Eurídice Natal e Silva (Goiás, – Goiás, ) foi uma escritora, contista e colunista brasileira e fundadora da Academia de Letras de Goiás. Conhecida por "Dirce", usou também o pseudônimo de Ciná de Talueri.Vasconcellos, Eliane (2009). «Eurídice Natal e Silva». In: Muzart, Zahidé Lupinacci. Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. III. Florianópolis: Editora Mulheres. pp. 365–390 É patrona da cadeira 43 na Academia de Letras, Cultura e Artes do Centro-Oeste e patrona da cadeira 11 na Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás. Foi homenageada como nome de rua no Setor Cora Coralina, em Goianira, Goiás.
Primeiros anos
Eurídice Natal nasceu em 23 de novembro de 1883, na então capital da Província de Goiás, Vila Boa, sendo filha de Ângela de Bulhões Jardim e Joaquim Xavier Guimarães Natal, futuro ministro do Supremo Tribunal Federal e Procurador-Geral da República.
Formação acadêmica Foi por influência do pai que Eurídice desenvolveu o gosto pela leitura e escrita, depois seguindo estudos sob a orientação dos professores Manuel Caiado (português e latim), Augusto Rios (francês), Eckigrous (inglês) e Ferreira (geografia).
Casa com Marcelo Francisco da Silva em 25 de maio de 1905, seu companheiro até o fim da vida. Se mudam em seguida para o Rio de Janeiro, em função das nomeações do pai, como ministro do Supremo Tribunal Federal, e marido, enquanto deputado federal. O casal teve 12 filhos, 34 netos e 37 bisnetos. Eurídice retorna à Goiás em 1914, por motivos de saúde. Sua neta, Moema de Castro e Silva Olival, foi ocupante da cadeira nº 4 da Academia Goiana de Letras.
Carreira e obra
Eurídice começou a escrever com 19 anos, inicialmente sob o pseudônimo de Ciná de Talueri. Foi contribuidora no Jornal de Goiás, e sua obra consistia em contos e memoriais, baseados em temas cotidianos e suas impressões pessoais. Publicou os livros Traços biográficos de Guimarães Natal (1934) e Notas de viagem ao Araguaia (1939), além de ter traduzido o romance Um idílio na savana, de Herick Siewicz, publicado em 1937.
Em 1904, Eurídice reuniu diversos intelectuais para fundar a Academia de Letras de Goiás. A reunião inaugural ocorreu em 9 de agosto de 1904, na casa de seu pai, Joaquim Xavier Guimarães Natal, ocasião em que Eurídice foi aclamada presidente da entidade; a instalação solene deu-se em seguida no Palácio Conde dos Arcos. Junto à Eurídice estavam Joaquim Bonifácio Gomes de Siqueira, Augusto Rios, Godofredo de Bulhões, Marcelo Silva, Luis do Couto e Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Essa primeira Academia de Letras de Goiás teve vida efêmera, desaparecendo no final da década de 1900. Uma das filhas de Eurídice, Eurídice Silva Juliano, foi a responsável por reunir sua obra em Coletânea: antologia da produção literária de Eurídice Natal.
Obras
Traços biográficos de Guimarães Natal. Cidade de Goiás: Popular, 1934. Um idílio na savana (tradução do romance de Herick Siewicz). 1937. Notas de viagem ao Araguaia. Goiânia: Popular, 1939.
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