Em 10 de setembro de 2025, Charlie Kirk, um ativista político norte-americano de direita, autor e personalidade da mídia, foi assassinado por disparo de arma de fogo enquanto discursava para uma audiência na Universidade do Vale de Utah (UVU), em Orem, Utah, Estados Unidos. O evento marcava a primeira parada de uma série de palestras planejada pela Turning Point USA (TPUSA), organização conservadora que ele cofundou.
Após o tiroteio, duas pessoas chegaram a ser detidas, mas foram liberadas após a polícia concluir que não tinham relação com o caso. O homem identificado pelas autoridades como suspeito é Tyler James Robinson, ele foi preso posteriormente e formalmente acusado de homicídio qualificado.
O assassinato gerou amplas reações de figuras públicas nos Estados Unidos. Em resposta, o presidente Donald Trump ordenou que as bandeiras em todo o país fossem colocadas a meia-haste por quatro dias.
Contexto
Charlie Kirk foi um ativista político de direita, autor e personalidade da mídia norte-americana, conhecido por ser o cofundador e CEO da Turning Point USA. Próximo aliado do presidente Donald Trump, Kirk utilizou suas habilidades em mídias sociais e organização em campi universitários para se tornar uma figura influente no movimento conservador radical. O The Washington Post o descreveu como "uma das vozes mais proeminentes da direita" nos últimos anos.
Descrito como uma figura influente na política, Kirk mobilizou apoio para proteger nomeados controversos do gabinete de Trump e contra figuras do Partido Republicano que ele considerava insuficientemente alinhadas a Trump. alt=Charlie Kirk em frente a um painel com logotipos da Turning Point USA e "American Comeback Tour" escrito em fonte grande. Sua camisa diz "ANTI-DEI PRO-MERIT"|thumb|Kirk em um evento de fevereiro de 2025 da sua turnê American Comeback, seis meses antes de seu assassinato A aparição de Kirk na Universidade do Vale de Utah marcou a primeira parada da sua American Comeback Tour, uma série de eventos em campi universitários planejada pela Turning Point USA para o outono. Seu último evento político antes de Utah ocorreu no Kentucky, onde apareceu ao lado do candidato ao Senado Nate Morris. Ele viajava com segurança privada, complementada por proteção da polícia universitária e autoridades locais. Uma petição circulou solicitando que a universidade cancelasse sua aparição, mas a instituição afirmou que permitiria o evento com base em suas políticas de liberdade de expressão e debate aberto.
Aproximadamente pessoas compareceram ao evento, protegido por seis policiais e pela equipe de segurança privada de Kirk. Conforme a legislação estadual, a UVU permitia o porte de armas ocultas por pessoas licenciadas no campus. Participantes criticaram posteriormente as medidas de segurança inadequadas, destacando que não havia exigência de ingressos para entrar no anfiteatro e que detectores de metal não foram utilizados.
O assassinato de Charlie Kirk ocorreu em um contexto de crescente polarização e aumento da violência política nos Estados Unidos, conforme relatado pelo Financial Times. Esse incidente seguiu uma série de eventos violentos de cunho político, incluindo o tiroteio no jogo de beisebol do congresso em 2017, o ataque a Paul Pelosi em 2022, as tentativas de assassinato de Donald Trump em julho e setembro de 2024, o assassinato de Brian Thompson em dezembro de 2024, o incêndio na residência do governador da Pensilvânia em abril de 2025 e os tiroteios contra legisladores de Minnesota em junho de 2025.
Assassinato Por volta das 12h20 MDT, Kirk foi atingido por um disparo no pescoço enquanto discursava em um evento da American Comeback Tour. Sentado sob uma tenda com o título da turnê e o slogan "Prove Me Wrong", Kirk respondia a uma pergunta sobre o número de tiroteios em massa cometidos por pessoas transgênero.
O diálogo final entre Kirk e um membro da audiência foi:
thumb|Centro Richard D. & Joann B. Losee em 2005 O disparo, originado do telhado do Losee Center, a aproximadamente de distância, atingiu Kirk próximo à artéria carótida comum. Emma Pitts, repórter do Deseret News que testemunhou o evento, relatou à NPR: "Vi muito sangue saindo do lado esquerdo do pescoço de Charlie, e então ele desabou."
Estima-se que cerca de estavam presentes no evento. O ex-deputado dos EUA Jason Chaffetz, que estava no local, afirmou: "Assim que o tiro foi disparado, todos se jogaram no chão e começaram a se dispersar e gritar." Outra testemunha relatou ao The New York Times que "ninguém se abaixou imediatamente, apenas após as pessoas na frente do palco o fazerem", e que "as pessoas se abaixaram em ondas." Uma testemunha ocular informou à CBS News que havia "sangue jorrando por toda parte" e destacou a ausência de detectores de metal no local.
De acordo com áudio policial divulgado, o primeiro relato do tiroteio ocorreu às 12h26. Às 12h31, um oficial reportou "tiros ouvidos perto da biblioteca". Às 12h35, o mesmo oficial mencionou "possivelmente o prédio CS" e descreveu o atirador como "vestindo jeans, camisa preta, máscara preta e portando um rifle longo". Dois minutos depois, a universidade fechou o campus, cancelou as aulas e orientou todos a evacuarem. Às 14h01, a universidade instruiu aqueles que permaneciam no campus a permanecerem abrigados até que policiais pudessem escoltá-los com segurança.
Kirk foi levado a um hospital local, identificado por um oficial do estado de Utah como o Timpanogos Regional Hospital em Orem. Uma fonte indicou o Utah Valley Hospital, em Provo, como destino. A Associated Press relatou, por volta das 13h45, que Kirk estava em condição crítica. A Reuters informou que ele passou por cirurgia, citando um porta-voz da universidade. Donald Trump anunciou a morte de Kirk em sua conta no Truth Social às 14h40, fato posteriormente confirmado por um porta-voz de Kirk.
Investigação e resposta do campus alt=Uma imagem aérea desfocada de um pavilhão verde escalonado com uma tenda no centro|thumb|Vista aérea do local após o tiroteio No dia do tiroteio, o Federal Bureau of Investigation (FBI) e o Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives prestaram apoio no local. Vídeos gravados por celulares durante o incidente foram rapidamente publicados nas redes sociais. A conta oficial da UVU no X informou que um único tiro foi disparado contra Kirk, que foi retirado do local por sua equipe de segurança.
Logo após o disparo, George Zinn, um ativista político de 71 anos conhecido em Salt Lake City por comparecer em eventos públicos com a intenção de os perturbar ou confrontar oradores, gritou que era o autor dos disparos - “Fui eu que o matei — agora matem-me!” com a intenção declarada de proteger a fuga do criminoso real, mostrando-se satisfeito por ter conseguido o seu intento, embora não existam evidências de que houvesse conluio entre Zinn e o acusado Tyler Robinson. Zinn foi inicialmente detido e acusado de obstrução de justiça. Zinn, que tem antecedentes criminais menores relacionados a ameaça de bomba, foi acusado paralelamente de exploração sexual de menores, após a polícia ter encontrado no seu smartphone mais de 20 imagens de crianças em poses sexuais, assim como evidência da partilha desses conteúdos com outras pessoas. Um juiz ordenou a sua detenção sem direito a fiança, considerando-o um “perigo substancial” para a comunidade.
Horas após o tiroteio, o diretor do FBI, Kash Patel, anunciou nas redes sociais que "o suspeito" do assassinato de Kirk estava "sob custódia", enquanto o governador de Utah, Spencer Cox, afirmou que uma "pessoa de interesse" havia sido detida. Duas horas após o anúncio inicial de Patel, ele informou que o indivíduo foi liberado após interrogatório. As autoridades confirmaram posteriormente que nenhum dos detidos era o atirador.
Minutos após o tiroteio, vídeos gráficos do assassinato, gravados por participantes, começaram a circular no X, Instagram, Threads, YouTube e Telegram, sendo visualizados milhões de vezes. Algumas plataformas adicionaram avisos ou restrições de idade, enquanto outras enfrentaram dificuldades para remover as imagens. Analistas observaram que a disseminação ampla e inédita de um assassinato de uma figura tão proeminente online provavelmente terá consequências duradouras.
No início da busca pelo atirador de Kirk, o Departamento de Segurança Pública de Utah divulgou imagens de videovigilância de baixa qualidade que mostravam um homem branco a usar ténis Converse, calças de ganga, uma camisola preta de manga comprida com a bandeira dos EUA e uma águia estampadas, e um boné de basebol preto com um triângulo.
A 11 de setembro, os investigadores encontraram num bosque próximo ao local do assassinato uma espingarda Mauser Modelo 98, de ferrolho, calibre .30-06, envolta numa toalha de cor escura, que teria sido usada no crime e posteriormente descartada pelo autor do crime.
Acusado A busca pelo atirador terminou a 12 de setembro, a cerca de 420 quilómetros do local do crime, em Washington City, no sul do Utah. Tyler James Robinson, um estudante universitário de 22 anos, foi detido como suspeito do assassínio de Kirk. Robinson é filho de Amber Jones Robinson, uma assistente social. Os pais de Robinson estão ambos inscritos como eleitores do Partido Republicano, sendo a sua família alargada alinhada com o mesmo partido. À data, Robinson tinha como endereço registado a casa dos pais, nas proximidades de St. George, no Utah, a cerca de três horas e meia de carro da Utah Valley University.
Robinson estudou na Pine View High School, em em St. George, ingressando depois no programa de aprendizagem em eletricidade no Dixie Technical College, na mesma cidade, do qual frequentava o terceiro ano.
Estava registado como eleitor não afiliado a um partido político, embora dado como inativo por não ter participado nas últimas duas grandes eleições nos EUA. Segundo Spencer Cox, governador do estado do Utah, entrevistas com os parentes e conhecidos de Robinson referem uma grande politização nos dois anos anteriores, o posicionando claramente numa ideologia de esquerda, enquanto os amigos revelaram uma forte ligação às vertentes mais sombrias da subcultura Reddit, assim como outras áreas sombrias da internet, que Robinson explorava profundamente.
À data do crime, Robinson vivia num apartamento com Lance Twiggs, também estudante e proveniente de família conservadora, em processo de transição de género de homem para mulher, com quem mantinha uma relação amorosa há cerca de um ano. Após ser expulso da casa dos pais por abuso de substâncias, dependência de videojogos e questões relacionadas com identidade de género, Twiggs foi viver juntamente com outros estudantes para um apartamento. Os outros estudantes acabaram por sair, ficando apenas Robinson como seu companheiro. Ambos eram gamers inveterados, sendo altamente influenciados por essa subcultura. Segundo declarações da mãe de Robinson à polícia, depois que iniciara o relacionamento com Twiggs, o filho mostrava-se cada vez mais liberal nas suas posições políticas, com particular foco na defesa de direitos LGBT.
Segundo um familiar, Robinson participou num jantar de família antes do crime, no qual ele e outro membro da família comentaram sobre a planeada vinda de Kirk à Utah Valley University, manifestando a sua repulsa por ele, que consideraram "cheio de ódio".
Horas antes do crime, câmaras de vigilância registaram Robinson patrulhando as imediações da universidade.