O descarrilamento de Adamuz foi um acidente ferroviário ocorrido em 18 de janeiro de 2026, quando dois trens de passageiros de alta velocidade descarrilaram em Adamuz, Córdova, Espanha, matando pelo menos 46 pessoas e ferindo outras 245, incluindo 15 em estado crítico.
Antecedentes A rede ferroviária de alta velocidade da Espanha é a segunda mais longa do mundo, atrás apenas da China. Já ocorreram descarrilamentos fatais na rede ferroviária de alta velocidade espanhola, sendo o mais notável o descarrilamento de Santiago de Compostela, em julho de 2013, que causou a morte de 79 pessoas.
A linha ferroviária de alta velocidade Madrid-Sevilha está em funcionamento desde 1992. Desde 2014, a linha é operada pela operadora estatal de infraestruturas ADIF-Alta Velocidad. A Renfe-Operadora, operadora ferroviária nacional estatal espanhola, foi criada em 2005 como sucessora da tradicional Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles (RENFE). A Iryo, uma empresa ferroviária privada detida maioritariamente pela Trenitalia, foi fundada como ILSA em 2019 e começou a oferecer serviços na Andaluzia em 2023.
Acidente thumb|Um trem/comboio de alta velocidade Iryo, semelhante aos envolvidos O primeiro trem, operado pela Iryo, viajava de Málaga para Madrid, enquanto o segundo trem, operado pela Renfe, viajava de Madrid para Huelva. O descarrilamento ocorreu em um trecho reto da via, que havia sido reformado pela última vez em maio de 2025. Com pelo menos 317 passageiros a bordo, descarrilou pouco após parar na estação Córdoba-Julio Anguita, aproximadamente às 19h39 CET, enquanto atravessava um conjunto de pontos que levavam a desvios, cruzando para a via oposta. Consequentemente, o outro trem que viajava na via paralela na direção oposta, que transportava cerca de 100 passageiros, também descarrilou, e uma das fatalidades foi o seu maquinista. O trem da Renfe sofreu os danos mais graves, com seus dois primeiros vagões caindo de um aterro de cerca de 4 m (13 pés). O acesso à área onde os vagões pararam foi extremamente difícil, complicando as operações de resgate e recuperação.
A Iryo, empresa ferroviária privada que opera a viagem a partir de Málaga, confirmou o descarrilamento e confirmou que cerca de 300 passageiros estavam a bordo.
Vítimas As autoridades regionais afirmaram que pelo menos 46 pessoas morreram e outras 245 ficaram feridas. Dos feridos, 170 receberam tratamento para ferimentos leves, enquanto outros 75, incluindo 15 em estado crítico, foram transportados para o hospital. As autoridades locais afirmaram que o número de mortos poderá aumentar significativamente à medida que as operações de busca e salvamento continuam. Entre os mortos estava o maquinista do comboio que fazia a ligação entre Madrid e Huelva.
De acordo com um primeiro comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, pelo menos dois cidadãos portugueses estavam no acidente, sendo uma portuguesa sinalizada como "já se encontrando bem e em casa" e um outro cidadão sinalizado pelas autoridades espanholas, mas de que não se sabem ainda detalhes relativamente ao estado de saúde. O cidadão foi mais tarde localizado, encontrando-se no hospital com ferimentos ligeiros, e tendo partido a "tíbia e o perónio".
Investigação miniaturadaimagem|Óscar Puente em uma coletiva de imprensa não relacionada ao assunto De acordo com Óscar Puente, ministro dos Transportes, o acidente ocorreu em um trecho da via composto por “uma linha reta” que foi renovada em maio de 2025, acrescentando que “700 milhões [€] foram investidos” nessa via, que estava “supostamente em perfeitas condições”. O trem Iryo que descarrilou foi descrito como “relativamente novo”, com apenas quatro anos de fabricação, e que o acidente foi “tremendamente estranho”.
Consequências A Guarda Civil confirmou a suspensão do serviço ferroviário de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia durante todo o dia 19 de janeiro.
Reações O Presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, disse que o governo está trabalhando com os serviços de emergência para ajudar as pessoas afetadas, enquanto o presidente regional da Andaluzia, Juanma Moreno, expressou sua preocupação e apoio às vítimas e suas famílias. A operadora ferroviária ADIF disse que criará espaços para os familiares das vítimas nas estações de Atocha, Sevilha, Córdoba, Málaga e Huelva. O Ministério da Defesa informou que enviaria 15 veículos e 40 membros da Unidade Militar de Emergências para o local do descarrilamento. Foram decretados pelo governo espanhol três dias de luto nacional, de terça a quinta-feira.
Vários líderes de países de todo o mundo expressaram suas condolências ao povo espanhol após a tragédia, incluindo o Canadá, Itália, Reino Unido, Países Baixos, França e Portugal.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, mostrou o apoio total das instituições europeias. Numa mensagem, Kallas enviou os seus pensamentos às famílias dos mortos e desejou uma rápida recuperação aos feridos, reafirmando que a Europa permanece unida perante esta catástrofe.
Portugal, pelas palavras do primeiro-ministro Luís Montenegro através da rede social X, fez chegar a Pedro Sánchez "toda a solidariedade de Portugal" como também disponibilizou todo o apoio que o país precisasse.
Ver também Descarrilamento de Gelida de 2026 Descarrilamento de Santiago de Compostela
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