O escape antigénico, também chamado escape imunitário, evasão imune, imunoevasão ou mutação de escape, é um processo que ocorre quando o sistema imunitário de um organismo hospedeiro, como o ser humano, não consegue responder a um agente infecioso, porque o sistema imunitário do hospedeiro já não consegue reconhecer e eliminar um patógeno, como um vírus. Este processo pode ocorrer de diferentes maneiras, tanto de natureza genética como ambiental. Entre esses mecanismos estão a recombinação homóloga e a manipulação e resistência de/às respostas imunitárias do hospedeiro.

Os antígenos podem escapar da resposta imunitária por meio de diversos mecanismos. Por exemplo, o parasita tripanossoma africano pode eliminar os anticorpos do hospedeiro, bem como resistir à lise e inibir partes da resposta imunitária inata. A bactéria Bordetella pertussis pode escapar à ação do sistema imunitário ao inibir que os neutrófilos e macrófagos invadam o local de infeção em fases precoces. Uma causa de escape antigénico é que os epítopos do patógeno (os locais moleculares aos quais se ligam as células imunitárias) se tornam muito semelhantes aos epítopos naturais do tipo MHC-1 da pessoa, e como resultado o sistema imunitário não é capaz de distinguir o agente infecioso das células próprias.

O escape antigénico não é só crucial para a resposta imunitária natural do hospedeiro, mas também para a resistência contra as vacinas. O problema do escape antigénico dissuadiu em muitos casos a criação de novas vacinas, porque as vacinas geralmente cobrem uma pequena proporção das estirpes de um vírus, e a recombinação do ADN que codifica os antígenos faz com que diversos patógenos possam resistir às novas vacinas desenvolvidas. Alguns antígenos podem mesmo atuar por vias diferentes daquelas que a vacina pretendia neutralizar. Investigações recentes sobre muitas vacinas, incluindo a da malária, focam-se em como antecipar esta diversidade e criar vacinas que possam cobrir um espectro mais amplo de variação antigénica. A 12 de maio de 2021, foi reportada a contínua ameaça que representam as variantes do SARS-CoV-2 (causador da COVID-19) e as suas mutações de escape, como a mutação E484K.

Categoria:Imunologia Categoria:Anticorpos Categoria:Vacinas