Sophia Galanternick Sturm (Pelotas, julho de 1914 – Porto Alegre, 12 de novembro de 2003) foi uma advogada e promotora pública brasileira. Foi a primeira mulher a exercer o cargo de promotora de Justiça no Rio Grande do Sul.
Formação e início de carreira Nascida em julho de 1914 em Pelotas, era filha de Miguel Galanternick e Frida Steinbruch Galanternick, ambos judeus asquenazes oriundos da Europa Centro-Oriental que imigraram para a América no final do século XIX. Ingressou na Faculdade de Direito de Pelotas em 1933 e graduou-se em dezembro de 1936, em uma turma formada por 56 homens e quatro mulheres. Durante os estudos, destacou-se por sua atuação no Tribunal do Júri, sendo convidada por um magistrado a realizar defesas em julgamentos criminais. Sua presença na tribuna causou ampla repercussão local, à época considerada um fato incomum.
Atuação no Ministério Público e carreira posterior Em junho de 1938, Galanternick foi nomeada promotora pública no interior do Rio Grande do Sul, atuando inicialmente em comarcas da região norte do estado. Sua nomeação foi amplamente noticiada, tanto pelo caráter pioneiro quanto pela raridade da presença feminina no Ministério Público naquele período. Durante sua atuação, acumulou funções em diferentes comarcas e participou de processos de grande repercussão regional.
O exercício da função ocorreu em um ambiente institucional adverso. Galanternick enfrentou questionamentos administrativos, pressões funcionais e episódios de discriminação relacionados à sua condição de mulher, inclusive no contexto da realização do primeiro concurso formal para ingresso no Ministério Público estadual, em 1941. Durante o concurso de 1941, foi exonerada do cargo sob a justificativa de que o exercício da promotoria por mulher casada seria incompatível com os interesses da administração pública. Apesar disso, concluiu as etapas do certame e obteve aprovação. Após intervenção direta junto ao governo estadual, teve sua nomeação restabelecida, retornando temporariamente às funções.
Após ser removida para outra comarca distante de seu núcleo familiar, Galanternick optou pelo afastamento do cargo por meio de avulsão, instituto administrativo então vigente. Em 1957, solicitou o retorno ao cargo, pedido que foi negado pelo órgão superior da instituição, sob argumentos que refletiam preconceitos de gênero predominantes na época.
Após o afastamento definitivo do Ministério Público, Galanternick seguiu exercendo a advocacia por várias décadas, mantendo atividade profissional até o final da década de 1990, quando se afastou por motivos de saúde. Faleceu na capital gaúcha em novembro de 2003.
Em 2024, ano em que se completam 110 anos de seu nascimento, a Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS) promoveu a segunda edição da Medalha Sophia Galanternick, homenagem concedida a mulheres com atuação de destaque na vida pública.
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