Omar van Reenen (Walvis Bay, ) atua como ativista dos direitos humanos namibiano que defende os direitos da comunidade LGBT na Namíbia. Van Reenen faz parte da equipe que fundou o Movimento de Direitos Iguais da Namíbia (Equal Namibia), um movimento social de base e liderado por jovens que faz campanha pela igualdade para pessoas LGBT.
Primeiros anos Van Reenen nasceu e teve sua criação em Narraville, um subúrbio de Walvis Bay na região de Erongo, na Namíbia. Seu nascimento veio após o fim do apartheid na Namíbia, no que antes era considerado uma família de cor sob as leis do apartheid, e são meio egípcios. O avô de Van Reenen era um hoteleiro que fundou o primeiro hotel da Namíbia para pessoas não brancas, que se tornou um centro de resistência antiapartheid durante o período do Sudoeste da África, durante o qual a Namíbia era um território da África do Sul.
Van Reenen estudou na Duinesig High School em Walvis Bay. Entre 2014 e 2015, serviu na prefeitura júnior de Walvis Bay, representando as crianças e os jovens da cidade. Depois de atuar na embaixada da Namíbia na Olimpíada de Gênios, um evento científico global no qual os alunos apresentam soluções para problemas ambientais, recebeu uma bolsa de estudos para estudar bioquímica e ciência política na Universidade Estadual de Nova Iorque em Oswego, nos Estados Unidos. Durante seu tempo lá, tornou-se o primeiro estudante internacional a servir como presidente do governo estudantil da universidade.
Van Reenen se identifica como gênero não binário e usa pronomes do inglês they/them. Apresentou-se regularmente no Drag Night Namibia, uma noite regular de apresentações LGBT realizada em um clube em Windhoek.
Ativismo LGBT Van Reenen comparou a discriminação legal contra pessoas LGBT na Namíbia à discriminação contra pessoas não brancas que ocorreu sob o apartheid. Frequentemente criticou o Governo da Namíbia por permitir o que considera ser "homofobia sancionada pelo Estado". Van Reenen considera que a Constituição da Namíbia consagra direitos para pessoas LGBT no artigo oito, que garante respeito a todos os namibianos, independentemente de sexo ou gênero, e acusou os políticos de erodir o status do país como uma democracia constitucional ao ignorar isso e o artigo três, que proíbe a ideologia do apartheid. Em 2023, Van Reenen criticou publicamente o Movimento Democrático Popular e o Partido de Todos os Povos por defenderem, ou permanecerem em silêncio sobre, leis homofóbicas propostas, apesar de terem feito campanha durante as eleições gerais de 2019 como "campeões" da comunidade LGBT. Isto seguiu-se aos comentários do secretário-geral da APP, Vincent Kanyetu, que apelidou o casamento entre pessoas do mesmo sexo de "tabu" e "uma abominação".
Van Reenen também criticou a mídia namibiana por "contribuir ativamente para o ódio, a violência e a discriminação" e, em 2023, pediu ao então presidente da Namíbia, Hage Geingob, que interviesse para evitar novos aumentos na homofobia e na retórica anti-LGBT. Van Reenen criticou o governo de Geingob por ignorar o conselho da Comissão de Reforma e Desenvolvimento da Lei para revogar a lei colonial antissodomia da Namíbia, que criminalizava a atividade sexual consensual entre homens, e também por ignorar o projeto de lei sobre discurso de ódio proposto pelo Ombudsman.
Van Reenen também criticou o papel dos líderes da igreja na disseminação da homofobia na Namíbia, após um ataque a uma mulher transgênero em Walvis Bay em 2024.
Van Reenen defendeu a descolonização das ideias e visões namibianas sobre a população LGBTQIA+. Criticou políticos que afirmaram que a homossexualidade é uma importação ocidental e, em vez disso, considera que a homofobia na Namíbia decorre da influência ocidental durante o período colonial.
Equal Namíbia Após seu retorno à Namíbia, van Reenen se tornou um notável ativista dos direitos LGBT no país. Em março de 2021, confundou a Equal Namibia em resposta à situação difícil do cidadão namibiano Phillip Lühl e seu marido mexicano, Guillermo Delgado, cujas filhas Paula e Maya, que nasceram por meio de uma barriga de aluguel na África do Sul, tiveram a cidadania namibiana negada e, portanto, proibidas de entrar no país. Em maio de 2021, Paula e Maya receberam documentos de viagem, permitindo-lhes entrar na Namíbia e, em outubro de 2021, ambas receberam a cidadania namibiana.
Van Reenen comparou o ativismo LGBT à resistência contra o apartheid e, por meio das campanhas da Equal Namibia por direitos constitucionais e proteções para os namibianos LGBT, frequentemente participando de processos judiciais, inclusive perante a Suprema Corte da Namíbia. Após seu apoio à campanha #BringPaulaAndMayaHome, van Reenen apoiou dois casais que apelaram para que a Suprema Corte reconhecesse os casamentos entre pessoas do mesmo sexo que ocorreram no exterior quando um dos parceiros nasceu fora da Namíbia. Em 16 de maio de 2023, a Suprema Corte reconheceu tais parcerias quando ocorreram fora do país, embora isso tenha sido seguido por um aumento no que van Reenen descreveu como homofobia por parte de políticos e líderes religiosos contra a decisão, com o casamento entre pessoas do mesmo sexo permanecendo ilegal na própria Namíbia. Van Reenen posteriormente partilhou conselhos de segurança para os namibianos LGBT, incluindo um apelo para que eliminassem aplicações de redes sociais como o Grindr devido a preocupações sobre os activistas anti-LGBT que utilizam essas aplicações para assediar e chantagear os namibianos homossexuais.
Através da Equal Namibia, van Reenen também organizou eventos por todo o país para assinalar o Mês do Orgulho LGBT. Em Dezembro de 2021, comemoraram o primeiro marco histórico LGBT da Namíbia, um passeio em arco-íris no exterior do edifício Namibia Breweries, no centro de Windhoek. Também promoveram os direitos e as dificuldades das pessoas LGBT na Namíbia no estrangeiro, incluindo no Berlin Pride em 2022.
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