Irina Nikolaevna Levchenko (em russo: Ири́на Никола́евна Ле́вченко; Kadijivka, 15 de março de 1924 – Moscou, 8 de janeiro de 1973) foi uma médica de combate que se tornou oficial de tanques no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial.
Recebeu o título de Heroína da União Soviética em 1965 e foi a primeira mulher soviética a receber a Medalha Florence Nightingale. Nos anos do pós-guerra, ela se dedicou à literatura, escrevendo inúmeros ensaios e contos sobre a guerra e heróis civis. Era membro da União dos Escritores da URSS.
Biografia Levchenko nasceu em Kadiivka, em 1924, em uma família russa. Criada em Artyomovsk, ela concluiu o ensino fundamental em Moscou, em 1941. Anteriormente, seu pai, Nikolai Levchenko, eletricista de profissão, havia sido vice-comissário do povo para as ferrovias do país, mas foi preso durante o Grande Expurgo, em 30 de novembro de 1937, e executado em abril de 1938. O avô de Irina, Sergei Petrovich Saraev, foi morto pela polícia czarista durante uma batida noturna. Sua avó, Maria Sergeevna Saraeva-Zubkova, participou da Guerra Civil Russa, recebeu duas Ordens da Bandeira Vermelha e foi comissária de brigada da Divisão de Cavalaria Chongar do Primeiro Exército de Cavalaria.
Segunda Guerra Mundial Após a invasão alemã da União Soviética, Levchenko dirigiu-se a uma unidade local da Cruz Vermelha e se voluntariou para contribuir com o esforço de guerra. Inicialmente designada para trabalhar longe da linha de frente, decidiu alistar-se no exército em julho de 1941 para poder ajudar os soldados feridos na frente de batalha. Designada inicialmente para o 222º Batalhão Médico, logo foi transferida para o 744º Regimento de Infantaria, onde atuou como enfermeira e lutou na batalha de Smolensk, em 1941.
Após ser ferida em 15 de outubro, sofreu um choque pós-traumático e permaneceu hospitalizada até dezembro. Posteriormente, serviu brevemente no 176º Batalhão de Tanques Separado antes de se transferir para o 1º Batalhão da 39ª Brigada de Tanques em janeiro de 1942; lá, aprendeu a carregar o canhão de um tanque T-60, além de suas funções médicas, pois havia desenvolvido interesse por tanques. De então até março, serviu na Crimeia, auxiliando dezenas de soldados feridos durante a batalha de Kerch, além de capturar um soldado inimigo e levá-lo para sua unidade. Em 26 de março, ela foi gravemente ferida em combate, permanecendo hospitalizada em Krasnodar até maio. Como enfermeira durante a guerra, ela resgatou e auxiliou 168 soldados.
Embora a comissão médica quisesse desmobilizá-la após sua recuperação, ela insistiu em permanecer nas forças blindadas e em frequentar a escola de tanques. Após muita burocracia, conseguiu uma reunião com o general Yakov Fedorenko, que inicialmente se recusou a apoiá-la, mas acabou concordando em permitir que ela frequentasse a escola de tanques, desde que apresentasse um atestado médico comprovando sua aptidão. Apesar dos ferimentos de batalha que a haviam classificado como inválida de segunda classe e quase levado à amputação de seu braço direito, Levchenko persuadiu um oficial médico a emitir o atestado e, em julho de 1942, matriculou-se na Escola de Tanques de Stalingrado, que havia sido transferida para Kurgan, nos Montes Urais, devido à batalha em curso por Stalingrado na época. Lá, ela treinava doze horas por dia, ignorando a dor no braço direito ao trocar de marcha. Após se formar na escola em março de 1943, tornou-se chefe adjunta do Estado-Maior do 449º Batalhão de Tanques, onde ajudou a preparar novos tanques para serem enviados à linha de frente.
Em setembro, ela serviu brevemente como oficial de ligação no 33º Exército, mas foi ferida naquele mês durante a batalha por Smolensk, acordando em um hospital de Moscou e descobrindo que o Exército Vermelho havia retomado a cidade. De outubro daquele ano até abril de 1944, serviu como ajudante na diretoria de treinamento de combate para forças blindadas, após o que se tornou oficial de ligação no quartel-general da 3ª Brigada de Tanques. Lá, participou de combates na Moldávia e foi ferida em batalha em 12 de maio de 1944. Após se recuperar em um hospital de Odessa em julho, retornou à linha de frente como oficial de ligação na 41ª Brigada de Tanques da Guarda. Lá, ela participou das ofensivas por importantes cidades da Moldávia, Bulgária e Hungria, até ser ferida pela quinta vez na guerra, em 14 de dezembro de 1944. Devido à gravidade do ferimento, ela foi afastada do serviço militar até se recuperar em fevereiro de 1945, após o que foi redistribuída como oficial de ligação no 8º Corpo Mecanizado para participar das operações na Pomerânia Oriental e em Berlim.
Pós-guerra Permanecendo no exército após o fim da guerra, por sugestão de do comandante Pável Rôtmistrov, Levchenko ingressou na Academia Militar de Forças Blindadas e Mecanizadas, onde se formou em engenharia em 1952. Em seguida, atuou como representante militar em uma fábrica em Mytishchi até outubro de 1953 e, após se formar em história pela Academia Militar Frunze em 1955, tornou-se pesquisadora da revista Voennaya mysl (Pensamento Militar).
Tendo se aposentado do serviço ativo com a patente de tenente-coronel em 1958, continuou sua carreira de escritora como membro da União de Escritores da URSS. Em 1959, casou-se com o poeta Yevgeny Dolmatovsky e, no ano seguinte, deu à luz sua filha Olga. Em fevereiro de 1966, ela foi para o Vietnã do Norte, onde se encontrou com líderes, incluindo Ho Chi Minh, e com as forças na linha de frente que lutavam contra os ataques americanos, o que mais tarde a inspirou a escrever seu livro de 1967, Дочери Вьетнама (em português: Filhas do Vietnã).
Levchenko viveu em Moscou, onde faleceu em 18 de janeiro de 1973, aos 48 anos, e foi sepultada no cemitério Novodevichy.
Bibliografia
Categoria:Mulheres na guerra Categoria:Ordem da Estrela Vermelha Categoria:Ordem de Lenin Categoria:Soviéticos da Segunda Guerra Mundial