A Ação Social Brasileira (ASB) ou Partido Nacional Fascista (PNF) foi uma organização e partido político fascista brasileiro fundado pelo futuro diplomata do Estado de Israel, José Fabrino de Oliveira Baião, atuante durante 1933 no Rio de Janeiro.
História e Doutrina
Durante a década de 30 no Brasil, vários grupos de caráter fascista foram surgindo no cenário político brasileiro, esparsos em território nacional, dando "palestras a porta de livrarias" e discutindo entre si. Dentre estes grupos, surgiu, então, a Ação Social Brasileira, fundada pela figura mineira de José Fabrino, que buscava ser uma união dos fascistas que se encontravam espalhados no Brasil e de partidários dos fascismos fracassados da década de 20 no Brasil. O partido, tendo certa relevância no periódico A Batalha, — seu principal propagador —, este que fora dirigido pelo membro do Estado-Maior do partido, Júlio Barata, se propunha a instaurar um Estado corporativo totalitário aos moldes fascistas no Brasil.
O partido procurou apoio principalmente entre os meios da imprensa da época, afirmando que, em outros países onde triunfara o fascismo, a imprensa fora a última a ser conquista pelo regime; mas no Brasil o fascismo deveria ser construído "pela e com a imprensa"; recebendo inúmeras adesões de jornalistas cariocas, — sabidamente ao menos 110 signatários jornalistas do Rio de Janeiro em seu manifesto —, que se mostravam curiosos pelo regime de Benito Mussolini e creiam na implantação dele sob a legenda da ASB uma solução para os problemas nacionais brasileiros.
A doutrina do "fascismo fabrinista" era cópia fac-símile do fascismo italiano; alegando o Duce brasileiro que "é preferível copiar o que é bom" do que "seguir o que não presta", e que não via motivos para que não se importassem as ideias fascistas para terras tropicais, embora abrindo concessões para a "índole e os interesses" da população. Então, lançando estatutos próprios, com respaldo nas doutrinas de Giovanni Gentile e Benito Mussolini, o Partido tinha como expressão máxima de suas ideias "a Disciplina a serviço da Vontade, a Lei acima do Homem, a Ordem acima da Lei, o Direito acima da Ordem e a Pátria acima de tudo." Era, sobretudo, contundentemente messiânico, — apesar de não necessariamente na figura de Fabrino —, totalitário e carecia de fontes intelectuais que, ou não buscava, ou por vezes até rejeitava, tornando os jornalistas o seu "apoio intelectual" máximo. Os fascistas vestiriam camisas azuis como indumentária e contavam com um juramento, que consistia:
Ao realizar tal juramento, o Chefe faria, em troca, outro:
O partido negava a democracia em suas duas facetas, presidencialista ou parlamentar.
Apesar das tendências da época, os fascistas brasileiros não eram antissemitas, com o Chefe do movimento sendo admirador de Israel, e, não obstante, futuramente diplomata deste Estado; embora apresentavam ter tendências eugenistas, não permitindo em suas fileiras, segundo seus estatutos, pessoas com deficiência e nem homens abaixo de 1,60m.
Relação com outros nacionalismos miniaturadaimagem|471x471px|Jornalistas da Ação Social Brasileira que assistiram ao filme "Mussolini Fala?" Ao contrário de outros partidos políticos brasileiros de caráter fascista da época, a ASB não buscava ser um "núcleo de metafísicos", mas uma solução "econômica" e "prática" para os dias de então.
Demonstrou antipatia à Ação Integralista Brasileira (AIB) em seu início, sinalizando que não podia-se atribuir ao integralismo uma cor fascista, pois este movimento havia renegado tal palavra e isso lhe custaria qualquer chance de vitória política.
O líder do movimento chegou a afirmar que de comum entre a AIB e a ASB, havia apenas "o primeiro e último nome", sendo este um partido "fascista, francamente fascista, rigidamente fascista, corajosamente fascista", enquanto aquele "não só riscou a palavra 'fascismo' de todas as suas obras", como fogem do vocábulo e davam ênfase em acentuar, principalmente através de seu chefe, Plínio Salgado, como o integralismo "não se parece nada com o fascismo, do qual se encontra bastante distanciado por estar mais acima".
Mostrando coerência doutrinária, Fabrino declarou que, enquanto os fascistas buscavam na resolução superficial da economia, da política e do financeiro o seu sistema, os integralistas expunham sua visão estritamente revolucionária de "reforma social, moral e cultural", onde, se não triunfasse tais reformas, estaria tudo acabado. Faz tal análise para dizer que os fascistas achavam os problemas superficiais, enquanto os camisas-verdes filiavam-se em um "movimento de imaginação", mencionando que os fascistas estavam com a "pura realidade", enquanto os integralistas com a "pura filosofia". Fez oposição, dizendo que os elementos verdes buscavam no campo dos poetas e sociólogos os seus adeptos, enquanto os fascistas eram do povo, estes que não pediam intelectualidade; mas "escolas, tarifas baratas, hospitais, cambio firme, dinheiro fácil, proteção à lavoura, principalmente ao café, [...] boas estradas, unidade da Pátria, arrecadação honesta das rendas, justiça, honestidade, decisão, firmeza...", que pediam, em síntese, pelo fascismo.
Do outro lado, Gustavo Barroso (AIB-RJ), consagrado escritor e político, quando questionado sobre a ASB em março de 1934, declarou em missiva que "o movimento do sr. Fabrino não se devia tomar a sério", pois "faltava-lhe força moral", e que tal organização àquela altura nem existia mais.
Legado O movimento, que aparentava funcionar bem, repentinamente desapareceu, tendo sofrido de problemas financeiros em seu final.
Ver também Fascismo Fascismo no Brasil José Fabrino
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