Caparazão ou caparação (do espanhol caparazón) é um tipo de xairel pendente na sela dos cavalos, bem como uma armadura por eles utilizada. Compreende o caparazão propriamente dito, o cervical, que cobre o pescoço do cavalo, a testeira e o chanfro (parte frontal da cabeça do cavalo). Na Antiguidade greco-latina, o caparazão era uma simples pele de animal lançada sobre o cavalo epiblema ( epíblēma) ou efípio (), cujas patas se cruzavam sobre o peito do animal.
Tauromaquia
thumb|esquerda|Picador montado num cavalo caparaçado
Na tauromaquia, o caparazão recebe o nome de peto quando é empregado para proteger o cavalo do picador. Ele já existia na França desde o fim do sob a forma de um avental de couro espesso guarnecido de ferro do lado direito. Essa guarnição é geralmente composta por uma série de lâminas de metal costuradas lado a lado entre duas espessuras do couro do avental. Este envolve completamente o corpo do cavalo, passa inclusive entre as pernas, diante do peito, e só é perfurado por dois pequenos orifícios redondos dispostos no lugar onde deve ser aplicado o golpe de espora.
Esse caparazão não era satisfatório. Assim, nos anos de 1924–1925, dois nemenses, Jacques Heyral, que era fornecedor de cavalos, e seu amigo Sudre, que fabricava ombreiras, tiveram a ideia de acolchoar o simples plastrão existente, interpondo enchimento de ombreiras entre as duas folhas e acrescentando algodão. Fizeram o teste golpeando violentamente o cavalo coberto com seu caparazão, com uma lança. O animal não ficou ferido; o ensaio foi conclusivo. Para convencer os picadores a utilizarem esse modelo, os dois franceses enviaram um exemplar ao , que era presidente dos criadores espanhóis. Outros testes ocorreram em Nimes em 25 de abril de 1926 nas arenas, contra seis touros de Estebán Hernández. O caparazão mostrou-se satisfatório para o cavalo, mas os picadores espanhóis exigiram uma modificação da lança para que fosse mais forte contra esse peto francês que, segundo eles, favorecia o touro.
O general Primo de Rivera, então ministro do rei , interveio em uma carta publicada na imprensa, na qual declarava, entre outras coisas, que era preciso estudar a maneira de diminuir o número de cavalos sacrificados sem diminuir o atrativo da corrida. O ensaio dos caparazões foi realizado durante uma novilhada em 6 de março de 1927 na antiga praça de Madri. Dez modelos estavam em competição. O modelo escolhido foi o de Estebán Arteaga. Esse caparazão tinha tamanho e peso comparáveis aos dos «blindados» e formava um muro contra o qual o touro bravo se extenuava. O caparazão tornado obrigatório na Espanha por decreto de 7 de março de 1928 tinha por objetivo pôr fim às eviscerações de cavalos sacrificados por picadores incompetentes que já não possuíam a ciência nem a força de seus predecessores para preservar o seu cavalo.
Bibliografia
Categoria:Armas medievais Categoria:Tauromaquia