Jamila Rodrigues Venturini, conhecida como Jamila Venturini, é ativista e pesquisadora com mais de 15 anos de experiência atuando em organizações da sociedade civil. Venturini recebeu prêmio Global Voices no Brasil pelo documentário sobre o Projeto Mídia Cidadã de Januária e foi co-diretora do documentário Mapuche: Gente da Terra, vencedor do Festival Internacional Pachamama. Atualmente, é co-diretora executiva na Derechos Digitales, organização latino-americana que atua desde 2005 na defesa e promoção dos direitos humanos em ambientes digitais.
Trajetória Jamila Venturini pesquisa os impactos das tecnologias na liberdade de expressão, privacidade e proteção de dados, especialmente sua interação com o exercício de outros direitos fundamentais. Ao longo de sua trajetória, seus trabalhos e publicações, Jamila sempre procurou promover tecnologias acessíveis para uma sociedade justa e inclusiva, abordando desigualdades e exclusões no desenvolvimento digital. Vem defendendo o acesso livre e seguro às tecnologias e uma internet que respeite a dignidade humana por meio de ações e pesquisas.
É jornalista, formada pela Universidade de São Paulo (USP – Brasil) e mestre em Ciências Sociais com orientação em Educação pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO – Argentina). Além disso, é membro do Conselho Ciborgue da Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (LAVITS).
Entre 2014 e 2017, Jamila fez parte do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio (CTS/FGV), onde liderou projetos relacionados à governança da internet, vigilância e privacidade. Foi assessora técnica do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) entre 2017 e 2018 e, em 2016, participou do Google Policy Fellow Program na Access Now. Desde 2014, é membro do grupo de especialistas da pesquisa TIC Educação desenvolvida pelo CETIC.br. É autora dos livros “Recursos Educacionais Abertos no Brasil: o campo, os recursos e sua apropriação em sala de aula” e “Terms of Service & Human Rights: ananalysis of online platform contracts”.
É uma das autoras do texto “Decisiones automatizadas en la función pública en América Latina” (2021), que analisa casos de implementação no Brasil, Chile, Colômbia e Uruguai, e participou de diversos eventos e cursos sobre inteligência artificial e direitos humanos. Jamila também contribuiu com a formulação de recomendações para a ONU sobre o uso de inteligência artificial no setor público amplamente incorporadas no Relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos sobre aspectos da IA na privacidade na era digital, entre outros subsídios a organizações globais e regionais.
Jamila Venturini participou do "Painel 7 – Inteligência Artificial e Riscos: Vieses e Discriminação”, durante a Quarta Reunião Ordinária da Comissão de Juristas responsável por subsidiar a elaboração do substitutivo sobre inteligência artificial no Brasil (CJSUBIA), no âmbito das atividades legislativas do Senado Federal. Sua participação teve como objetivo contribuir com sua expertise em inteligência artificial e regulação, fortalecendo o debate sobre os desafios e riscos associados ao uso dessas tecnologias.
Ela foi a responsável pela pesquisa e redação do verbete Capitalismo de dados no e-book “Termos e ações didáticas sobre cultura escrita digital” (Araújo et. al., 2022).
Prêmios e reconhecimentos
Em 2013, foi co-diretora do documentário Mapuche: Gente da Terra, vencedor do Festival Internacional Pachamama – Cinema de Fronteira (2013). O filme retrata a luta do povo Mapuche pela defesa de seus territórios no centro-sul do Chile. A obra destaca a profunda conexão espiritual e cultural dos Mapuche com a terra, resgatando sua história, identidade e visão de mundo. O filme também aborda a resistência histórica do povo contra a colonização e a importância da arte como forma de denúncia e expressão. Em 2011, liderou, junto com a jornalista Amanda Rossi, um documentário que contou a história da Asajan (Associação Amigos de Januária). O "Projeto Mídia Cidadã de Januária" foi o primeiro a ganhar patrocínio da Global Voices no Brasil, após vencer uma concorrência com mais de 750 projetos de diferentes países. A organização não governamental sediada em Januária, norte do Estado de Minas, foi contemplada com o financiamento da rede internacional, em reconhecimento a um trabalho de combate à corrupção que levou a cidade a ter sete prefeitos em seis anos.
Referências Categoria:Pesquisadores da inteligência artificial Categoria:Mulheres cientistas do Brasil