Cado de Marague (; ; ) foi um clérigo armênio do , ativo no reinado de .

Nome

Cado (; , Chádos) é a forma latina e grega do armênio Cade (, Xad), que significa "falcão, agudo, penetrante".

Vida

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Cado nasceu na vila de Marague, situada no distrito de Carenitis, na província da Alta Armênia. Era um pupilo do católico Narses I, o Grande e serviu como supervisor das fundações de caridade do católico. Em data incerta, foi ordenado bispo de Bagrauandena e Arsarúnia; Moisés de Corene afirmou que a ordenação ocorreu no tempo que Narses foi exilado. Em 358, Narses realizou uma embaixada a Constantinopla para visitar o imperador . Segundo Fausto, o Bizantino, embora a missão foi bem-sucedida, Narses enfureceu o imperador e foi exilado. Sabe-se que esse exílio duraria até a eventual morte de Constâncio em 361, mas Nina Garsoïan assume que deva ter se estendido até a eventual coroação de Papa como sucessor de . Quando preparava-se para partir do Reino da Armênia, Narses designou Cado como seu vigário em sua ausência.

Fausto afirmou que por essa época, após um começo de reinado pródigo, Ársaces se desviou do caminho da fé e começou a agir de forma imprudente. Uma de suas medidas controversas, diz o cronista, foi a fundação da cidade de Arsacavana, em Airarate, cuja população era composta por ladrões, bandidos, desertores, assassinos e vagabundos que foram convidados para morar ali pelo rei. Diz Fausto que Ársaces tentou convencer Cado a fundar uma igreja na cidade, bem como tentou comprá-lo com presentes como ouro, prata, corcéis dos estábulos reais e mantos de seda. O vigário recusou-se, alegando que seguiria as orientações deixadas por seu mentor, e entregou os presentes aos pobres. Irritado pela conduta de Cado, o rei o expulsou-o do acampamento real. Moisés de Corene, num relato diferente, alegou que Cado, apesar de devotado aos cuidados dos pobres, era exigente com suas vestimentas e cavalos, a ponto de ser ridicularizado e decidir renunciar a esses prazeres e viajar a burro. Moisés acrescenta que, no rescaldo do suposto massacre dos Camsaracânios a mando do rei, Cado intercedeu pelos cocheiros que se recusaram a profanar os corpos de seus senhores e os enterraram, impedindo que fossem assassinados. Enfurecido, Ársaces ordenou que Cado fosse apedrejado, mas ele foi salvo pela intervenção de seus genros Apaúnios, que sacaram as espadas e mataram os executores. Nina Garsoïan propôs que a querela entre eles, alegoricamente apresentada nas fontes, decorreu do apoio do vigário à ortodoxia inflexível de Narses e de seus familiares frente às tendências arianizantes do rei.

Após sair da corte, Cado dedicou seu tempo a percorrer o reino organizar e admoestar, instruir e cuidar dos pobres. A ele são atribuídos muitos milagres, como a cura de enfermos. Alega-se que esvaziava completamente as despensas entregando alimentos aos necessitados, mas na manhã seguinte elas estavam milagrosamente reabastecidas. Em certa ocasião, ladrões roubaram bois que pertencia à sua igreja e foram divinamente punidos com cegueira. Esses indivíduos retornaram à igreja com os bois e Cado orou por eles, cuja visão foi restaurada. Cado seguiu com suas atividades religiosas no reino até o eventual retorno de Narses. Em agosto de 359, o católico enviou-o a Bagarana para participar da celebração do Navassarde (Ano-Novo). Mais adiante, numa última menção, Cado aparece ao lado de Narses na presença do rei Papa, que Fausto afirma que estava possuído por espíritos malignos que tornavam-se invisíveis na presença deles. Ao falecer, foi sucedido por um de seus genros, de nome Assurque.

Bibliografia

Categoria:Armênios do século IV Categoria:Bagrauandena Categoria:Arsarúnia Categoria:Bispos do Reino da Armênia (Antiguidade)