A Igreja Paroquial da Pederneira, ou Igreja de Nossa Senhora das Areias e de São Pedro da Pederneira, é um templo de arquitectura religiosa de estilo maneirista e barroco que se localiza na Pederneira, no concelho da Nazaré, Portugal.
História A construção do templo teve o seu início no século XVI. Sobre a sua origem, existem diversas conjecturas. Segundo a opinião do padre António Carvalho da Costa, o edifício da actual Igreja Matriz deveu-se à população de Paredes, uma antiga vila que ficou soterrada no século XVI, levando os seus habitantes a migrarem para esta localização. Esta teoria levou muitos investigadores, em particular os do século XVIII, a considerarem a fundação do aglomerado urbano da Pederneira pelas gentes da extinta vila de Paredes como um facto certo.
Outra teoria, apresentada por José D'Almeida Salazar, Eremita da Real Capela de Nossa Senhora da Nazaré, indica que a Matriz da Pederneira terá servido como palácio ou casa de recreio do Cardeal-Rei D. Henrique, enquanto Abade de Alcobaça, local onde passava o verão quase todos os anos. A antiga vila da Pederneira, que pertencia aos Abades de Alcobaça, recebeu foral de D. Manuel I em 1514.
Em relação à cronologia da decoração, o revestimento azulejar da igreja data de 1637, de acordo com a inscrição existente junto ao altar-mor. A talha do altar-mor e dos dois altares colaterais laterais são do século XVII, enquanto os restantes altares datam do século XVIII.ALMEIDA, Álvaro Duarte de; BELO, Duarte (2007). Portugal Património: Guia-Inventário. VI. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 24
Descrição O templo apresenta uma arquitectura religiosa maneirista e barroca. Possui uma planta rectangular e orientada, resultante da justaposição de dois rectângulos de ordem decrescente, a nave e a capela-mor. Adossados a ambos os lados da capela-mor encontram-se dois espaços rectangulares idênticos. O edifício tem coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, delimitadas por cunhais em cantaria.
A fachada principal é rematada por um frontão triangular truncado no vértice, onde assenta uma cruz, e exibe um relógio no tímpano. A pequena torre sineira, que possui uma cobertura bolbosa, está localizada do lado Norte. O portal, de vão rectangular e com frontão triangular, inscreve-se num arco pleno e é ladeado por quatro molduras cegas sobrepostas, duas de cada lado, separadas por um friso em cantaria.
O interior é de nave única, com uma coberta em abóbada de berço rebaixado e caleada. O coro-alto assenta numa tripla arcada de pleno centro sobre colunas toscanas, e lateralmente sobre pilastras, definindo "serlianas". O baptistério situa-se sob a torre sineira, e existe uma porta lateral no alçado Norte. As janelas de sacada, de grande vão rectangular, encontram-se nos alçados laterais. A capela-mor é mais baixa e é coberta por abóbada de berço.
O púlpito encontra-se no lado Norte, enquanto o cadeiral da Irmandade, com guarnição de talha dourada setecentista, se localiza no lado oposto (lado da Epístola), sendo digno de nota. Uma grade metálica separa o espaço central mais baixo da nave da zona dos altares.
Os parietais da nave e da capela-mor são revestidos por um silhar alto de azulejos de padrão, nas cores verdes, azuis e amarelas, datados do século XVII, sendo rematados por azulejos tipo "tapete". Na capela-mor, o silhar sobe a cerca de 1,80m de altura. No corpo do templo, até ao nível do coro, a azulejaria é de padrões de massaroca, sendo interrompida por pequenos painéis policromos com emblemas e alminhas, rodeados por frisos de cabeças de querubins amarelas em fundo azul.
Na capela-mor, por cima de duas portas e junto ao retábulo, encontram-se embutidos dois painéis cerâmicos iguais com a cruz dos Bulhões e uma inscrição, a qual indica que a igreja foi mandada azulejar em 1637. A inscrição completa é:ESTA CAPELA MANDARÃO AZULEGIAR OS DEVOTOS DE S. ANTONIO 1637A capela-mor alberga um altar em talha dourada seiscentista e dois painéis de pintura, de cariz regional e também do século XVII, que representam episódios da iconografia antoniana. Os altares colaterais possuem retábulos joaninos.
O templo insere-se num contexto urbano, isolado e destacado, com a fachada principal voltada para a rua mais importante da vila (Rua Abel Silva). O seu alçado lateral Norte define o enquadramento do Largo Bastião Fernandes, onde se situam o Pelourinho e a Antiga Casa da Câmara. No largo fronteiro à igreja, existe um Passo da Via Sacra, delimitado por cunhais em cantaria, com porta rectangular e remate em empena triangular, contornada por cornija e encimada por uma cruz no vértice.
Galeria