Rui Mendes de Vasconcelos (?, c. 1550 – ?, 3 de Fevereiro de 1618) foi um nobre português, capitão de Tânger, mordomo-mor da rainha D. Margarida de Áustria, conselheiro de Estado, e feito Conde de Castelo Melhor por mercê de Filipe II de Portugal, de que se passou carta em Madrid a 21 de Março de 1611.
Membro da pequena nobreza beirã no tempo do rei D. Sebastião e D. Henrique, apoiou a sucessão de D. Filipe I ao trono português aquando da crise da sucessão portuguesa de 1580, tendo depois alcançado o topo da hierarquia nobiliárquica por serviços prestados à Coroa.Ana Leal de Faria, Nuno Gonçalo Monteiro: Castelo Melhor e os seus Tempos (1635-1720), Centro de História da Universidade de Lisboa, 2021, p. 184.
Biografia
Rui Mendes de Vasconcelos nasceu em data e local incerto, por volta de 1550 no seio de uma família de pequena nobreza. No entanto, a sua família detinha várias propriedades no centro de Portugal, detendo o seu pai vários títulos que Rui herdou.
Rui Mendes de Vasconcelos era alcaide-mor de Penamacor desde 1571. Durante a Crise de Sucessão Portuguesa de 1580 após a morte do rei D. Henrique, foi partidário de D. Filipe I contra D. António Prior do Crato. Serviu depois a Corte dos Habsburgo, o que lhe valeu várias distinções.
No quadro dos serviços prestados aos Filipes, atingiu o topo da hierarquia nobiliárquica. É de crer que se devam ao seu papel na pacificação da fronteira da Beira, atendendo à posição da sua família naquela província. Em 1584 foi feito senhor de Valhelhas e Almendra e em 1589 recebeu o couto de Belver (Ronfe).Faria e Monteiro, 2021, p. 185. Serviu como alcaide-mor da Covilhã e de Penamacor, como conselheiro de Estado, e mordomo-mor da Rainha D. Margarida de Áustria. Durante o reinado de D. Filipe II recebeu quatro comendas da Ordem de Cristo, três situadas no arcebispado de Braga, São Silvestre de Requião em 1605, São Miguel de Alvarães em 1610, São Miguel da Facha em 1612, e Santa Maria de Salvaterra do Extremo, na Guarda, também em 1612, bem como o título de Conde de Castelo Melhor por mercê do rei em carta régia passada em Madrid a 21 de Março de 1611.Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico,Volume II, págs. 888-889 Em 1613 encontrava-se na posse da alcaidaria de Salvaterra do Extremo. miniaturadaimagem|Tânger em 1572. Foi capitão-geral de Tânger e enfrentou um motim durante o seu governo. Tal como todas as praças do norte de África, fossem portuguesas ou espanholas, Tânger dependia do reino para abastecimento de mantimentos, roupas, armamentos e cavalos, a paga dos soldados, ao passo que o reforço dos efectivos bem como o socorro em caso de ataque eram irregulares. O quotidiano era animado por recontros, escaramuças e apresamentos de gado e cavalos entre a guarnição e mouros. A chegada de um contingente de 500 militares castelhanos a Tânger para serem embarcados na "frota das Índias" terão colocado pressão sobre os escassos recursos da praça-forte e criado tensões entre portugueses e castelhanos, empenhando-se "muitos de uma e outra parte em favorecer os seus e quase todos vinham concorrendo incitados do amor natural e da competência e oposição que têm entre si as duas nações" segundo o conde D. Fernando de Meneses, na sua História de Tânger. Um perdão geral mais tarde passado pelo rei D. Filipe e um relato quinhentista apontam Rui Mendes de Vasconcelos como o alvo da ira dos amotinados. Não se sabe o que causou o motim mas é possível que tenha estado relacionado com o aboletamento dos castelhanos na cidade, o que obrigou Rui Mendes a embarcar para Castela para se salvar.
Dados genealógicos A família Mendes de Vasconcelos aparece normalmente nos nobiliários como Vasconcelos apenas, o que dá origem a equívocos já que o apelido divide-se em dois ramos e nos dois existem homónimos.Rute Pardal: As elites de Évora ao tempo da dominação Filipina: Estratégias de controlo do poder local (1580-1640), Publicações do CIDEHUS, Edição Impressa, ISBN: 9789727726875, 2007, pp. 79-80. A família dividiu-se entre os morgados do Esporão - termo de Reguengos de Monsaraz - que deu origem aos condes de Castelo Melhor, os morgados das Vidigueiras, quando Álvaro Mendes de Vasconcelos deixou o morgado das Vidigueiras ao seu filho segundo, Diogo Mendes de Vasconcelos.
Era filho primogénito de Diogo de Sousa de Vasconcelos e de D. Maria de Vasconcelos.
Por volta de 1570 casou com D. Isabel de Meneses, viúva de Rui de Melo, filha de António Silva, senhor do morgado de Xévora, e da sua mulher, D. Branca de Meneses.
teve pelo menos, a seguinte descendência:Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume II, págs. 888-889
Diogo de Sousa de Vasconcelos; Maria de Vasconcelos; Diogo de Sousa de Vasconcelos faleceu já no final da vida de Rui Mendes de Vasconcelos, que obteve da Coroa autorização para passar o seu património a neto ou neta, afastando assim da sucessão a sua filha D. Maria de Vasconcelos, condessa da Calheta.Faria e Monteiro, 2021, p. 186. Desta maneira evitou diluir a Casa de Castelo Melhor na dos capitães do Funchal e em testamento de 1617 nomeou sua herdeira a neta, D. Mariana de Lencastre, desde que se casasse com o herdeiro do comendador de Pombal, seu parente. A condessa da Calheta disputou a sucessão em tribunal mas em 1631, foi dada sentença favorável a D. Mariana de Lencastre, que no ano seguinte se casou com João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa. Por este casamento incorporaram-se os bens da casa paterna de João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa no património de Castelo Melhor. Consistiam na comenda de S. Martinho de Pombal e da respectiva alcaidaria-mor, da quinta de Moita Santa (Santiago da Guarda), do vínculo de Santa Maria de Óbidos e de outros bens.
Nesta solução, procurou-se evitar a diluição da casa de Castelo Melhor na dos capitães do Funchal. Em testamento de 1617, Rui Mendes nomeou a neta, D. Mariana de Lencastre, e condicionou-a a consorciar-se com o herdeiro e sucessor do comendador de Pombal, seu parente.
Referências
Categoria:Condes de Castelo Melhor Categoria:Alcaides-mores da Covilhã Categoria:Alcaides-mores de Penamacor Categoria:Alcaides-mores de Salvaterra do Extremo Categoria:Conselheiros do Reino de Portugal Categoria:Mordomos-mores do Reino de Portugal Categoria:Governadores de Tânger Categoria:Comendadores da Ordem de Cristo Categoria:Nobres de Portugal do século XVI Categoria:Nobres de Portugal do século XVII