O perclorato de magnésio é um composto inorgânico de fórmula química Mg(ClO_4)_2. Trata-se de um sólido branco, altamente higroscópico e um forte agente oxidante. É comercializado principalmente como agente dessecante sob o nome comercial anidrona (em inglês, Anhydrone), sendo tradicionalmente empregado na secagem de gases em análises laboratoriais.

O composto existe tanto na forma anidra quanto em diversos hidratos, sendo o hexahidratado, Mg(ClO_4)2.6H_2O, o mais comum em condições ambiente.

Propriedades O composto apresenta solubilidade muito elevada em água e possui ponto eutético bastante baixo, permitindo que soluções concentradas permaneçam líquidas até cerca de –64 °C. Sua decomposição ocorre na temperatura de 250 ⁰C.

O ânion perclorato (ClO_4^{-}) possui geometria tetraédrica e tamanho semelhante ao íon sulfato (SO_4^{2-}), motivo pelo qual os percloratos de metais alcalino-terrosos geralmente exibem estruturas cristalinas semelhantes às dos sulfatos. Apesar dessa semelhança estrutural, os percloratos são quimicamente distintos e caracterizam-se pelo forte poder oxidante.

Devido a esse caráter oxidante, o perclorato de magnésio não deve entrar em contato com materiais orgânicos secos, pois choques mecânicos, atrito ou aquecimento podem ocasionar combustão ou explosão.

Preparação Os percloratos hidratados dos metais alcalino-terrosos podem ser obtidos a partir dos óxidos, carbonatos, cloretos ou nitratos correspondentes. Esses materiais são dissolvidos em quantidade ligeiramente superior ao necessário de ácido perclórico a 70%. No caso dos óxidos, emprega-se um pequeno excesso do sólido, que posteriormente é filtrado. A solução é então concentrada por evaporação até que ocorram a cristalização do perclorato hidratado; os cristais formados são separados por centrifugação e secos em dessecador. Para o magnésio, isso leva tipicamente à formação do hexahidrato Mg(ClO_4)2.6H_2O.

A forma anidra pode ser preparada por aquecimento do perclorato hidratado em estufa a vácuo, a cerca de 250 °C, sob pressões entre 1 e 10 mmHg, o que remove a água de cristalização sem causar decomposição apreciável.

Outra rota clássica para o perclorato anidro consiste na reação em estado sólido entre um carbonato alcalino-terroso e perclorato de amônio. Os reagentes são previamente moídos em moinho de bolas e aquecidos por volta de 250 °C, também sob vácuo. A transformação ocorre segundo:

MCO_3(s) + 2NH_4ClO_4(s) -> M(ClO_4)_2(s) +H_2O(g) +CO_2(g) +2NH_3(g)

Esse processo gera o perclorato metálico anidro com liberação simultânea de dióxido de carbono, água e amônia.

Quando se deseja produzir o sal a partir de hidróxido, o perclorato de magnésio pode ser obtido por neutralização direta do ácido perclórico pelo hidróxido de magnésio:

Mg(OH)_2(s) + 2HClO_4(aq)->Mg(ClO_4)_2(aq) + 2H2O(l)

Aplicações A principal aplicação do perclorato de magnésio é como agente dessecante, especialmente na secagem de amostras gasosas. Apesar de sua elevada eficiência, seu uso como dessecante geral em laboratório não é recomendado atualmente, devido aos riscos inerentes aos percloratos, que podem reagir violentamente com compostos orgânicos e materiais combustíveis.

Percloratos — incluindo o de magnésio — foram identificados em solos de Marte por missões espaciais. A presença desses sais é relevante para estudos sobre a química do planeta, pois soluções salinas contendo percloratos apresentam forte depressão do ponto de congelamento. Isso possibilita a existência de filmes de água líquida ou salmouras em condições ambientais marcianas que, de outra forma, seriam muito frias para permitir água no estado líquido.

Ver também

Perclorato Magnésio Oxirredução

Referências