As eleições gerais foram realizadas em 28 de dezembro de 2025 na República Centro-Africana. O presidente em exercício, Faustin-Archange Touadéra, estava apto a concorrer à reeleição após a remoção dos limites de mandato presidencial pelo referendo constitucional centro-africano de 2023 e buscava seu terceiro mandato. O Movimento Corações Unidos, liderado por Touadéra, reprimiu a oposição política na República Centro-Africana (RCA), recorrendo ao uso de poderes do Estado para impedir que candidatos oposicionistas concorressem ao pleito.
Antecedentes Inicialmente, o presidente Faustin-Archange Touadéra estava limitado a dois mandatos, tornando-se constitucionalmente inelegível para uma nova candidatura. No entanto, ele propôs revisões à Constituição e a realização de um referendo em 2023 com o objetivo de remover os limites de mandato e estender a duração dos mandatos presidenciais de cinco para sete anos. Danièle Darlan, então presidente do Tribunal Constitucional, declarou o referendo ilegal, mas acabou sendo destituída do cargo por Touadéra. Os partidos da oposição boicotaram o referendo, que foi aprovado com 95% dos votos. O Grupo Wagner forneceu segurança e apoio logístico durante a realização da consulta popular.
Líderes da oposição, como Dominique Yandocka, foram presos apesar de gozarem de imunidade parlamentar, e os partidos oposicionistas foram proibidos de realizar comícios. Ao todo, 570 mil eleitores foram registrados pela MINUSCA. Em fevereiro de 2025, 98% dos centros de registro eleitoral na RCA estavam em funcionamento, embora 58 permanecessem fechados devido à violência, e revisões das listas eleitorais foram realizadas em 11 das 20 prefeituras do país. A organização Human Rights Watch manifestou preocupação com a condução do processo eleitoral.
Sistema eleitoral O Presidente da República Centro-Africana é eleito por meio de um sistema de dois turnos para um mandato de sete anos, com possibilidade de reeleição. O candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno é declarado vencedor. Caso nenhum candidato alcance essa maioria, realiza-se um segundo turno entre os dois mais votados Em julho de 2025, as autoridades anunciaram que as eleições locais e municipais — que deveriam ter ocorrido em agosto de 2025 após um hiato de quase 40 anos — seriam realizadas simultaneamente com a eleição presidencial. Em 7 de agosto, a comissão eleitoral da RCA confirmou que o pleito ocorreria em 28 de dezembro de 2025. Em caso de segundo turno na eleição presidencial, a votação está prevista para fevereiro de 2026, enquanto o segundo turno das eleições parlamentares será realizado em 5 de abril de 2026.
Candidatos Em 14 de novembro de 2025, o Tribunal Constitucional da RCA aprovou sete e rejeitou três candidatos à presidência. Os candidatos aprovados foram:
Faustin-Archange Touadéra, membro do Movimento Corações Unidos e atual presidente. Anicet-Georges Dologuélé, membro da União para a Renovação Centro-Africana. Henri-Marie Dondra, membro da Unidade Republicana (UNIR). Serge Gislan Djory, candidato independente. Aristide Brian Ribois, candidato independente. Eddy Simforian Kabarkuti, candidato independente. Marcelin Yalimende, candidato independente.
Conduta Os preparativos para as eleições foram alvo de escrutínio no que diz respeito à prontidão institucional e à segurança. A Autoridade Nacional das Eleições (ANE) trabalhou para finalizar as listas de eleitores e a logística em condições difíceis, com o apoio de parceiros internacionais e grupos de observadores nacionais. As Nações Unidas apelaram a reformas para reforçar a independência e a capacidade das instituições eleitorais, observando que o processo está a decorrer num contexto de segurança frágil e recursos limitados.
Campanha A campanha começou em 13 de dezembro de 2025. Tanto Georges Dologuélé como Henri-Marie Dondra acusaram as autoridades de dificultarem as suas atividades de campanha através de restrições de viagens e de impedirem eventos relacionados, o que foi negado por responsáveis do Movimento Corações Unidos.
Desafios e críticas Observadores e figuras da oposição expressaram preocupação com a credibilidade das próximas eleições. Relatórios destacam atrasos logísticos, cadastros eleitorais incompletos e o fechamento de centros de registro em áreas afetadas por conflitos. O referendo constitucional de 2023, que permitiu ao presidente Touadéra concorrer a um terceiro mandato, também foi alvo de críticas por ter sido realizado em um ambiente político restritivo. As condições de segurança e o financiamento limitado continuam a representar desafios que podem afetar a transparência e a inclusão da votação de dezembro de 2025. Em outubro de 2025, o principal bloco de oposição da RCA, o Bloco Republicano para a Defesa da Constituição, anunciou que boicotará as eleições, alegando um ambiente político desigual
Observadores Mais de 1 700 observadores locais e internacionais foram credenciados para monitorar a eleição. A missão de observação da União Africana, que enviou monitores a três das 20 prefeituras da RCA, afirmou que as eleições foram realizadas pacificamente, exceto em Haut-Mbomou, e cumpriram o quadro legal em vigor, o que, segundo ela, representou uma melhoria em relação às eleições de 2016 e 2020.
Resultados Os resultados provisórios anunciados em 6 de janeiro pela ANE mostraram que Faustin-Archange Touadéra foi reeleito para um terceiro mandato com 76,15% dos votos. Anicet-Georges Dologuélé ficou em segundo lugar, recebendo 14,66% dos votos. O ex-primeiro-ministro Henri-Marie Dondra ficou em terceiro lugar, recebendo 3,19% dos votos. A participação entre os eleitores registrados foi de 52,42%. Tanto Dologuélé quanto Dondra contestaram os resultados, alegando irregularidades por parte da ANE e fraude eleitoral generalizada. Dologuélé se declarou vencedor da eleição presidencial.
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