A segunda temporada de Star Trek: The Next Generation, uma série de televisão de ficção científica estadunidense, se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da nave estelar enquanto realiza diversas missões pela galáxia. Foi criada por Gene Roddenberry, o mesmo criador de Star Trek: The Original Series. A segunda temporada teve mudanças em seu elenco principal, com a saída de Gates McFadden depois de ser demitida pelo coprodutor executivo Maurice Hurley; ela foi substituída por Diana Muldaur como a nova personagem Katherine Pulaski, porém permaneceu na série apenas por esta temporada e McFadden retornou da terceira em diante. Além disso, Whoopi Goldberg se juntou ao elenco recorrente depois de pedir um papel aos produtores.
Também houve grandes mudanças na equipe de roteiristas. Hurley tornou-se o roteirista chefe e Tracy Tormé deixou a produção depois de seus episódios "The Royale" e "Manhunt" terem sido bastante reescritos. Similarmente, David Gerrold enfrentou problemas com Roddenberry e seu advogado Leonard Maizlish por conta de um roteiro chamado "Blood and Fire", também deixando The Next Generation. Outros roteiristas que saíram incluíram Leonard Mlodinow e Scott Rubenstein, enquanto Melinda M. Snodgrass, Hans Beimler e Richard Manning se juntaram à equipe. Hurley acabaria por também deixar a série ao final da temporada. O diretor de arte Herman F. Zimmerman escolheu deixar seu posto no meio da temporada e foi substituído por Richard D. James.
O início de uma greve do Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos em 1988 forçou o encurtamento da temporada de 26 para 22 episódios, o menor número de todas as temporadas de The Next Generation. A greve forçou a equipe a usar um dos roteiros nunca produzidos para a cancelada Star Trek: Phase II da década de 1970, que tornou-se "The Child", o episódio de estreia da temporada. Mudanças orçamentárias permitiram que orçamentos individuais de cada episódio fossem transferidos para outros, porém isto causou uma falta de dinheiro ao final da temporada, algo que fez a equipe tentar resolver o problema criando o clip show "Shades of Gray". Alguns dos cenários da primeira temporada foram modificados, enquanto um novo cenário para o Bar Panorâmico foi criado.
A segunda temporada de The Next Generation estreou com uma boa audiência e os números chegaram ao seu auge nos episódios "A Matter of Honor" e "The Measure of a Man", porém depois disso começaram a cair até alcançarem a menor audiência na história de toda a série em "Manhunt". Mesmo assim, ao final da temporada, The Next Generation era em média a terceira série de televisão mais assistida de seu horário. A crítica especializada achou que a segunda temporada foi uma melhora em relação à primeira, com os episódios "The Measure of a Man" e "Q Who" sendo especialmente destacados, mas "Shades of Grey" foi considerado um dos piores de toda a franquia Star Trek. Episódios da temporada foram indicados para oito Prêmios Emmy do Primetime, vencendo dois.
Episódios
Creditado sob o pseudônimo de Keith Mills Creditado sob o pseudônimo de Terry Devereaux
Elenco
Principal Patrick Stewart como Jean-Luc Picard Jonathan Frakes como William Riker LeVar Burton como Geordi LaForge Michael Dorn como Worf Marina Sirtis como Deanna Troi Wil Wheaton como Wesley Crusher Diana Muldaur como Katherine Pulaski
Recorrente Colm Meaney como Miles O'Brien Whoopi Goldberg como Guinan Christopher Collins como Kargan e Grebnedlog Lycia Naff como Sonya Gomez Suzie Plakson como Selar e K'Ehleyr Anne Ramsay como Clancy
Convidado Rhonda Aldrich como Madeline Majel Barrett como Lwaxana Troi Daniel Davis como Professor Moriarty John de Lancie como Q Carel Struycken como Homn
Produção Desenvolvimento A bíblia de Star Trek: The Next Generation afirmava a intenção de criar novos vilões, porém com o fracasso dos ferengi, os romulanos foram reintroduzidos em "The Neutral Zone", o último episódio da primeira temporada, e continuaram a ser usados no decorrer da segunda. Os cibernéticos Borg foram apresentados em "Q Who", sendo modificados em relação aos alienígenas insetoides que o coprodutor executivo Maurice Hurley queria apresentar na versão mais longa que tinha planejado para "The Neutral Zone". Os Borg reapareceriam esporadicamente pelo restante da série em outros cinco episódios. Diferentemente da maioria dos outros adversários criados para The Next Generation, tornaram-se um de apenas dois que apareceram nos filmes, no caso Star Trek: First Contact de 1996. Uma mudança implementada na segunda temporada que seria reforçada nas seguintes foi um foco maior no trio formado pelo capitão Jean-Luc Picard, comandante William Riker e tenente-comandante Data, semelhante ao capitão James T. Kirk, comandante Spock e doutor Leonard McCoy de Star Trek: The Original Series. Isto acabou relegando o resto do elenco principal para papéis reduzidos na maioria dos episódios.
A Paramount Television alterou a partir da segunda temporada o modo como episódios individuais eram orçados, com excesso de gastos em alguns episódios sendo permitido contanto que isso fosse recuperado com a redução do orçamento de outros. Uma greve do Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos em 1988 forçou a equipe da série a procurar os roteiros de Star Trek: Phase II, uma série da década de 1970 que foi cancelada antes de um único episódio ser filmado e cujo episódio piloto foi depois desenvolvido como Star Trek: The Motion Picture, o primeiro filme da franquia. Um dos roteiros foi identificado para uso em potencial na segunda temporada de The Next Generation, resultando no episódio de estreia "The Child". O papel originalmente da tenente Ilia foi reescrito para a conselheira Deanna Troi. A atriz Marina Sirtis gostou desse desenvolvimento, pois achou que sua personagem tinha sido ignorada na primeira temporada por causa da presença tanto da doutora Beverly Crusher quanto da tenente Tasha Yar.
Episódios foram desenvolvidos para abordarem questões sociais da mesma maneira como havia sido feito em The Original Series. "The Child" tem um breve debate sobre aborto, "Up the Long Ladder" discutiu clonagem e "Loud as a Whisper" era sobre aceitar a legitimidade de língua de sinais para os surdos. Problemas surgiram quando o espólio de Arthur Conan Doyle ameaçou processar a Paramount caso Sherlock Holmes fosse usado novamente após o episódio "Elementary, Dear Data". Limitações orçamentárias fizeram com que o último episódio da temporada, "Shades of Gray", fosse um clip show consistindo em sua maior parte de imagens reutilizadas de episódios anteriores. Esse episódio foi filmado em apenas três dias em vez dos sete normais, sendo considerado pela equipe de produção como um dos piores episódios de toda a franquia Star Trek.
Roteiros thumb|esquerda|170px|Melinda M. Snodgrass foi uma das novas roteiristas que se juntaram à série A segunda temporada teve Hurley promovido à roteirista chefe depois da saída de Robert Lewin. Hurley tinha sido trazido durante a primeira temporada, com suas experiências anteriores incluindo The Equalizer e Miami Vice; ele posteriormente afirmou que assumiu a posição porque era desafiadora. A greve do Sindicato dos Roteiristas tinha causado problemas ao final da primeira temporada e estes continuaram no início do desenvolvimento da segunda, forçando uma redução no número de episódios. O coprodutor executivo Rick Berman culpou uma queda de qualidade no início da segunda temporada à falta de tempo disponível para desenvolver as histórias por conta da greve. Hurley achou que os roteiros tinham entrado em um ritmo durante a segunda metade da primeira temporada, porém a greve interrompeu isso e foi um dos fatores que o levaram a sair da série ao final da segunda temporada. Ele também criticou a falta de arcos de personagem, comentando que "Fiz algumas coisas boas, algumas ruins, algumas medíocres, mas não é um programa que eu possa continuar fazendo. Não é de onde eu venho".
Hurley tinha sido contra as cenas violentas e sangrentas de "Conspiracy", um episódio da primeira temporada escrito por Tracy Tormé, com este sentindo-se alienado por Hurley. Tormé acabou deixando seu cargo de editor de histórias co-executivo, sendo creditado apenas como consultor criativo. Hurley depois modificou os roteiros de Tormé para "The Royale" e "Manhunt", fazendo Tormé escolher ser creditado apenas por pseudônimos nesses episódios. O produtor executivo Gene Roddenberry, o criador de The Next Generation, em certo momento achou que Tormé se tornaria o showrunner da série, mas este saiu por causa das reescritas exigidas por Hurley. A roteirista Hannah Louise Shearer também saiu entre as temporadas por causa de desavenças com Hurley, mas contribuiu com histórias em temporadas seguintes. Outros roteiristas se juntaram à equipe na segunda temporada, incluindo Melinda M. Snodgrass, que vendeu seu roteiro especulativo para "The Measure of a Man". Hans Beimler e Richard Manning foram contratados nos cargos recém-criados de consultores de roteiro executivos. Ambos tinham sido editores de história nos últimos oito episódios da primeira temporada. Snodgrass posteriormente comentou que "Uma vez que subi a bordo, de repente pareceu haver um clima de discussão entre os roteiristas sobre o que queríamos fazer com o programa. Minha impressão é de que isto era um fenômeno novo. Estávamos um pouco mais na mesma sintonia". Ela foi contratada como editora de histórias junto com Leonard Mlodinow e Scott Rubenstein. Estes deixaram a série depois de apenas quatro episódios, mas Snodgrass permaneceu pelo restante da temporada.
Outro roteirista que deixou The Next Generation durante a segunda temporada foi David Gerrold, que tinha entrado na equipe antes do episódio piloto e escrito a primeira versão da bíblia da série. Berman tinha afirmado em um memorando que a série seria baseada em questões sociais como The Original Series, algo que Roddenberry concordou. Durante uma convenção que Gerrold também compareceu, Roddenberry disse que era hora de um personagem homossexual aparecer em Star Trek, fazendo-o propor uma história chamada "Blood and Fire", que incluiria personagens homossexuais e uma alegoria sobre AIDS. Roddenberry a aprovou, mas Gerrold descobriu depois que fora decidido que a história não seria usada como havia proposto, com ele afirmando que supostamente Leonard Maizlish, o advogado de Roddenberry, não tinha gostado e Roddenberry seguiu este conselho. Fontes oficiais afirmam que a Paramount se envolveu porque a empresa achava a história inapropriada para crianças. A história foi dada a Herbert Wright para ser reescrita com comentários escritos por Maizlish. Gerrold se ofereceu para fazer as alterações, incluindo remover os personagens homossexuais, mas Wright recebeu telefonemas proibindo-o de deixar Gerrold se envolver. A história foi reescrita várias vezes por Wright, mas acabou abandonada e Gerrold pediu para não ter seu contrato renovado.
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