A Igreja Evangélica em Kalimantan (em indonésio Gereja Kalimantan Evangelis, GKE) é uma denominação reformada continental na Indonésia, organizada oficialmente em 1935, como fruto do trabalho missionário europeu entre os povos Dayak do interior da ilha de Kalimantan.
História
Contexto religioso pré-cristão A partir do século XVI, as regiões costeiras de Kalimantan passaram por um processo gradual de islamização, enquanto os povos Dayak do interior mantiveram suas religiões tradicionais baseadas no adat (direito consuetudinário).
Início da missão protestante O primeiro missionário da Missão Renana Alemã (Rheinische Missionsgesellschaft – RMG) chegou ao sul de Kalimantan em 1835. Em 1838, a missão iniciou trabalho sistemático no interior da ilha, entre os Dayak Ngaju e Maanyan.
A resistência religiosa foi intensa e, em 1859, o trabalho missionário quase foi destruído por uma revolta contra o domínio colonial holandês.
Apesar de grandes esforços, o crescimento foi lento: em 1901 havia cerca de 2.000 cristãos. As principais razões foram a forte autonomia cultural dos Dayak, o paternalismo missionário e a postura negativa da missão em relação à cultura local.
Transição para a Missão Basileia Após a Primeira Guerra Mundial, devido à crise na Alemanha, a Missão Renana foi obrigada a transferir seu campo missionário em Kalimantan para a Missão Basileia em 1920.
Fundação da igreja autônoma Em 1935, a igreja foi declarada autônoma sob o nome de Gereja Dajak Evangelis. Nesse ano, foram ordenados os primeiros cinco ministros indígenas, entre eles F. Dingang, filho de um chefe tradicional Dayak que desempenhou papel decisivo na expansão do cristianismo.
Até 1942, o Conselho Sinodal permaneceu sob presidência europeia. Com a ocupação japonesa, essa função passou a ser exercida por líderes Dayak.
Mudança de nome e identidade nacional Em 1950, a denominação abandonou sua base exclusivamente tribal e adotou o nome atual, Gereja Kalimantan Evangelis. Essa mudança expressou a abertura da igreja a cristãos de diversas origens étnicas e regiões da Indonésia, permitindo sua plena participação em todos os níveis de governo eclesiástico.
Essa decisão fortaleceu o ideal de comunhão cristã nacional e coincidiu com a fundação do então Conselho Indonésio de Igrejas (DGI), atual Comunhão das Igrejas da Indonésia (PGI).
Desenvolvimento social e educacional Para promover o desenvolvimento do interior, a GKE fundou em 1955 o Centro de Treinamento Agrícola de Tumbang Lahang.
Em 1967, estabeleceu a Escola Técnica de Marcenaria de Mandomai, que ganhou reconhecimento nacional.
A igreja mantém clínicas, residências estudantis e escolas em todos os níveis educacionais. Em 1987, fundou uma universidade cristã em Palangka Raya, capital de Kalimantan Central.
Estatísticas No final da década de 1990, a GKE possuía 219.145 membros em 785 igrejas.
Em 2015, foram estimados 330.735 membros distribuídos em 1.280 igrejas.
Relações intereclesiásticas A Igreja Evangélica em Kalimantan é membro da Comunhão das Igrejas da Indonésia, da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas e do Conselho Mundial das Igrejas.
Referências
Categoria:Denominações reformadas continentais na Indonésia Categoria:Membros do Conselho Mundial de Igrejas Categoria:Membros da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas