em Clovis, Califórnia, e foi criada na área da Baía de São Francisco, principalmente em Oakland.

Seu pai, Arthur Liu, é um dissidente chinês exilado nos Estados Unidos após a Operação Yellow Bird, por conta da repressão de participantes dos protestos da Praça Tiananmen. Na época, Liu era pós-graduando na cidade de Cantão. Aos 25 anos, ele se estabeleceu na Califórnia. Seu primeiro trabalho foi em um restaurante chinês em Berkeley mas, após receber um MBA na California State University, East Bay e um diploma de direito pela University of California College of the Law, San Francisco, Arthur Liu se tornou advogado.

Alysa é a mais velha de cinco filhos. Seus irmãos mais novos são Selina e os trigêmeos Joshua, Justin e Julia. Todas as crianças nasceram através da fertilização in vitro, com apoio de duas doações anônimas de óvulos e duas barrigas de aluguel. Quando as crianças nasceram, Arthur Liu era casado com Yan Qingxin (que atende por Mary) mas, desde então, o casal se divorciou. Mary ainda é guardiã legal dos filhos e compartilha a guarda com o ex-marido.

Liu frequentou a escola chinesa durante três anos e, mais tarde, transferiu-se para a Oakland School for the Arts, que oferecia um programa de patinagem artística. Quando Liu começou a faltar a muitas aulas devido a viagens relacionadas com competições, inscreveu-se na California Connections Academy e começou a estudar em casa no escritório de advogados do seu pai, entre treinos. Alysa formou-se no ensino secundário em junho de 2021, aos 15 anos.

Em 2020, Liu limitou o uso das suas redes sociais porque achou que "não valia a pena" e era "exaustivo".

Após a sua participação no Mundial de 2022, descrevendo-se como satisfeita com o seu percurso na patinagem artística, afastou-se e passou a explorar outros interesses. A jovem decidiu fazer uma imersão no autodescobrimento fora do esporte. Ela foi ao Himalaia com a melhor amiga e elas escalaram até a base do Monte Evereste. Liu começou a experimentar piercings e cabelos tingidos, visual que a destacaria da competição futuramente. Ela tirou a carteira de motorista para que pudesse levar seus irmãos à escola.

No segundo semestre de 2023, Liu matriculou-se na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), para estudar psicologia.

Ela fala abertamente sobre seu diagnóstico de Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Alysa Liu é muito vocal quando se trata de justiças sociais. Ela promove o direito de imigrantes, dando ênfase no fato de que sua própria família é imigrante. Ela apoia a comunidade LGBTQIA+. Liu compareceu a protestos contra o genocídio em Gaza no campus de sua faculdade.

Carreira

Início de carreira Liu começou a patinar aos 5 anos de idade e, aos 7, já competia em campeonatos nacionais. Seu pai, fã da patinadora Michelle Kwan, inscreveu Alysa em aulas de patinação no Oakland Ice Center. Ela iniciou aulas em grupo com sua primeira treinadora, Laura Lipetsky, ex-patinadora artística que havia treinado sob a orientação de Frank Carroll, e rapidamente passou a sessões individuais. Lipetsky começou a treiná-la quando Liu tinha cerca de cinco anos e meio.Aos 10 anos, Alysa competia no Campeonato Regional da Região Central do Pacífico.

Em agosto de 2018, Liu competiu como novice no Asian Open Trophy de 2018, em Bangkok, Tailândia, conquistando a medalha de ouro com mais de dez pontos de vantagem sobre a japonesa Sara Honda. No programa livre, executou com sucesso um triplo Axel ratificado, tornando-se a patinadora mais jovem da história a realizar esse salto de forma limpa em competição, além de ser a quarta norte-americana a consegui-lo, após Tonya Harding, Kimmie Meissner e Mirai Nagasu.

Nível júnior Liu iniciou a temporada 2019–2020 nos Aurora Games, em agosto de 2019, onde obteve pontuações perfeitas, ajudou a equipe dos Estados Unidos a conquistar o primeiro lugar e tornou-se a primeira norte-americana a executar um salto quádruplo Lutz em competição (embora fora de eventos reconhecidos pela ISU).

Em sua estreia internacional no Grand Prix Júnior, em Lake Placid, alcançou recorde pessoal no programa curto (69,30 pontos). No programa livre, tornou-se a primeira patinadora dos EUA a completar um quádruplo Lutz em competição e a primeira mulher a executar um salto quádruplo e um triple Axel no mesmo programa. Venceu o evento com ampla vantagem.

Na etapa seguinte, na Polônia, recuperou-se após o programa curto para vencer a competição, destacando-se por realizar a primeira combinação triple Axel–triplo toe loop da história do circuito. Classificou-se para a Final do Grand Prix Júnior, sendo a primeira norte-americana a fazê-lo desde 2013.

Na Final, conquistou a medalha de prata, ficando atrás de Kamila Valieva. Apesar da alta dificuldade técnica, erros em saltos a colocaram em segundo lugar geral. No Campeonato Mundial Júnior de 2020, terminou com a medalha de bronze.

Após a temporada, mudou de treinadores, passando a trabalhar com Phillip DiGuglielmo e Massimo Scali, mantendo base em Oakland e colaboração com técnicos no Canadá.

Nível sênior

Temporada 2018–19: Estreia sênior e primeiro título nacional Embora ainda não tivesse idade para competir internacionalmente, Liu participou do Campeonato dos Estados Unidos de 2019 e tornou-se a mais jovem campeã nacional da categoria sênior, superando o recorde de Tara Lipinski. Durante a competição, destacou-se ao executar um salto triplo Axel, tornando-se a mais jovem a realizar esse salto no evento e a primeira a fazê-lo no programa curto. No programa livre, completou dois saltos triplo Axels e diversos outros saltos triplos, garantindo o título com forte pontuação técnica.

Por não ter idade para competições internacionais, sua temporada encerrou-se após o campeonato nacional. Em seguida, aprimorou suas habilidades técnicas e coreográficas com especialistas na Europa.

Temporada 2019–20: segundo título nacional Liu entrou como favorita no Campeonato dos Estados Unidos de 2020 e conquistou seu segundo título consecutivo. Apesar de um erro no programa curto, venceu o programa livre com ampla vantagem, destacando-se pela execução de dois triple Axels e múltiplos saltos triplos. Aos 14 anos, tornou-se a mais jovem bicampeã nacional feminina em décadas e a primeira a vencer títulos consecutivos desde 2013.

Temporada 2020-21: COVID-19 e estreia sênior internacional A temporada 2020-21 foi impactada pela pandemia de COVID-19, com poucas competições internacionais. Liu também enfrentou dificuldades devido a um crescimento físico significativo, o que afetou sua consistência nos saltos. No Campeonato dos Estados Unidos de 2021, surpreendeu ao ficar em segundo no programa curto, mas terminou em quarto lugar geral. Durante essa fase, não executou seus elementos mais difíceis, como o triplo Axel e saltos quádruplos, mas indicou que pretendia retomá-los na preparação para a temporada seguinte.

Temporada 2021–22: Olimpíadas de Pequim e bronze mundial Liu fez sua estreia internacional sênior em 2021, conquistando títulos em competições do circuito Challenger e garantindo uma vaga olímpica para os Estados Unidos. Após infecção de COVID-19, não participou do Campeonato Nacional de 2022, mas ainda assim conquistou uma vaga na equipe olímpica devido ao seu desempenho prévio na temporada. Participou dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, onde terminou em sexto lugar geral (após a desclassificação da russa Kamila Valieva por doping), a melhor colocação de uma estadunidense nessa edição dos Jogos.

No Campeonato Mundial de 2022, fez sua estreia na competição e apresentou desempenho sólido, conquistando a medalha de bronze e tornando-se a primeira norte-americana a subir ao pódio desde 2016.

Aposentadoria miniaturadaimagem|Alysa Liu no Campeonato Mundial de Patinação Artística no Gelo de 2022 Duas semanas após o Mundial, Alysa Liu anunciou sua aposentadoria. Ela se descreve como uma pessoa muito social, então o foco total na patinação, isolada de amigos e família, a deixava com saudade de conexão humana. Além disso, ela estava lidando com o burnout . "Eu nem escolhia minhas próprias coreografias", disse Liu, "as pessoas me colocavam em vestidos que eu não queria usar [...] mas eu sentia que precisava ir às Olimpíadas, que devia isso à minha versão mais jovem."

Temporada 2024-25: Retorno ao esporte Em janeiro de 2024, Alysa foi esquiar em Lake Tahoe, onde ela percebeu que sentia falta da adrenalina que a patinação proporcionava. Ela entrou em contato com seu treinador, Phillip DiGuglielmo, e disse que queria voltar a competir. Ele passou horas argumentando os motivos que tornavam isso uma má ideia e, mesmo assim, ela não se convenceu. Mas Liu tinha exigências: ela estaria no controle, escolheria suas músicas, a intensidade do treino e, principalmente, não deixaria que ninguém controlasse sua dieta. Os dois trouxeram o coreógrafo Massimo Scali à equipe.

Liu anunciou seu retorno ao esporte em março de 2024, retomando os treinamentos enquanto conciliava os estudos na universidade. Voltou a trabalhar com antigos treinadores e iniciou a temporada competitiva no fim de 2024. Em seu retorno oficial, conquistou o ouro na etapa Budapest Trophy da Challenger Series da ISU.

Durante o circuito Grand Prix, obteve resultados moderados, incluindo um sexto lugar no Skate Canada e em quarto no NHK Trophy. Posteriormente, venceu o Golden Spin of Zagreb na Challenger Series, e conquistou a medalha de prata no Campeonato dos Estados Unidos de 2025.

No Campeonato Mundial de 2025, venceu tanto o programa curto quanto o livre, conquistando o título mundial e encerrando o reinado da então tricampeã Kaori Sakamoto. Tornou-se a primeira norte-americana campeã mundial desde 2006, marcando um retorno de grande impacto ao esporte. Também ajudou os Estados Unidos a conquistar o ouro no Troféu Mundial por Equipes.

Temporada 2025–26: Ouro olímpico e sucesso internacional Liu iniciou a temporada com resultados mistos na Challenger Series e precisou retornar aos seus programas da temporada anterior . A partir daí, conquistou medalhas importantes no circuito Grand Prix, incluindo ouro no Skate America e na Final do Grand Prix. Após conquistar novamente o vice-campeonato nacional, foi selecionada para compor a equipe olímpica americana pelo segundo ciclo consecutivo, sendo a única americana veterana da patinação artística nessa edição dos Jogos além dos atletas da dança no gelo Madison Chock e Evan Bates.

Nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, conquistou a medalha de ouro por equipes com os Estados Unidos. Na competição individual, obteve a medalha de ouro após vencer o programa livre com desempenho sólido, tornando-se a primeira norte-americana campeã olímpica desde 2002.