A triptase é uma serinoprotease neutral, constituindo a proteína enzimática mais abundante armazenada nos grânulos secretores dos mastócitos humanos, onde se encontra ligada à heparina e a proteoglicanos de sulfato de condroitina. Diferente de outras proteases, a triptase é libertada quase exclusivamente por estas células durante o processo de desgranulação, servindo como o marcador biológico mais fiável e específico para a ativação mastocitária na prática clínica contemporânea. Estruturalmente, a forma enzimaticamente ativa é um homotetrâmero que apresenta uma resistência invulgar aos inibidores de protease endógenos presentes no plasma, o que lhe permite exercer a sua atividade catalítica no microambiente extracelular por períodos prolongados após a sua libertação. A sua biogénese envolve a síntese de protriptases (formas precursoras), que são continuamente secretadas para a circulação em níveis basais, enquanto a triptase madura e funcional é armazenada para libertação rápida em resposta a estímulos imunológicos, como a hipersensibilidade mediada por IgE, ou estímulos não imunológicos.https://www.spaic.pt/client_files/rpia_artigos/algoritmo-de-diagnostico-diferencial-de-anafilaxia.pdfhttps://corporate.thermofisher.com/content/dam/phadia/library/pt/58625-FIN-Tryptase%20Infographic-Portugese-digital.pdf

No âmbito da fisiopatologia e da utilidade diagnóstica, a medição dos níveis séricos de triptase é fundamental na investigação de reações anafiláticas sistémicas, uma vez que os seus níveis elevam-se significativamente nos minutos após o evento, atingindo um pico entre uma a duas horas após o início dos sintomas. Além do seu papel em emergências alérgicas, a monitorização da triptase basal é um critério major para o diagnóstico da mastocitose sistémica, uma doença neoplásica caracterizada pela proliferação anormal de mastócitos em diversos órgãos. Níveis persistentemente elevados de triptase, mesmo na ausência de sintomas agudos, sugerem uma carga mastocitária aumentada ou distúrbios clonais da linhagem mieloide, embora existam variações genéticas, como a alfatriptasemia hereditária, que podem causar elevações moderadas sem patologia associada. A enzima atua ainda na modulação da inflamação e na remodelação tecidular, interagindo com recetores ativados por proteases (PAR-2) em células endoteliais e fibroblastos, contribuindo para a patogénese de condições crónicas como a asma brônquica e a artrite reumatoide.

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