José Rebello da Silva, conhecido artisticamente como José Cavaquinho (Guaratinguetá, 20 de março de 1884 — Rio de Janeiro, 1 de maio de 1951), foi um violonista, cavaquinista, flautista, maestro, compositor e professor brasileiro.
Atuou de forma destacada no ambiente musical carioca da primeira metade do século XX, sendo reconhecido como um dos pioneiros no ensino do violão popular no Brasil e por seu papel como um dos membros fundadores e diretor de harmonia do rancho carnavalesco Ameno Resedá.
Biografia José Rebello da Silva naceu em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, em 20 de março de 1884. Mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde se integrou às rodas de choro e ao ambiente musical urbano da cidade, de onde decorre o apelido "José Cavaquinho", decorrente de sua habilidade inicial com o instrumento homônimo, que posteriormente deu lugar ao violão e à flauta como principais meios de expressão.
Aprendeu a tocar o instrumento que lhe rendeu o apelido na loja e fábrica de instrumentos "Cavaquinho de Ouro", no Rio de Janeiro.
Além de instrumentista, foi professor e autor de métodos práticos para cavaquinho e violão, destacando-se como um dos primeiros músicos brasileiros a sistematizar o ensino do violão popular. Foi um dos principais professores de violão do início do século XX, ao lado de Quincas Laranjeiras e João Pernambuco. Sua atividade docente formou diversos instrumentistas e contribuiu para a difusão do violão em meios populares e acadêmicos.
Também foi funcionário do Ministério da Agricultura.
Atividade musical Sua carreira artística teve início na juventude, atuando em orquestras e se apresentando em cinemas, exercendo a função de flautista. Em 1903, quando tinha 19 anos, já no Rio de Janeiro, José participou da famosa seresta oferecida me homenagem ao aviador e inventor Alberto Santos Dumont ocorrida no dia 7 de setembro, mesmo dia em que o aviador desembarcou na cidade chegado da Europa, após sobrevoar Paris em seu balão número 9.
José Cavaquinho compôs peças instrumentais e marchas carnavalescas, entre elas Miragem, Ypiranga e Guanabara, mencionadas em registros de época. Atuou também como músico de orquestra e flautista em cinemas e espaços culturais do Rio de Janeiro.
Também foi membro fundador (em 1907) e diretor de harmonia do Ameno Resedá, o mais famoso de todos os ranchos carnavalescos da cidade do Rio de Janeiro.
Família José Cavaquinho foi pai de Yvonne Rebello da Silva (nascida em 1915), violonista, compositora e cantora que teve um destaque significativo na primeira metade do século XX, mas que hoje é pouco conhecida no meio violonístico.
Já em 1927, aos onze anos, Yvonne participou do famoso concurso "O que é nosso", promovido pelo jornal Correio da Manhã, ficando em segundo lugar (o vencedor foi Américo Jacomino, o Canhoto), sendo chamada de "A menina do violãozinho", por usar uma versão do instrumento de tamanho menor feito para ela.
Entre 1927 e 1934, José Rebello realizou diversas apresentações ao lado de sua filha Yvonne, alternando entre solos e peças em duo.
Legado José Cavaquinho faleceu no dia 1 de maio de 1951, aos 67 anos. Segundo o pesquisador Luciano Lima, não houve qualquer menção do fato nos jornais e revistas da época.
Embora sua obra tenha sido parcialmente esquecida após sua morte, José Cavaquinho é lembrado por pesquisadores como figura essencial para o desenvolvimento do violão brasileiro e das marchas carnavalescas na primeira metade do século XX.
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