Linda Jane Laubenstein (Barrington, 21 de maio de 1947 – Chatham, 15 de agosto de 1992) foi uma médica norte-americana e uma das primeiras pesquisadoras dedicadas ao HIV/AIDS.

Esteve entre os primeiros médicos dos Estados Unidos a reconhecer a epidemia de AIDS no início da década de 1980 e foi coautora do primeiro artigo científico a estabelecer a ligação entre a AIDS e o sarcoma de Kaposi.

Laubenstein cresceu em Barrington, no estado de Rhode Island, onde contraiu poliomielite ainda na infância, o que a deixou paraplégica e usuária de cadeira de rodas pelo resto da vida. Formou-se no Barnard College em 1969 e obteve o diploma de medicina pela Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU), especializando-se em hematologia e oncologia. Posteriormente, tornou-se professora clínica, mas acabou deixando a carreira acadêmica para se dedicar integralmente ao atendimento de pacientes com AIDS em seu consultório particular. Além de sua atuação médica, destacou-se como ativista na luta contra a AIDS e foi cofundadora da organização sem fins lucrativos Multitasking, voltada à geração de emprego para pessoas vivendo com AIDS.

Após sua morte, em 1992, aos 45 anos, o Departamento de Saúde do Estado de Nova York instituiu um prêmio em sua homenagem, destinado a médicos que atuam na área de HIV/AIDS. Linda Laubenstein também foi imortalizada na peça The Normal Heart, de Larry Kramer, e em sua posterior adaptação cinematográfica de 2014.

Biografia Linda Laubenstein nasceu em 21 de maio de 1947, em Boston, Massachusetts, filha de Priscilla e George Laubenstein. Cresceu em Barrington, no estado de Rhode Island. Sua mãe trabalhava como professora de educação especial na pré-escola, enquanto seu pai atuava como agente de compras da Providence Gas Company.

Na infância, Linda sofreu de asma grave e contraiu poliomielite aos cinco anos. Para evitar uma insuficiência respiratória, precisou permanecer por três meses em um pulmão de aço, o que resultou em paraplegia. A partir de então, passou a utilizar cadeira de rodas pelo resto da vida. Como não podia frequentar fisicamente a escola primária, foi instalado um sistema de intercomunicação que ligava sua sala de aula à sua casa.

Durante o ensino médio, sua escola não possuía elevador; quando precisava assistir às aulas no segundo andar, jogadores do time de futebol carregavam sua cadeira de rodas escada acima e abaixo. Linda optou por estudar no Barnard College justamente por ser um campus acessível para pessoas que utilizam cadeira de rodas. Determinada a seguir a carreira médica, cursou majoritariamente disciplinas da área de ciências. Posteriormente, ingressou na Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU), onde obteve o título de doutora em medicina em 1973. Concluiu seu internato, residência e especialização até 1978.

Carreira Especialista em hematologia e oncologia e professora clínica no Centro Médico da Universidade de Nova York, Linda Laubenstein foi uma das primeiras profissionais nos Estados Unidos a reconhecer o surgimento da epidemia de AIDS. Atuando em consultório particular na cidade de Nova York, ela noyou um aumento repentino nos casos de sarcoma de Kaposi, um câncer raro que mais tarde seria reconhecido como uma doença definidora da AIDS, entre jovens homens gays com comprometimento do sistema imunológico. Em parceria com o dermatologista Alvin Friedman-Kien, Laubenstein foi coautora do primeiro artigo científico publicado sobre o aparecimento do sarcoma de Kaposi em homens gays.

O primeiro paciente diagnosticado por ela com sarcoma de Kaposi, em 1979, era um homem gay que apresentava uma erupção cutânea generalizada e linfonodos aumentados. Duas semanas depois, um colega pediu que ela avaliasse um segundo paciente, também um homem gay, com a mesma doença. Ambos se revelaram amigos de Gaëtan Dugas, frequentemente chamado de “paciente zero” do HIV/AIDS na América do Norte, embora estudos posteriores tenham demonstrado que ele não foi o responsável por introduzir o vírus no continente, e relataram a Laubenstein que Dugas apresentava sintomas semelhantes. Em 1981, ao tomar conhecimento do sarcoma de Kaposi, Dugas, que era canadense, viajou de Montreal a Nova York para consultar-se com Laubenstein e Friedman-Kien, passando a frequentar o consultório deles para sessões mensais de quimioterapia. Em 1982, Laubenstein já havia tratado 62 pacientes com sarcoma de Kaposi. Pouco depois, deixou seu cargo universitário para se dedicar integralmente ao atendimento de pacientes com AIDS em sua clínica particular.

Em 1983, Laubenstein foi cofundadora do Fundo de Pesquisa sobre o Sarcoma de Kaposi. No mesmo ano, ela e Friedman-Kien organizaram a primeira conferência médica de alcance nacional dedicada à AIDS, realizada na Universidade de Nova York. Os trabalhos apresentados nesse encontro foram reunidos e publicados em 1984 no volume AIDS: The Epidemic of Kaposi’s Sarcoma and Opportunistic Infections, editado por ambos. Em 1986, Laubenstein fundou, junto com Jeffrey B. Greene, a organização sem fins lucrativos Multitasking. A entidade prestava serviços administrativos a empresas e empregava pessoas com AIDS que haviam perdido seus empregos em decorrência da doença, além de auxiliá-las a encontrar novas oportunidades de trabalho. Greene descreveu Laubenstein como “a médica definitiva da AIDS”, destacando o cuidado extremo que ela dedicava a seus pacientes, frequentemente realizando visitas domiciliares em sua cadeira de rodas. Em uma época em que muitos médicos se recusavam a atender pessoas com AIDS, seu colega James Wernz, oncologista, comentou de forma afetuosa que ela às vezes era chamada de “bitch on wheels” ("cretina de rodas"), em referência à sua postura firme e insistente diante de outros médicos.

Laubenstein também foi uma feroz ativista na luta contra a AIDS e criticou duramente o governo dos Estados Unidos pelo que considerava uma relutância em enfrentar a epidemia de forma eficaz. Foi igualmente crítica em relação à Igreja Católica, especialmente no que dizia respeito ao tratamento dispensado a lésbicas e homens gays. Algumas de suas posições geraram controvérsia até mesmo entre outros ativistas do movimento gay, como sua defesa do fechamento de casas de banho frequentadas por homens gays, com o objetivo de desencorajar práticas sexuais inseguras e reduzir a transmissão do HIV. O dramaturgo Larry Kramer, que se tornou seu amigo após Laubenstein cuidar de seu parceiro, que morreu de AIDS, afirmou que ela foi “provavelmente a primeira médica a sugerir que nós, homens gays, parássemos completamente de fazer sexo”.

Saúde e morte Em 1984, Laubenstein desenvolveu apendicite e temia submeter-se a uma cirurgia devido aos riscos que a anestesia geral representava para seus pulmões, já comprometidos em decorrência da poliomielite. Após a operação, os cirurgiões tiveram dificuldade em retirá-la do respirador, e ela sofreu um surto psicótico que exigiu sua internação em um hospital psiquiátrico. Os psiquiatras levantaram a hipótese de que as alucinações apresentadas por Laubenstein teriam sido causadas por hipóxia decorrente da anestesia.

Em 1990, ela voltou a adoecer, apresentando um quadro combinado de asma, gastroenterite e insuficiência respiratória, ainda assim continuando a trabalhar. Para tratar seus problemas respiratórios, passou a utilizar corticosteroides, cujo uso foi agravado por alergias a seus dois gatos de estimação. Apesar dos efeitos colaterais, não conseguiu suspender o medicamento.

Linda Laubenstein morreu de forma inesperada aos 45 anos, em 15 de agosto de 1992, enquanto estava na casa de sua família em Chatham, no estado de Massachusetts. Foi realizada uma autópsia, que determinou como causa da morte um ataque cardíaco. Ela deixou os pais e um irmão, Peter.

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