Teatro Carlos Gomes de Blumenau, nome mais conhecido da Associação Dramático Musical Carlos Gomes, é um espaço cênico, cultural e de eventos do município brasileiro de Blumenau, estado de Santa Catarina. Localiza-se na rua XV de Novembro, centro da cidade.
Inaugurado em 1939, está entre os maiores e mais antigos teatros do estado. É palco de atividades culturais, palestras, formaturas e convenções.
Histórico Desde a fundação de Blumenau, em 1850, os pioneiros alemães formavam aos domingos, pequenos grupos dedicados à arte dramática e ao canto. Tais encontros resultaram na criação da Sociedade dos Atiradores de Blumenau (Schützenverein), primeira entidade recreativa da então colônia.
Em 24 de junho de 1860, os grupos de teatro e canto formaram a Sociedade Teatral de Blumenau (Theater Verein Blumenau), junto à Sociedade dos Atiradores, cuja sede recebeu um edifício com palco para encenações e apresentações.
Em maio de 1863, o pastor Oswald Hesse criou a Sociedade dos Cantores da Colônia de Blumenau, posteriormente chamada de Sociedade de Canto Germânia.
Em 1880 ocorreu uma grande enchente do rio Itajaí e parte dos equipamentos e da biblioteca destas sociedades foi perdida, dificultando a recuperação de importantes registros históricos.
Teatro Frohsinn A Sociedade Teatral de Blumenau passou a configurar-se como entidade formal em 18 de abril de 1895, quando adotou o nome de Sociedade Teatral Froshsinn (Theater und Musikverein Frohsinn).
Os sócios adquiriram um terreno na então Rua das Palmeiras (hoje Alameda Duque de Caxias), para a construção de sua sede própria, chamado Teatro Frohsinn.esquerda|miniaturadaimagem|Praça do Teatro A última apresentação da Sociedade Teatral Frohsinn na Sociedade dos Atiradores foi dia 16 de fevereiro de 1895, com a comédia "O Último".
Na inauguração do Teatro Frohsinn, em abril de 1896, foi encenada a peça "Uma Idéia Maluca" (Ein toller Einfall), de Karl Laufs, escolhida justamente pelo seu título - usado como resposta àqueles que consideravam "loucura" a idéia de construir um teatro em Blumenau.
Destaca-se no desenvolvimento das artes cênicas do Vale do Itajaí, o nome de Rosálie Julie Auguste Sametzki (1844-1900), viúva do sobrinho de Hermann Blumenau, o cônsul Victor Gaertner. Rose Gaertner, como era conhecida, foi uma grande entusiasta da arte local, secretária e tesoureira da Theaterverein Frohsinn. Também incentivou a separação do teatro e a sociedade de tiro, a Schützenverein Blumenau. Atendendo sua reivindicação, os envolvidos foram atrás de iniciativas para captação de recursos, o que a deixou ocupada por muito tempo para quitar os empréstimos levantados.
Em 1917, com a Primeira Guerra Mundial, o idioma alemão foi proibido. Por quatro anos as atividades teatrais ficaram paralisadas. Só voltaram com intensidade de 1920 a 1936.
Novo espaço No dia 10 de novembro de 1935, a Sociedade Teatral Frohsinn lançou a pedra fundamental da construção do novo teatro, agora na Rua XV de Novembro, atual centro da cidade. Enquanto a sede era construída, em 1936, a Sociedade Frohsinn uniu-se à Sociedade Liederkrantz, que era a fusão da Sociedade Musical Lyra com a Sociedade de Canto Germânia. O projeto foi assinado pelo arquiteto alemão Wilhelm Ferdinand Franz von Knoblauc.
A primeira parte das obras do teatro foi concluída em 1939, compreendendo a parte externa, salão de festas e restaurante. Neste ano, devido à Segunda Guerra Mundial e a nova proibição de nomes alemães, a Sociedade Teatral Frohsinn alterou seu nome para Sociedade Dramático Musical Carlos Gomes, homenageando o grande maestro brasileiro. O novo prédio foi inaugurado dia 1º de julho daquele ano. miniaturadaimagem|Apresentação no auditório principal A sociedade começava então a conquistar suas primeiras glórias: constituiu a Orquestra e o Coro sob regência do maestro alemão Heinz Geyer, discípulo do mundialmente famoso Richard Strauss e amigo íntimo do pianista Arthur Rubinstein, que chegou a Blumenau no início da década de 1920. No tempo em que esteve à frente das atividades artísticas da Sociedade produziu três óperas e inúmeras peças para canto. A primeira ópera montada na cidade e com artistas locais foi "Preciosa", de Carl Maria Von Weber.
A sala de espetáculos, coxias, palco giratório com doze metros de diâmetro, inovação que ainda hoje é prerrogativa de poucos teatros brasileiros, foram inaugurados no dia 5 de dezembro de 1942. Neste mesmo ano foi criada também a Escola de Ballet do Teatro Carlos Gomes.
Em 1949 surgiu o Conservatório Curt Hering, dedicado ao ensino e prática da música, que atuou até 1970. Extinto o Conservatório, em 1971 foi criada a Escola Superior de Música de Blumenau, sob a direção de Oscar Armando Zander. Em 1996, sua nomenclatura foi alterada para Escola de Música de Blumenau, e desde início do ano de 2009 é denominada Escola de Música do Teatro Carlos Gomes.
No ano de 1969 foi criada a Equipe Vira Lata de Teatro, dirigida por Carlos Roberto Jardim, voltada para a formação de platéia com montagens infantis.
Em 1981, a Orquestra de Câmara de Blumenau foi criada por Dieter Hering e a musicista Neyde Coelho, tendo como regente o maestro Norton Morozowicz. Considerada pela crítica especializada como o melhor conjunto de câmara do país, realizou diversas turnês dentro e fora do Brasil.
Em 1984, o Núcleo de Teatro e Escola - NuTe iniciou suas atividades com foco no estudo e a formação de novos valores para a arte cênica.
De 1986 a 1989 manteve uma sala de cinema, denominada Cine Carlitos.
Em 2004, a Escola de Teatro passou a ser administrada pela Cia. Carona de Teatro, do diretor Pepe Sedrez, recebendo o nome de Carona Escola de Teatro.
Atualmente Em 16 de maio de 2022, a denominação foi alterada para Associação Dramático Musical Carlos Gomes. Hoje oferece serviços, como a Escola de Música, a OUT - Escola de Dança e a Carona Escola de Teatro, é palco de eventos, espetáculos, formaturas, palestras e seminários. Estrutura miniaturadaimagem|Busto de Carlos GomesConsiderado patrimônio histórico do município, o Teatro Carlos Gomes passou por diversos restauros e atualizações, com a instalação de climatização e elevadores.
Conta com dois auditórios, dois salões, seis salas de apoio e um restaurante, que acomodam de pequenas reuniões a grandes convenções para até mil pessoas.
Auditório Heinz Geyer Com capacidade para até 784 pessoas na plateia e mezanino, em poltronas fixas, intercaladas e em elevação, além de sete camarotes laterais.
Seu palco de 350 metros quadrados tem um espaço giratório motorizado de doze metros de diâmetro, fosso de orquestra para até 24 músicos, sistema de varas de cenário e iluminação contrapesados, três camarins mobiliados, sala de imprensa e cabine de operação de iluminação.
Atende a concertos, shows, palestras, congressos, peças teatrais, óperas, ballets, orquestras, formaturas e cursos.
Auditório Willy Sievert Tem capacidade para 226 pessoas na plateia, em poltronas fixas, intercaladas e em elevação.
Atende a espetáculos mais intimistas ou palestras. Possui um camarim de apoio e uma cabine técnica elevada.
Na década de 1980, uma sala de cinema denominada Cine Carlitos funcionava no Auditório.
Salão de festas Posicionado no segundo pavimento do Teatro Carlos Gomes, é formado por três salas que podem ser utilizadas integradas ou individualmente.
A área central (miolo) tem 270 metros quadrados, com pé direito de oito metros sem colunas ou vigas.
As salas laterais (Sala superior “A”, com setenta metros quadrados, e a Sala Superior “B”, com 118 metros quadrados) compõem o Salão de Festas.
Quando as portas sanfonadas com tratamento acústico são abertas, um amplo salão se apresenta, com piso em madeira nobre e dois lustres da época da construção do Teatro.
Um conjunto de portas se abre para uma sacada de frente para a Praça do Teatro, no lado oposto outro conjunto de portas se volta ao corredor principal do andar que dá acesso ao Grande Auditório Heinz Geyer.
Esta sala atende a jantares, recepções, feiras, coquetéis, rodas de conversa, espetáculos de teatros de arena, shows musicais para público em pé ou sentado, mostras e exposições de arte.
Salão centenário Posicionado no primeiro pavimento do Teatro Carlos Gomes, formado por dois níveis integrados por escadaria e rampa para cadeirantes, tem área total de 384 metros quadrados. Pode ser acessado pela Praça do Teatro Carlos Gomes ou pela portaria principal.
Tem duas salas de apoio laterais, a sala nobre, sala verde e sala intermediária.
Atende a casamentos, jantares, coquetéis de lançamento, rodas de conversa ou leitura, teatros para espaços alternativos, saraus, shows musicais para público em pé, mostras e exposições de arte.
Salas de apoio Um complexo de seis salas de apoio de dimensões de 70 a 128 metros quadrados completam a estrutura.
Salas com piso de madeira, granito, porcelanato ou vinílico em diversas proporções e opções de uso.
Destinadas para pequenos concertos, ensaios abertos, exposições de arte ou oficinas.
Praça Em sua frente está a Praça do Teatro, espaço aberto dotado de paisagismo, esculturas, iluminação, sonorização, chafariz e bancos. É também utilizada para apresentações e exposições.
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