alt=visual word form area (VWFA) is a functional region of the left fusiform gyrus and surrounding cortex that is hypothesized to be involved in identifying words and letters from lower-level shape images, prior to association with phonology or semantics|direita|miniaturadaimagem|visual word form area3.jpg A Área da Forma Visual da Palavra (VWFA - Visual Word Form Area ), também conhecida como "caixa de letras", é uma região funcional do giro fusiforme esquerdo e do córtex circundante (o lado direito faz parte da Área Facial Fusiforme ) que se hipotetiza estar envolvida na identificação de palavras e letras a partir de imagens de formas de nível mais baixo, antes da associação com a fonologia ou a semântica . Essa identificação ocorre através do reconhecimento da combinação entre traços, curvas, contornos e angulações. Como o alfabeto é relativamente recente na evolução humana, é improvável que esta região tenha se desenvolvido como resultado de pressões seletivas relacionadas ao reconhecimento de palavras em si (ver Seleção natural); no entanto, esta região pode ser altamente especializada para certos tipos de formas que ocorrem naturalmente no ambiente e, portanto, provavelmente surgem na linguagem escrita.
Além do reconhecimento de palavras, a VWFA pode participar do processamento de nível mais alto do significado das palavras. Desta forma, participando não apenas em reconhecer formas, contornos e angulações, mas também promovendo a ativação do léxico mental existente e ativando áreas de processamento semântico.
Acreditava-se anteriormente que a VWFA não discriminava o reconhecimento e processamento quanto à capitalização das palavras; no entanto, nos cérebros de falantes de alemão (uma língua que usa maiúsculas nos substantivos), a sensibilidade às maiúsculas é um fenômeno real registrado na VWFA. Essa discrepância reflete a tendência na pesquisa em ciências cognitivas de privilegiar experimentos conduzidos predominantemente com participantes falantes de inglês, enquanto negligencia o trabalho com as mentes de falantes de outras línguas. A língua inglesa mostra-se bastante extensa na capitalização de palavras, como o início de frases, o pronome "I", nomes próprios, como os usados em português, mas também incluindo meses, dias da semana, nacionalidades e línguas. O uso também estende-se para títulos e para após os dois pontos, em algumas situações.
Em 2003, experimentos de imagem funcional levantaram dúvidas sobre se a VWFA é uma região real. Esse ceticismo desapareceu em grande parte; no entanto, parece haver muita variabilidade em seu tamanho. Uma área que pode estar dentro desse órgão mental em uma pessoa pode estar fora dele em outra.
Anomalias na ativação desta região têm sido associadas a distúrbios de leitura . Se a área for submetida a uma lesão cirúrgica, o paciente sofrerá um comprometimento claro na capacidade de leitura, mas não no reconhecimento de objetos, nomes ou rostos, nem nas habilidades linguísticas gerais. Haverá alguma melhora nos próximos seis meses, mas a leitura ainda levará o dobro do tempo que levava antes da cirurgia. A estimulação elétrica cerebral da VWFA causa distúrbios específicos da leitura e pode causar percepção errônea de letras.
Hipóteses da forma visual da palavra
Hipótese pré-lexical da forma visual das palavras Proposta por Cohen e colegas (2000). Os princípios básicos desta teoria afirmam que os neurônios no córtex occipitotemporal ventral (vOT) – do qual o giro fusiforme posterior faz parte – possuem campos receptivos sensíveis a bigramas, ou combinações de duas letras que ocorrem comumente em palavras. Os neurônios percebem e processam os bigramas para detectar sua legalidade. Aqui, o giro fusiforme posterior esquerdo (parte do vOT) é considerado uma estação em uma longa linha de áreas de processamento. O processamento começa com detectores de características visuais no córtex extrastriado, passando por detectores de letras e detectores de agrupamentos de letras no giro fusiforme posterior e, em seguida, ativando representações lexicais armazenadas em uma área fusiforme multimodal mais anterior. A teoria afirma que a função da VWFA é pré-lexical, pois ocorre antes que a palavra seja compreendida como tendo significado.
Hipótese lexical da forma visual da palavra A teoria proposta por Kronbilcher et al. (2004) baseou-se em dados de imagem funcional que mostraram, em um estudo de fMRI paramétrico, uma diminuição na ativação do giro fusiforme esquerdo em resposta ao aumento da frequência da palavra – onde a frequência representa a frequência com que a palavra é usada. Esses dados refutam a teoria pré-lexical anterior, pois se a VWFA fosse pré-lexical, seria esperada uma ativação igual em todas as frequências. Em vez disso, foi proposta uma teoria lexical, na qual os neurônios do giro fusiforme esquerdo detectam palavras tentando compará-las com representações armazenadas de palavras conhecidas. Isso explicaria os dados, uma vez que palavras mais comuns levariam menos tempo para serem detectadas do que palavras menos comuns, reduzindo a energia necessária para o processamento e, portanto, potencialmente reduzindo a magnitude da resposta hemodinâmica detectada pela fMRI BOLD.
Um estudo recente eletrocorticografia intracraniana mostra que a atividade na VWFA passa por múltiplos estágios de processamento. Utilizando classificação com registros neurais diretos da VWFA, Hirshorn et al. demonstraram que a atividade inicial da VWFA, aproximadamente entre 100 e 250 milissegundos após a leitura de uma palavra, é consistente com uma representação pré-lexical, enquanto a atividade posterior, aproximadamente entre 300 e 500 milissegundos, é consistente com uma representação lexical. Esses resultados potencialmente mediam entre as hipóteses pré-lexical e lexical, mostrando que ambos os níveis de representação podem ser observados na VWFA, porém em diferentes latências após a leitura de uma palavra. Estudos anteriores utilizando fMRI não possuíam a resolução temporal necessária para diferenciar entre esses dois estágios.
Funções alternativas para a área cortical atribuídas à VWFA Devlin et al. (2006) afirmam que o giro fusiforme posterior esquerdo não é uma "área da forma da palavra" propriamente dita, mas, em vez disso, hipotetizam que a área é dedicada à determinação do significado das palavras. Ou seja, essa área do cérebro é onde a informação ascendente (formas visuais das palavras e outros atributos visuais, se necessário) entra em contato com a informação descendente (semântica e fonologia das palavras). Portanto, acredita-se que o giro fusiforme esquerdo seja a interface no processamento das palavras, e não um dicionário que computa uma palavra com base apenas em sua forma, como afirma a hipótese lexical da forma da palavra. Este artigo também apresenta evidências que refutam a hipótese lexical.
Outra diferença importante entre esta hipótese e as anteriores mencionadas é que ela não se limita apenas a palavras, mas a qualquer "estímulo significativo"; na verdade, objetos sem sentido podem ativar o córtex fusiforme posterior para extrair seu significado de processos de nível mais alto. No entanto, a descoberta de que a disfunção da VWFA devido a lesões cirúrgicas ou estimulação cerebral elétrica tem pouco impacto na capacidade de uma pessoa de extrair significado de estímulos não verbais fornece forte evidência de que a função da VWFA está primariamente restrita ao processamento de palavras e não a "qualquer estímulo significativo".
No entanto, existem algumas evidências de que a VWFA não é especializada especificamente para a leitura, mas sim possui um conjunto de propriedades e funções específicas que a tornam útil para a leitura — e particularmente importante para a leitura fluente — mas que também podem permitir que ela desempenhe papéis em outras formas de processamento visual. O envolvimento da VWFA parece depender em parte da complexidade visual de um estímulo, e parece processar estímulos visuais reconhecíveis que são agrupados. Isso pode explicar por que a leitura "letra por letra" ainda é possível mesmo quando a VWFA sofre lesões que, de outra forma, interfeririam na capacidade de leitura fluente. Isso também pode explicar por que a VWFA é ativada ainda mais fortemente por desenhos de linhas e caracteres amáricos do que por palavras escritas familiares aos participantes do estudo.
Envolvimento em Hiperlexia e Dislexia
Hiperlexia Algumas pesquisas sugerem que crianças com transtorno do espectro autista (TEA) podem depender mais das áreas de percepção visual — incluindo a VWFA — e menos das áreas fonológicas durante tarefas de leitura, em comparação com crianças sem TEA. Uma maior ativação da VWFA pode ser particularmente significativa em crianças com hiperlexia, ou seja, com capacidade de leitura além do seu nível de treinamento. Acredita-se que a hiperlexia esteja associada ao TEA, com estimativas de prevalência em crianças autistas variando de 6 a 20,7%. Um estudo com uma criança hiperléxica com TEA mostrou ativação elevada, em comparação com controles, do sulco temporal inferior posterior direito, onde se acredita estar localizada a VWFA direita (em inglês VWFA-R). Essa região é ativa durante os estágios iniciais do desenvolvimento da leitura, enquanto que uma criança sem TEA com o mesmo nível de leitura do sujeito faria menos uso dessa região, priorizando processos fonológicos ("letra-som").
Dislexia Uma meta-análise de estudos com crianças e adultos com dislexia sugere que a subativação da região occipitotemporal esquerda — particularmente a VWFA — pode estar envolvida na dificuldade de leitura fluida dos disléxicos. Essas dificuldades de leitura também podem estar relacionadas à baixa conectividade entre a VWFA e regiões associadas no córtex parietal responsáveis pela atenção visual.
Ver também
Giro Fusiforme Leitura
Categoria:Cérebro