Fernando Alberto Albán Salazar (, 1 de outubro de 1962 – 8 de outubro de 2018) foi um ativista, advogado e político venezuelano–colombiano, figura de destaque dentro do partido de oposição Primero Justicia. Albán foi vereador do Município Libertador de Caracas de 2012 até sua morte no cargo, em 2018.

Ele morreu enquanto estava detido na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN), na Praça Venezuela, em Caracas. Autoridades do governo inicialmente relataram sua morte como suicídio, mas seus amigos, familiares, partidos de oposição e Luis Almagro, Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos, argumentaram que a morte do vereador foi um homicídio.

Em maio de 2021, o procurador-geral de Maduro, Tarek William Saab, admitiu que Albán não cometeu suicídio como se informou inicialmente, mas foi morto por dois agentes do SEBIN que o vigiavam.

Vida pessoal e início de carreira Albán nasceu na Colômbia e mudou-se para a Venezuela aos quatro anos de idade. À época de sua morte, possuía cidadania em ambos os países. Era um católico devoto, e trabalhou com a Arquidiocese de Caracas em muitos projetos de caridade.

Advogado especializado em Direito do trabalho, formou-se em Universidade Central da Venezuela. Atuou como secretário nacional da associação de sindicatos do Primero Justicia. Foi eleito para o conselho do Distrito Capital (município Libertador) nas eleições municipais de 2013, vencendo com 6.170 votos e representando o Circuito 3 no conselho.

Albán, sua esposa Meudy e os dois filhos, Fernando e María, mantinham residência em Nova Iorque à época de sua morte.

Prisão Albán viajou a Nova Iorque para a 73.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, como parte de uma delegação do Primero Justicia liderada por Julio Borges. Albán, Borges e outros membros da delegação realizaram encontros com dignitários estrangeiros e outros grupos presentes à assembleia. Albán foi detido pelas autoridades venezuelanas no Aeroporto Internacional Simón Bolívar na sexta-feira, 5 de outubro de 2018, ao retornar ao país. Nenhuma razão para sua prisão foi apresentada, e não foram fornecidos detalhes sobre onde estava sendo mantido até após sua morte. A BBC informou que pessoas próximas a ele não acreditavam na justificativa oficial para a prisão, afirmando em vez disso que Albán foi detido por apresentar informações sobre violações de direitos humanos na Venezuela durante a assembleia. Albán disse à família e a advogados que foi pressionado pelo governo Maduro a testemunhar contra Borges sobre o Ataque com drones em Caracas e que recusou.

Tarek William Saab, procurador-geral do governo Maduro, posteriormente declarou que Albán foi preso por causa de “evidências de 2.000 chats com temas conspiratórios”. O número também foi relatado como 200, e os “chats” foram definidos como conversas encontradas no telefone celular pessoal de Albán.

Morte thumb|direita|Carruagem fúnebre e cortejo de Albán Após sua prisão, Albán foi levado sob custódia do SEBIN e, após sua morte, disse-se que era suspeito do Ataque com drones em Caracas ocorrido dois meses antes. Ele foi visto pelo advogado Joel García no domingo depois de sua prisão na sexta-feira, mas foi dado como morto na segunda-feira, 8 de outubro de 2018. O governo afirma que ele morreu por suicídio ao pular de uma janela do décimo andar, seja enquanto aguardava transferência (versão do ministro do Interior Néstor Reverol) ou ao ir ao banheiro (versão de Saab) por volta do meio-dia. Segundo fontes anônimas que Julio Borges disse serem oficiais, Albán já estava morto antes de ser atirado pela janela. De acordo com William Jiménez, ex-coordenador de investigações nacionais do necrotério de Caracas, a autópsia revelou que havia água nos pulmões de Albán e Néstor Reverol ordenou que o relatório fosse editado.

A narrativa do governo Maduro foi amplamente contestada. O Efecto Cocuyo observou diferenças nas versões oficiais e citou ex-prisioneiros do SEBIN explicando que detentos são sempre escoltados ao banheiro, o que levantou dúvidas adicionais, já que a versão do banheiro foi a primeira explicação dada. Advogados que conheciam o edifício confirmaram que não há janelas no banheiro e que todas as janelas são trancadas, de modo que Albán não poderia ter aberto uma sozinho. Sua morte, chamada de assassinato por muitos, provocou protestos por toda a Venezuela e recebeu atenção mundial da mídia.

Um memorial foi realizado no prédio da Assembleia Nacional no dia seguinte à sua morte; seu corpo foi liberado imediatamente, mas mantido em um caixão coberto pela bandeira. Ele foi sepultado na quarta-feira, 10 de outubro. Sua família assistiu ao funeral por vídeo de sua residência em Nova Iorque. Sua fé católica, reconhecida por amigos, colegas e pela conferência dos bispos católicos da Venezuela, é citada como motivo para não acreditar na versão oficial de sua morte, pois ele teria muito respeito por Deus para considerar tirar a própria vida.

Reações Com o corpo oculto, o público passou a suspeitar que Albán havia sido torturado, o que foi reforçado por alegações da oposição venezuelana, incluindo o próprio Borges. Realizou-se uma manifestação em frente ao necrotério da cidade pela liberação do corpo, com temores de que fosse cremado antes que alguém pudesse examiná-lo. As Nações Unidas sugeriram que o governo e o serviço de inteligência venezuelanos poderiam ser responsabilizados independentemente de como Albán morreu, pois autoridades são “obrigadas a garantir a segurança de Albán sob sua custódia”. O artigo 44 da Constituição da Venezuela estabelece que o Estado é responsável por proteger a vida de seus presos.

O deputado oposicionista Juan Miguel Matheus fez um discurso descrevendo a tortura de Albán, afirmando que ele teria sido eletrocutado e asfixiado. Luisa Ortega Díaz – ex-procuradora-geral da Venezuela no exílio – afirmou que Albán morreu por sufocamento durante tortura com uma sacola na cabeça durante interrogatório. Os Estados Unidos também disseram acreditar que Albán foi torturado e depois morto. A França pediu uma investigação sobre a morte “suspeita” e convocou o embaixador venezuelano ao Ministério para a Europa e dos Negócios Estrangeiros na quinta-feira, 11 de outubro. A Espanha tomou medidas semelhantes, questionando o embaixador venezuelano em Madri. Diversos países estrangeiros sugeriram que o governo Maduro torturou Albán. Saab negou todas as alegações de tortura, chamando-as de “mentira podre”.

Vigílias com velas, memoriais públicos e atos foram realizados em Caracas, especialmente em frente aos edifícios do SEBIN, para denunciar o assassinato. Apoiadores acompanharam o cortejo fúnebre de Albán, alguns com cartazes com o lema Yo me niego a rendirme (Eu me nego a me render), lembrando o último discurso de Juan Requesens antes de sua detenção.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um comunicado em abril de 2019 destacando a morte de Albán como exemplo de violações de direitos humanos do governo Maduro, afirmando:Em outubro de 2018, o vereador de Caracas Fernando Alban viajou para Nova Iorque para denunciar a brutalidade do regime de Maduro à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas. Ao retornar à Venezuela em 5 de outubro, a polícia secreta de Maduro o prendeu no aeroporto. Ele morreu sob custódia alguns dias depois, quando misteriosamente caiu da janela do 10.º andar de uma prisão de segurança máxima em Caracas. Referencing

Investigações O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma investigação sobre a morte de Albán e planejava incluí-la em uma investigação mais ampla sobre violações de direitos humanos no país. A União Europeia também solicitou uma investigação independente. Tarek William Saab, procurador-geral da Venezuela, disse que investigaria a morte, mas a classificou como suicídio. García apontou em resposta que uma morte não pode ser classificada como suicídio sem autópsia e investigação, e solicitou estar presente na autópsia. García não esteve presente na autópsia secreta supostamente realizada pouco antes do sepultamento; Saab anunciou que a autópsia concluiu que Albán morreu de trauma contuso. Posteriormente, relatou-se que havia duas diferentes certidões de óbito, a primeira emitida por um médico comunitário sem credenciais para tanto, e a outra por um suposto médico usando identidade roubada.

O governo de oposição na Venezuela pediu que a Colômbia conduzisse a investigação, para que fosse isenta de vieses. García sugeriu que, como Albán manteve sua cidadania colombiana após mudar-se para a Venezuela, a Colômbia poderia ter mais direitos legais para levar adiante uma investigação; as ramificações internacionais do caso aumentaram quando o local de nascimento e a origem de Albán (seus pais e ancestrais são todos colombianos) se tornaram de conhecimento público.

Em maio de 2021, o Procurador-Geral de Maduro, Tarek William Saab, admitiu que Albán não cometeu suicídio, como inicialmente informado por autoridades do governo, mas que foi assassinado. Saab anunciou que dois agentes do SEBIN tiveram mandados de prisão expedidos contra eles por homicídio culposo e outros crimes correlatos.

Em 16 de dezembro de 2021, os dois agentes do SEBIN foram condenados a 5 anos e 10 meses de prisão pela “fuga” e morte de Fernando Albán. A sentença foi criticada por sua brevidade e por não indiciar os envolvidos politicamente. Em fevereiro de 2022, uma decisão da Corte de Apelações de Caracas reduziu ainda mais a pena para dois anos e oito meses. Zair Mundaray, ex-promotor do Ministério Público venezuelano, denunciou que os agentes “sempre estiveram nos escritórios do SEBIN em El Helicoide” e nunca “pisaram em uma prisão”. O advogado da família de Albán declarou que os agentes ficaram presos apenas alguns dias e que foram acusados por crime de negligência, mas nunca condenados por homicídio doloso, como se tivesse ocorrido um acidente.

Ver também Prisioneiros políticos na Venezuela Desaparecimentos forçados na Venezuela Tortura na Venezuela

Referências

Ligações externas CSIS

Categoria:Nascidos em 1962 Categoria:Mortos em 2018 Categoria:Alunos da Universidade Central da Venezuela Categoria:Católicos da Colômbia Categoria:Naturais de Caracas Categoria:Venezuelanos de ascendência colombiana Categoria:Católicos da Venezuela