miniatura|direita|upright=1.5|"Essas atrocidades: culpa sua!" – um cartaz mostrando os campos de concentração à população alemã. O texto acusa os alemães como um todo de não terem feito nada enquanto as atrocidades eram cometidas. A culpa coletiva alemã (em alemão: Kollektivschuld) refere-se à noção controversa de uma responsabilidade coletiva e compartilhada atribuída ao povo alemão como um todo pela perpetração do Holocausto e outras atrocidades cometidas pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Defensores O psicanalista suíço Carl Jung escreveu um influente ensaio em 1945 sobre esse conceito como um fenômeno psicológico, no qual afirmou que o povo alemão sentia uma culpa coletiva (Kollektivschuld) pelas atrocidades cometidas por seus compatriotas, introduzindo assim o termo no discurso intelectual alemão. Jung afirmou que a culpa coletiva era "um fato para os psicólogos, e uma das tarefas mais importantes da terapia será levar os alemães a reconhecer essa culpa".

Após a guerra, as forças de ocupação aliadas na Alemanha, promoveram a vergonha e a culpa com uma campanha publicitária, que incluía cartazes retratando campos de concentração nazistas com slogans como "Essas atrocidades: a culpa é sua!" (Diese Schandtaten: Eure Schuld!).

O teólogo Martin Niemöller e outros membros do clero reconheceram a culpa compartilhada na "Declaração de Culpa de Stuttgart" (Stuttgarter Schuldbekenntnis) de 1945. O filósofo e psicólogo Karl Jaspers ministrou palestras para estudantes em 1946, que foram publicadas sob o título "A Questão da Culpa Alemã". Nesta obra, Jaspers descreve como "o reconhecimento da culpa nacional foi uma condição necessária para o renascimento moral e político da Alemanha". Além disso, Jaspers acreditava que ninguém poderia escapar dessa culpa coletiva e que assumir a responsabilidade por ela poderia permitir que o povo alemão transformasse sua sociedade, levando-a de um estado de colapso para uma democracia mais desenvolvida e moralmente responsável. Ele acreditava que aqueles que cometiam crimes de guerra eram moralmente culpados, e aqueles que os toleravam sem resistência eram politicamente culpados, o que levava à culpa coletiva de todos.

A culpa coletiva alemã pelos eventos do Holocausto é uma ideia há muito debatida por políticos e pensadores alemães renomados. Além dos já mencionados, o escritor e filósofo alemão Bernhard Schlink descreve como, por vezes, sente que ser alemão é um fardo enorme, devido ao passado do país. Segundo Schlink, "a razão pela qual a crise europeia é tão angustiante para a Alemanha é que o país conseguiu se distanciar de si mesmo ao se lançar de cabeça no projeto europeu". Schlink também acredita que "o peso da nacionalidade moldou muito a forma como os alemães se veem e veem suas responsabilidades na Europa", e descreve como os alemães se enxergam como atlantistas ou europeus, em vez de simplesmente como alemães. Schlink observa que essa culpa existente se torna mais fraca de geração para geração. Thomas Mann também defendeu a culpa coletiva:

Opositores Björn Höcke, líder da filial da Turíngia do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha, chamou o memorial do Holocausto em Berlim de "monumento da vergonha", e pediu uma "mudança radical na política de memória". Os comentários de Höcke foram unanimemente condenados pela mídia e por políticos de todo o espectro político. A Fundação Memorial de Buchenwald acusou Höcke de difamar a memória pública dos judeus assassinados na Europa; Charlotte Knobloch o acusou de "agitação völkisch intolerável", afirmando que o AfD está envenenando a cultura política da Alemanha com "teorias e discursos extremistas de direita, racistas e antissemitas". Em resposta aos seus comentários, o "Centro para a Beleza Política" (Zentrum für Politische Schönheit), um grupo ativista, ergueu uma réplica do memorial do Holocausto de Berlim em frente à casa de Höcke.

Em janeiro de 2025, num evento de campanha organizado pelo partido político Alternativa para a Alemanha (AfD), Elon Musk afirmou que "Há um foco excessivo na culpa do passado e precisamos superar isso". Os comentários de Musk foram amplamente condenados.

Ver também

Crime de guerra Desnazificação Experiência de Milgram Germanofobia Mito da Wehrmacht inocente Represália Resistência Alemã Stunde Null Vergangenheitsbewältigung

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