O arrendamento de curta duração (short-term rental ou STR, em inglês), também conhecido por locação de curta duração, descreve unidades de habitação que são destinadas para o arrendamento (locação) por curtos períodos de tempo. São geralmente vistas como uma alternativa aos hotéis. Os arrendamentos de curta duração são um desdobramento da habitação empresarial e são, por vezes, oferecidos por senhorios (proprietários) e Fundos de Investimento Imobiliários através de plataformas em linha (online) como a Airbnb, a Booking.com ou a Vrbo.
Tem sido muito criticado porque a sua proliferação nas áreas urbanas leva à crise da habitação, gentrificação e sobreturismo, à pressão sobre o arrendamento habitacional e a tensões comunitárias. A regulamentação desta atividade varia consideravelmente entre países e municípios, incluindo requisitos como licenças, limites de dias de ocupação, áreas autorizadas, taxas turísticas ou registo em sistemas de registos oficiais.
Os usos populares incluem o arrendamento de férias e a relocação.
Este setor é visto como uma opção mais acessível para estadias de um mês. Podem ser 25 a 50% mais baratos do que um quarto de hotel, e as unidades habitacionais oferecem normalmente comodidades tradicionais, como uma cozinha ou quitinete (cozinha compacta), uma máquina de lavar e secar roupa. Algumas empresas permitem animais de estimação. Os procedimentos de reserva podem incluir verificação de crédito, depósito para danos e caução, e taxas de limpeza de saída. Os arrendamentos através de plataformas em linha (online) como Airbnb, Booking.com ou Vrbo são uma forma comum de acesso a estas habitações. Recomenda-se o contacto com o proprietário ou agente, uma vez que as fotos e descrições em linha (online) podem ser enganadoras.
A proliferação de arrendamentos de curta duração prejudica todas as pessoas que habitam na área pressionada pela procura pelos arrendamentos de longa duração. Através dos arrendamentos de curta duração, os senhorios (proprietários) lucram até 30% mais do que lucram com um arrendamento (locação) de longa duração com renda controlada. Assim, os senhorios (proprietários) são aliciados a converter as suas habitações em unidades de arrendamento de curta duração e, por isso, há cada vez menos opções de arrendamento de longa duração disponíveis para os habitantes permanentes, fator que induz o aumento exponencial da crise da habitação, da gentrificação e do sobreturismo. Os senhorios (proprietários) também pressionam e coagem as pessoas a sair da habitação, principalmente se os inquilinos forem pobres, idosos ou de baixos rendimentos. Na Austrália, os arrendamentos de curta duração contribuíram para a crise da habitação ocorrida em 2022, mesmo que os arrendamentos de curta duração tenham diminuído temporariamente durante a pandemia de COVID-19 de 2019-2022.
As associações e comissões de moradores, comunitárias de bairro, manifestam preocupações pelo facto destes forasteiros temporários não terem qualquer ligação com a comunidade e, por isso, serem pouco propensos a preocupar-se com o impacto do seu comportamento nas pessoas que os rodeiam.
Os arrendamentos de curta duração transferem a responsabilidade de cumprir as normas e os regulamentos municipais para os inquilinos individuais que utilizam serviços de arrendamento de curta duração, como o Airbnb. Isto leva a arrendamentos (locações) ilegais de curta duração que violam muitas destas normas. Os códigos de segurança contra incêndio, os códigos de segurança em edifícios, as contribuições para a segurança social (seguridade social) e os impostos sobre o arrendamento temporário (locação temporária) são frequentemente contornados pelos arrendamentos ilegais de curta duração.
Os arrendamentos de curta duração podem representar um desafio político para os legisladores locais, que precisam de encontrar uma forma de mitigar os problemas que causam aos habitantes permanentes. Por exemplo, em Santa Cruz, na Califórnia, EUA, os fiscais municipais defendem as restrições de estacionamento nas áreas com muitos arrendamentos de curta duração, a fim de desencorajar os forasteiros de se alojarem nesses locais e priorizar a capacidade de estacionamento dos habitantes locais. Diversos governos tomaram medidas para combater este aumento dos arrendamentos de curta duração como, por exemplo, a partir de 2019, os arrendamentos de curta duração em Londres, Reino Unido, foram limitados no tempo máximo de duração.
Brasil
No Brasil, a Lei do Inquilinato define a locação para temporada como aquela destinada à residência temporária do locatário por prazo não superior a 90 dias, esteja ou não o imóvel mobiliado.
Em maio de 2026, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a utilização de unidades em condomínios residenciais para estadias curtas oferecidas por plataformas digitais depende da alteração da destinação do edifício, aprovada por pelo menos dois terços dos condôminos.
O mercado brasileiro também conta com empresas especializadas em locações mobiliadas mensais e flexíveis, como a Shortstay, que oferece apartamentos mobiliados com contratos geralmente iniciados a partir de 30 dias.
Ver também Habitação Crise da habitação Gentrificação Sobreturismo Discriminação habitacional Regulação do arrendamento Aparthotel (apart-hotel) e Condotel (condo-hotel) Alojamento Habitação acessível Habitação pública Conjunto habitacional Casa Primeiro (Housing First) NIMBY Direito à habitação Habitação subsidiada Planeamento urbano (planejamento urbano) YIMBY Zoneamento Cooperativa de Habitação Habitação em Portugal Construção civil Política habitacional Lar Pousada ou estalagem Bolha habitacional Bolha imobiliária Especulação imobiliária
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