Áurea Pires (Angra dos Reis, 2 de fevereiro de 1876 — Rio de Janeiro, 10 de outubro de 1949) foi uma poeta brasileira.
Vida esquerda|miniaturadaimagem|Reunião preparatória para criação da Academia Feminina de Letras e Ciências, capitaneada pela professora Mercedes Dantas. Na imagem se vê, da esquerda para a direita: (em pé) Viúva Pantoja Leite, dra. Correia Ramalho, Bertha Lutz, Laura Fernandes e Rosalva Martins; (sentadas) Heloisa Lutz, Albertina Bertha, Mercedes Dantas, Ivetta Ribeiro, Esther Ferreira Vianna e Áurea Pires da Gama. Áurea Pires nasceu em 1876 na cidade de Angra dos Reis, filha do poeta e teatrólogo Trajano Augusto Pires e Dionísia Maria da Fonseca Pires. Era a filha mais velha do casal, tendo como irmãos Guilherme, Olívia e Maria Noêmia. Logo na primeira infância, em 1885, sua família se mudou para Barbacena, onde viveu com eles até 1891. No ano seguinte mudou-se para São João del-Rei, onde morou até 1901. Na sequência, mudou-se para Itajubá, onde residiu até 1903. Depois mudou de Estado e foi residir em Cruzeiro, onde fundou junto com sua irmã, Maria Noêmia, o Externato Cruzeiro. Em 1906, muda novamente para o Rio de Janeiro, com seu pai, e passa a trabalhar na Escola Normal.
Em 5 de novembro de 1912, Áurea Pires se casa com Chicorro da Gama, também escritor, e passa a assinar Áurea Pires da Gama.
Participa, em 1920, da Legião da Mulher Brasileira ao lado de Júlia Lopes de Almeida, Cecília Meireles e Heloísa Lintz,
Em 1941, muda-se para Rio Bonito e, em 1944, para Niterói. Nessa última cidade dirigiu a Casa Castro Alves, o Grêmio Dramático Paraíso Verde e biblioteca Silva Jardim.
Morreu de tifo no Rio de aneiro a 10 de outubro de 1949.
Obra Seu primeiro soneto publicado foi “Impossível”, no jornal O Astro e o segundo foi “Saudosa”, no Leste de Minas.
Flocos de neve foi seu primeiro livro publicado em 1898 com o prefácio de Inês Sabino, seguido de Índiana, dedicado a Castro Alves, Pétalas (1908), Paquetá (1919), dedicado a Rui Barbosa, e Entre o mar e a floresta (1922). Com o pseudônimo de Zingara, publicou Castanholas, uma série de poemas humorísticos.
Áurea Pires escreveu para vários periódicos, como Rua do Ouvidor, A Estação, Almanaque Garnier, O Mundo Literário e Revista Contemporânea. Junto com Adelina Lopes Vieira, fui uma das poucas mulheres a publicarem no Almanach Illustrado do Brasil-Portugal, editado em Lisboa.
Escreveu assiduamente para a revista A mensageira, dirigida por Presciliana Duarte. Na primeira edição dessa revista, Pires publicou o poema “Contraste”, que tem como tema central o amor perdido, com forte inspiração romântica. No soneto, com rimas ABBA nos quartetos e CDC, DCD nos tercetos, o eu-lírico expressa a dor de uma perda amorosa, contrastando seu sofrimento com a felicidade do amado nos braços de outra. O título “Contraste” reforça essa dualidade emocional. A forma como a autora aborda a saudade de um amor perdido revela uma inovação em sua poesia, sobretudo por dar voz a um sentimento que, na época, era incomum ser expresso publicamente por mulheres.
Sua poesia foi escrita em versos dodecassílabos e alexandrinos, com alinhamento com autores românticos como Casimiro de Abreu e Castro Alves, a quem se remete em suas poesias. Com isso, sua poesia acaba confluindo para mistura estéticas entre o Romantismo, Parnasianismo e Simbolismo.
Recepção Na sua infância, Manuel Bandeira lia e gostava das poesias de Áurea Pires publicadas no Jornal do Recife. Pires teve ampla recepção em sua época, tendo avaliações de suas obras publicadas em diversos periódicos. João Ribeiro a descreveu como "uma das mais eminentes representantes do talento feminino brasileiro em nossas letras" em sua avaliação de Paquetá.
Homenagens Áurea Pires foi homenageada pela Prefeitura de Angra dos Reis com a nomeação da escola Escola Áurea Pires da Gama, situada no Quilombo Santa Rita do Bracuí.
A cadeira de número cinco do Ateneu Angrense de Letras tem como patrona Áurea Pires.
Obras
Livros Flocos de neve, 1858.
Indiana, 1902.
Pétalas, 1908.
Paquetá, 1919.
Entre o mar e a floresta, 1922.
Conferências “A poesia em Minas Gerais”, Clube Beto Horizonte, 26 de março de 1907.
“Como sonhei a poesia”, Cassino Lício, em São Lourenço.
“Minha alma através da paisagem e da poesia fluminense”, Salão da Associação Comercial, 2 de dezembro de 1926.
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