O Cordão da Bicharada é uma tradicional manifestação cultural e bloco carnavalesco da Vila de Juaba, município de Cametá, no interior do Pará, fundado por Zenóbio Gonçalves Ferreira no ano de 1975.
História Na década de 1970, no contexto da Ditadura militar brasileira, ante o desmatamento da floresta amazônica, a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu a ameaça à fauna local, Zenóbio Gonçalves Ferreira, percebeu a necessidade de criar fantasias e organizar um bloco de carnaval, com canções carnavalescas próprias e encenações teatrais que homenageiam os animas, incluindo diversas espécies de mamíferos, aves e répteis. O projeto foi criado na Vila de Juaba, na cidade de Cametá, no interior do estado do Pará e o bloco teve seu primeiro carnaval no ano de 1975.
A manifestação cultural busca por meio da festividade exaltar a ecologia, o meio ambiente e valorizar a fauna, a flora e a cultura brasileira. Para a confecção das fantasias dos animais é utilizada malva, para fazer o pelo das fantasias dos animais, e casca de pau, para o tingimento, além de outros materiais como serrapilheira e lona crua, que anteriormente era utilizado para embalar café. Atualmente, outros materiais como EVA, garrafas PET e pelúcia, também são utilizados. Em entrevista para a TV Liberal, Zenóbio afirmou que o objetivo central do grupo é "alertar para a preservação da natureza."
Durante dezoito anos, apenas adultos participavam fantasiados do bloco, porém, no ano de 1993, o Cordão da Bicharada passou a fantasiar também as crianças para pularem carnaval. Para comemorar os dez anos de participação de crianças, em 2003, o grupo lotou o principal ginásio poliesportivo de Cametá com elenco que reunia mais de sessenta animais feitos de pelúcia que, além da máscara imitavam detalhes das patas, jubas e caudas dos bichos da floresta.
No ano de 2025, o grupo foi tema de um minidocumentário intitulado Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada, dirigido por Cao Guimarães que integrou a exposição 'Brasil de susto e sonho: um panorama da obra de Rivane Neuenschwander', que foi exibida no Itaú Cultural, na cidade de São Paulo.
Após mais de cinquenta anos de atuação artística e cultural, o grupo foi convidado para participar da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP-30) realizada em Belém, capital do estado do Pará, em uma apresentação que contou com a presença do Ministro do Turismo Celso Sabino (UNIÃO). De acordo com a jornalista Fabiana Moraes, do The Intercept Brasil, criticou a maneira que o portal de jornalista digital Metrópoles, ao realizar a divulgação da participação do grupo, onde afirmou "o texto intelectualmente tacanho é uma pequena joia de desinformação e arrogância. Ao descrever os integrantes do Cordão como “atores vestidos de animais rastejando”, o portal não apenas errou factual e culturalmente (não são atores, tampouco “rastejam”) [...] um jornalismo autocentrado, incapaz de olhar para fora do próprio umbigo e que transforma tudo o que não entende em exotismo, estranheza ou, nesse caso específico, constrangimento." A participação do grupo viralizou nas redes sociais, sendo alvo de criticas por setores da direita brasileira, incluindo Kim Kataguiri (UNIÃO) e Nikolas Ferreira (PL).
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