Adriano Viegas da Cunha Lucas (São Bartolomeu, Coimbra, 16 de junho de 1883 – Coimbra, 17 de dezembro de 1950) foi um jornalista e político português, mais conhecido por ser o fundador do Diário de Coimbra.O Diário de Coimbra faz 95 anos. (2025, Maio 24). Diário De Coimbra: O Seu Jornal De Notícias De Coimbra. Consultado a novembro 17, 2025, de <https://www.diariocoimbra.pt/2025/05/24/o-diario-de-coimbra-faz-95-anos/>

Vida Pessoal Adriano Lucas nasceu a 16 de junho de 1883, na Rua dos Sapateiros (atual Rua Eduardo Coelho), freguesia de São Bartolomeu, em Coimbra. Filho do comerciante e proprietário Francisco Rodrigues da Cunha Lucas, natural de Arganil (lugar de Mucelão, freguesia de São Martinho da Cortiça) e de sua esposa, Maria Teresa Abranches Fazenda Viegas da Cunha Lucas, natural de Seia.

Adriano acabou por crescer numa família numerosa, tendo mais três irmãos, sendo eles, António Lucas Fazenda Viegas, Agostinho Viegas da Cunha Lucas e Laura Adelaide Viegas de Abranches Lucas de Andrade. A 21 de outubro de 1883, é batizado na Igreja Paroquial de São Bartolomeu, em Coimbra.

Mais tarde, casou, pela primeira vez, com Georgette Pinto Borges Viegas da Cunha Lucas (1898–1990), com quem veio a ter dois filhos: Branca Maria da Cunha Lucas (1923–2000) e Adriano Mário da Cunha Lucas. No entanto, divorciou-se da mãe dos seus filhos.

A 18 de novembro de 1936, em Coimbra, casou pela segunda vez com Maria Emília (São Gião, Oliveira do Hospital c. 1915).

Veio a falecer a 17 de dezembro de 1950, aos 67 anos, em Coimbra.

Carreira Ao longo da sua vida atuou em diversos campos, desde criar o jornal mais antigo de Portugal até participar em sociedades económicas como a Sociedade Industrial Taveirense.

Em acréscimo, inaugurou o Café Santa Cruz, um Café-Restaurante com uma projeção nacional de referência, procurando “respeitar o traçado original”, que se havia perdido com o uso, na sua cidade natal.

Além disso, fundou a Sociedade de Mercearias que, mais tarde, passou a designar-se Farinhas Limitada Fábricas Triunfo (1923), bem como a Auto-Industrial (1920). Estas duas fábricas tornaram-se, ao longo do século XX, as empresas com maior volume de negócios e as que mais emprego geravam em Coimbra. José Augusto Leite, Fábricas Triunfo, Restos de Coleção (2011). Consultado a 13 de novembro de 2025. https://restosdecoleccao.blogspot.com/2011/02/fabricas-triunfo.html

Entre 1920 e 1930, Adriano dedicou-se à criação de várias empresas em Coimbra e na região. Fábricas Triunfo As Fábricas Triunfo, fundadas por Adriano Viegas da Cunha Lucas e Mário Pais, a 1 de fevereiro de 1913, foram uma das maiores empresas de Coimbra em volume de negócios e uma das maiores empregadoras. Antes da revolução do 25 de Abril, as Fábricas Triunfo foram um dos principais pontos geradores de emprego na cidade.

A fábrica era composta por três unidades distintas que se dedicavam à produção de bolachas, massas, rebuçados, drops, ração animal e arroz. Esta tinha delegações no Porto, Abrantes e Faro.

A 8 de dezembro de 1938, uma das unidades sofreu um dos maiores incêndios ocorridos naquela zona, alastrando-se por todas as Fábricas Triunfo, à exceção da fábrica de moagem que se encontrava nas traseiras do edifício. O incêndio provocou grandes prejuízos: “o segundo cofre dos escritórios das fábricas, que continham importantes documentos e 60 contos em notas do Banco de Portugal. Tanto o dinheiro como os documentos ficou tudo inutilizado.”Incêndio de Coimbra, Diário de Lisboa (1938). 05764.028.07118 (5767). P.2. Consultado em 13 de novembro de 2025. http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=05764.028.07118#!2 Na década de 50, a fábrica foi transferida para a Zona Industrial, sendo as antigas instalações demolidas em 2004. Rafael Matos. Encerramento da Fábrica da Triunfo em Coimbra. Shorthand. Consultado em 13 de novembro de 2025. https://jornalismofluc.shorthandstories.com/media-project-proposal-fashion/index.html

Após 70 anos em função, a Fábrica de bolachas Triunfo, a última em funcionamento até então, fecha as portas em 2001, levando várias pessoas ao desemprego. Em 2025, as bolachas Triunfo ainda perduram na memória dos mais velhos, sendo um grande sucesso nos anos 70.

Auto Industrial, Lda. Adriano Viegas da Cunha Lucas, juntamente com o Dr. Abel Pereira Andrade, Augusto Luiz Martha, José Correia Amado e o Dr. Mário Raul Leite Santos, fundaram, a 20 de dezembro de 1920, a Auto Industrial, em Coimbra, que, em conjunto com as Fábricas Triunfo, se tornou um grande sucesso.José Augusto Leite. Auto Industrial. Restos de Coleção (2013). Consultado em 13 de novembro de 2025. https://restosdecoleccao.blogspot.com/2013/02/auto-industrial.html

Nessa década, era uma sociedade por quotas com um capital social de 250 mil escudos, sendo pioneira no setor industrial em Portugal. Continua a ser reconhecido, até novembro de 2025, como “um importante grupo empresarial que está presente em diversas áreas de atividade”Grupo Auto-Industrial: Pioneiro no Sector Automóvel. Grupo Auto Industrial. Consultado a 13 de novembro de 2025. https://www.grupoautoindustrial.pt/sobre/quem-somos/, representado várias marcas de automóveis, como Alfa Romeu, BMW e Mercedes.

Vida no ramo do jornalismo Uma das mais marcantes contribuições de Adriano Viegas da Cunha Lucas foi a criação do Diário de Coimbra, a 24 de maio de 1930, sendo este o jornal diário mais antigo de Portugal e um dos mais antigos da Europa.

Assim como o seu fundador, o diário tem raízes da Revolução Francesa, valorizando o Liberalismo e as suas vertentes, sendo, naturalmente, contra qualquer regime ou ideal autoritário, nomeadamente o fascista.

Além disso, foi símbolo da luta a favor da descentralização do poder nacional e da defesa da criação da Região das Beiras, uma vez que Adriano Lucas tinha como lema, durante a criação do jornal e a sua direção, “caminhar em frente, sempre num ritmo acelerado, em defesa dos interesses da cidade e das Beiras”Diário de Coimbra, Adriano Lucas - O decano da imprensa portuguesa (Documento no Issuu), Issuu, Consultado a 17 de Novembro https://issuu.com/diariodecoimbra/docs/alucas-60_anos.

Ainda, o Diário de Coimbra integra outros diários, nomeadamente, o Diário de Aveiro, Diário de Leiria e Diário de Viseu, tornando-se, assim, o principal grupo de imprensa da região das Beiras.Estatuto Editorial, Universidade de Coimbra, Consultado em 17 de novembro, https://www.uc.pt/fluc/dfci/pdfs/estatuto_editorial

O jornal e o seu fundador, embora tenham continuado assentes no modelo clássico, baseado, sobretudo, na impressão em papel, foram acompanhando as evoluções tecnológicas ao longo dos tempos. Além disso, o jornal foi crescendo e passou a marcar presença em várias plataformas online. Assim, mesmo após a morte do fundador, o jornal expandiu-se para as redes sociais.

O jornalista controlou todas as atividades no grupo jornalístico durante 20 anos, desde a sua fundação, a 24 de maio de 1930. No entanto com a sua morte, em 1950, o filho mais novo assumiu a liderança do jornal, gerindo todos os trabalhos do mesmo até à sua morte em 2011. Contudo, o jornal continua na mão da família à data de 2025, mais especificamente ao encargo do neto Adriano Callé Lucas.

O trabalho de Adriano Mário Lucas, depois de assumir a direção do jornal fundado pelo pai, foi posteriormente reconhecido pela Câmara Municipal de Coimbra, que criou, em parceria com a Universidade de Coimbra, o Prémio de Jornalismo Adriano Lucas, a 4 de abril de 2011. O prémio em questão tem como objetivo incentivar e promover os trabalhos na área do jornalismo, com maior destaque no género reportagem.RTP, Autarquia de Coimbra cria Prémio de Jornalismo de Investigação “Adriano Lucas”, RTP Notícias, (2011, 7 de outubro). Consultado a 17 de Novembro, https://www.rtp.pt/noticias/pais/autarquia-de-coimbra-cria-premio-de-jornalismo-de-investigacao-adriano-lucas_n486299

Em 1997, em homenagem a Adriano Lucas, a Câmara Municipal de Coimbra deu o nome à rua onde se localizava o edifício do Diário de Coimbra: Rua Adriano Lucas.ACTA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA. Local: Sala das Sessões dos Paços do Município PERÍODO DE ANTES DA ORDEM DO DIA INTERVENÇÃO DOS MEMBROS DO EXECUTIVO. Intervenção do Senhor Presidente Intervenção dos Senhores Vereadores ORDEM DO DIA. (n.d.). consultado a 17 de novembro de 2025. p.11 intervenção do vereador António Vilhena. <https://www.cm-coimbra.pt/wp-content/uploads/2011/09/Acta0404.pdf>

Obstáculos na atuação jornalística O Diário de Coimbra tinha como princípio a defesa dos valores de liberdade e de democracia, porém, no período do Estado Novo, a resistência do jornal de Adriano Lucas viu-se desafiada.

No aniversário de 90 anos do jornal, a direção afirmou que o mesmo foi alvo de diversas armadilhas por parte da PIDE e da censura. Apesar das adversidades, manteve-se firme, permanecendo dedicado a Coimbra e à Região das Beiras.Paulo Novais. "Diário de Coimbra assinala 90 anos e apela a leitores e anunciantes para ajudarem na sobrevivência". Observador. Consultado a 17/11/2025.

https://observador.pt/2020/05/24/diario-de-coimbra-assinala-90-anos-e-apela-a-leitores-e-anunciantes-para-ajudarem-na-sobrevivencia

Um dos artigos publicados no jornal, intitulado de “Max e o Trapézio Voador”, encadeou o maior confronto entre as duas entidadesCarlos Ferrão. "Diário de Coimbra". Blog "As Tias Camelas". Data de consulta 17/11/2025.

https://astiascamelas.blogspot.com/2022/05/diario-de-coimbra.html. A história falava sobre a morte de um artista circense devido a más condições de trabalho, porém o seu chefe não compareceu ao funeral. O regime considerou o artigo como uma ofensa, afirmando que Max representava o reitor Maximino Correia e o mestre do circo Salazar.

Após a publicação, o governo salazarista impôs uma suspensão de 20 dias e ordenou a substituição do diretor, levando à suspensão das atividades do diário por um período de um ano, desde 7 de julho de 1945 a 11 de julho de 1946. Esta foi considerada a mais rigorosa punição imposta a um diário português e ao seu diretor.

Campanhas jornalísticas Adriano Lucas tinha como objetivo no Diário de Coimbra “a defesa do cidadão e das minorias.”Diário de Coimbra. "Diário de Coimbra Memórias 90 anos". Issuu.

Data de consulta 17/11/2025.

https://issuu.com/diariodecoimbra/docs/di_rio_de_coimbra_-_mem_rias_90_anos

Este ideal era visível através de diversas campanhas públicas que saíam em defesa da população. Em 1932, após um naufrágio na Figueira da Foz, o diário reuniu um grupo de estudantes para angariar doações para os pescadores, conseguindo oito contos. Em 1974, foram recolhidas 15 mil assinaturas para ajudar os desfavorecidos, pondo fim aos perigosos trilhos do comboio de Coimbra."Diário de Coimbra assinala 90 anos de existência. Parabéns!". Notícias de Coimbra. Data de consulta 17/11/2025.

https://www.noticiasdecoimbra.pt/diario-de-coimbra-assinala-90-anos-de-existencia-parabens/#goog_rewarded Vida Política e Económica em Coimbra

Político na cidade de Coimbra Adriano Lucas, antes de fundar o Diário de Coimbra, dedicou-se a uma vida política ativa. Foi vereador antes e depois da Primeira República (1926).Armando Malheiro da Silva, Sidónio e Sidonismo: vol. I história de uma vida, Coimbra University Press (2006). p. 189, 2º parágrafo. 9789728704537, 9789892604718, 9728704534, 9892604717. Consultado em 17 de novembro de 2025.

A sua assinatura é encontrada em diversas partes das Atas da Câmara de Coimbra, das diversas sessões extraordinárias, onde resolvia problemas e fazia propostas para a autarquia em conjunto com outros políticos.Arquivo Digital da Câmara Municipal de Coimbra _ “Atas da Câmara, 1923-1924”