Pterinopelma é um gênero de aranhas da família Theraphosidae, nativas do Brasil e Argentina. O gênero foi originalmente descrito por Reginald Innes Pocock em 1901 e passou por diversas revisões taxonômicas ao longo do século XX e XXI.

Histórico taxonômico

O gênero Pterinopelma tem uma história taxonômica complexa. Foi originalmente descrito por Pocock em 1901, mas posteriormente foi sinonimizado com outros gêneros em diferentes períodos. Raven (1985) o colocou como sinônimo de Aphonopelma, enquanto Pérez-Miles (1992) considerou-o sinônimo de Eupalaestrus.

Em 2011, Bertani, Nagahama e Fukushima revalidaram o gênero Pterinopelma em publicação no periódico científico Zootaxa, removendo-o da sinonímia com Eupalaestrus. Nesta revalidação, descreveram também P. sazimai (posteriormente transferida para o gênero Lasiocyano) e a fêmea de P. vitiosum pela primeira vez.

Em 2023, um estudo filogenômico conduzido por Galleti-Lima e colaboradores, publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution, propôs uma reclassificação dos gêneros sul-americanos de tarântulas com quilhas subapicais e retrolaterais no bulbo palpal masculino. Este estudo transferiu duas espécies anteriormente incluídas em Vitalius para Pterinopelma: P. longisternale e P. roseum. Simultaneamente, duas espécies originalmente descritas em Pterinopelma foram transferidas para novos gêneros: P. felipeleitei para Parvicarina e P. sazimai para Lasiocyano.

Características

As aranhas do gênero Pterinopelma compartilham com Lasiodora, Parvicarina, Vitalius e Nhandu a ausência de quilhas prolaterais acessórias no bulbo palpal masculino, além de uma depressão ventral mediana e a presença de quilhas prolateral superior, prolateral inferior, retrolateral, subapical e apical.

Os machos diferem de outros gêneros relacionados pela forma do bulbo palpal, que se estreita abruptamente a partir da região mediana, e pelo êmbolo longo. Em P. vitiosum, o êmbolo apresenta dentículos na quilha prolateral inferior. As fêmeas distinguem-se pela forma das espermatecas, com receptáculos separados por uma pequena depressão central e pedúnculo espermatecal com constrição leve na base do bulbo espermatecal.

Ambos os sexos podem ser diferenciados de Lasiodora pela ausência de cerdas estridelatórias nas coxas prolaterais, de Nhandu pela ausência de pelos longos na carapaça, e de Vitalius pelo pedúnculo espermatecal mais estreito que o bulbo espermatecal nas fêmeas, conferindo-lhe formato arredondado.

Distribuição geográfica

O gênero Pterinopelma ocorre em regiões de floresta subtropical subcaducifólia do sul do Brasil e nordeste da Argentina:

P. vitiosum: norte do estado do Rio Grande do Sul (Brasil), em vegetação de Floresta Atlântica Subcaducifólia com Araucaria angustifolia e manchas de campo P. longisternale: florestas de araucárias do nordeste da província de Misiones (Argentina) e florestas subtropicais subcaducifólias dos estados do Paraná e Santa Catarina (Brasil), a oeste da Serra do Mar P. roseum: sudeste da província de Misiones (Argentina) e floresta subtropical subcaducifólia do noroeste e centro do estado do Rio Grande do Sul (Brasil)

Espécies

Atualmente, o gênero Pterinopelma compreende três espécies reconhecidas:

Pterinopelma longisternale (Bertani, 2001) — Brasil, Argentina Pterinopelma roseum (Mello-Leitão, 1923) — Brasil, Argentina Pterinopelma vitiosum (Keyserling, 1891) — Brasil (espécie-tipo)

Nome duvidoso

Pterinopelma tigrinum Pocock, 1903 — Uruguai (nomen dubium)

Referências

Ligações externas

Categoria:Pterinopelma