miniaturadaimagem|Philippe Guerrier, Presidente Vitalício do Haiti (1844-1845). Octogenário, semi-analfabeto e alcoólatra, foi uma das figuras mais simbólicas da "Política do Substituto". A “Política do Substituto” (em francês, politique de doublure) foi uma política estabelecida pela burguesia mulata de Porto Príncipe, capital do Haiti, entre 1843 e 1847, que consistia em indicar para o cargo de Presidente Vitalício um general negro forte o suficiente para conquistar o apoio das massas, mas fraco o suficiente para ser controlado por essas elites, evitando o acesso direto ao poder por camponeses e classes médias haitianas.
Contexto Com a morte do presidente Jean-Pierre Boyer (1820-1843), em 1843, a República do Haiti caiu em convulsão social. Para apaziguar os ânimos populares e evitar novas revoluções, a burguesia mulata de Porto Príncipe, concentrada no Senado Haitiano, passou a indicar para o cargo presidencial apenas generais negros que tivessem prestígio entre a população haitiana, mas que também fossem fracos o suficiente para serem manipulados, prática que ficou conhecida como “Política do Substituto”.
Política
Governo Hérard (1843-1844) Charles Rivière-Hérard foi proclamado Presidente Vitalício do Haiti em abril de 1843, tendo seu cargo oficializado em janeiro de 1844. Desde o início, Hérard governou cercado de ministros e delegados, todos burgueses e antigos apoiadores de Boyer. Seu principal feito foi a defensiva militar contra rebeldes dominicanos, em uma época em que toda a Ilha de São Domingos estava sob o poder haitiano. Em uma segunda campanha militar, Hérard sofreu um golpe de Estado de uma facção burguesa, exilando-se na Jamaica.
Governo Guerrier (1844-1845) Como substituto, Philippe Guerrier, um dos líderes golpistas contrários a Hérard, foi proclamado Presidente Vitalício em maio de 1844. Octogenário, semi-analfabeto e alcoólatra, Guerrier governou totalmente sob o controle de seus ministros, atuando como um ditador cujo governo produziu poucas reformas, como a criação de um correio nacional e de alguns liceus. Após esmagar uma conspiração de Charles Rivière Hérard para retornar ao poder, Guerrier faleceu em abril de 1845.
Governo Pierrot (1845-1846) Com a morte de Guerrier, Jean-Louis Pierrot, conhecido como “Príncipe-Presidente”, foi proclamado o novo Presidente Vitálicio do Haiti. Antigo apoiador do rei Henri Christophe e membro dos dois últimos governos haitianos, Pierrot desconfiava profundamente das elites de Porto Príncipe, fato que o levou a transferir a capital da República para Cabo Haitiano. Não aceitando a perda do status de capital, as elites econômicas e militares de Porto Príncipe “demitiram” Pierrot, que se retirou para a aposentadoria no norte do país.
Governo Riché (1846-1847) Com a demissão de Pierrot, Jean-Baptiste Riché foi levado à presidência em março de 1846. Embora caolho, analfabeto e com quase 70 anos de idade, Riché tentou assumir um papel mais ativo na política haitiana, restaurando a Constituição Haitiana de 1816 (a primeira carta republicana do Haiti) e perseguindo os praticantes do vodu. Esse comportamento independente desagradou a burguesia mulata de Porto Príncipe e Riché veio a falecer em fevereiro de 1847, possivelmente envenenado.
Governo Soulouque (1847-1849) Com a morte de Riché, Faustin Soulouque foi nomeado Presidente Vitalício. Idoso, também analfabeto e praticante do vodu, o general era visto pelas elites haitianas como mais um homem obtuso levado ao poder. Contudo, tal como Riché, Soulouque logo se mostraria um líder ativo e ambicioso: em busca do poder absoluto, ele criou uma milícia privada e passou a legislar contra os direitos dos mulatos haitianos.
Concentrando cada vez mais poder, Soulouque livrou-se de seus adversários, outorgou uma nova constituição e proclamou o Segundo Império Haitiano, coroando-se Imperador em agosto de 1849, colocando fim à República do Haiti e à “Política do Substituto”.
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