Manoel Silva (Maragogipe, 26 de novembro de 1936), mais conhecido como Mestre Boca Rica, é um capoeirista, discípulo de Mestre Pastinha e fundador da Escola de Capoeira Angola da Bahia.
Biografia e história na capoeira Desde criança, Boca Rica conheceu a capoeira. Já com 15 anos de idade, nos anos 1950, Boca Rica se muda para Salvador e começa a praticar a capoeira com Mestre Pastinha, que foi quem o conferiu o apelido de "Boca Rica", uma vez que ele utilizava dentes de ouro em toda a parte superior da boca.
Em 1970 fundou a Escola de Capoeira Angola da Bahia, a qual permanece em atividade até os dias atuais no Forte da Capoeira.
Após o falecimento de Mestre Pastinha, em 1981, integrou a geração de discípulos responsável pela preservação e continuidade de seu legado, contribuindo para a manutenção dos fundamentos e da prática da Capoeira Angola no Brasil e no exterior.
Ele junto com outros mestres de capoeira, tiveram um papel histórico ao atuarem como um movimento de resistência para a ocupação do atual Forte de Capoeira (Forte de Santo Antônio Além do Carmo), em 1982, o qual se tornou um local de referência para a capoeira na Bahia. Este espaço foi tombado em 1981 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), uma vez que na época da colonização Holandesa, foi um local de prisão dos negros escravizados e posteriormente foi um presidio para presos políticos.
Boca Rica costumava frequentar o barracão do Mestre Waldemar, o Passeio de Aguinelo e outras rodas de capoeira conhecidas em Salvador. Além disso, visitou mais de 50 países ao redor do mundo, uma grande quantidadde dos estados brasileiros, e tem mais de 10 discos gravados dedicados à capoeira.
Como mestre, formou importantes representantes da Capoeira Angola, entre eles Zequinha (SP), Vermelho (GO), Caçador (GO) e Luiz Normanha (SP). Também reconheceu mestres de outras vertentes da capoeira, como Moisés (Candeias), Genilson (Alagoinhas), Jairo, Borracha, Ricky, Valu, Curió Capoarte, Roberto, Sete Quedas, Pedreiro, Elias Grande, Kiabo, Chico, Coelho e Zumbi.
Além da atuação como mestre e músico, colaborou com documentários, filmes, entrevistas e pesquisas acadêmicas sobre a capoeira, sendo frequentemente citado em estudos sobre a Capoeira Angola. Participou ainda da fundação da Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA), contribuindo para a preservação, difusão e valorização dessa manifestação cultural.
Em 2017, recebeu da Faculdade Dom Pedro II o título de Guardião dos Saberes e Memórias da Cultura Africana e Afro-Brasileira, em reconhecimento à sua contribuição para a preservação da Capoeira Angola e da cultura afro-brasileira.
Ele foi homenageado em 2018 durante sessão solene na Câmara Municipal de Salvador, recebendo a medalha Thomé de Souza. Durante o evento, o poeta Edson de Castro fez uma poema em sua homenagem.
Em 2024, foi feita uma homenagem a mestres de capoeira históricos durante o V Rede Capoeira, entre eles foi homenageado o Mestre Boca Rica ao lado de outros grandes nomes da capoeira.
Ver também Capoeira Capoeira Angola
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