miniaturadaimagem|276x276px|Loja de venda de chá em Santiago do Chile A cultura do consumo de chá no Chile está profundamente enraizada de forma transversal na sociedade chilena, sendo, juntamente com o café e a erva-mate, uma das infusões quentes mais populares do país sul-americano. O Chile é o país da América com o maior consumo per capita de chá e o quarto a nível mundial, superando inclusive o Reino Unido.
História
Inícios e massificação O consumo popular do chá no Chile remonta ao , impulsionado inicialmente pelos marinheiros provenientes da Inglaterra, que chegavam às cidades portuárias durante o período do Chile colonial. Posteriormente, uma vez obtida a independência da Espanha, a prática se expandiu com a chegada dos imigrantes britânicos, em especial dos ingleses em Valparaíso, Punta Arenas e Antofagasta, que conseguiram difundir o costume tradicional britânico da hora do chá entre a população chilena, inicialmente dentro da aristocracia criolla, para depois estender-se a todas as classes sociais do país. Em 1767, as autoridades do Reino do Chile criaram um imposto sobre a erva-mate, que era uma bebida muito popular na época, com o objetivo de financiar a construção da Ponte de Cal y Canto na cidade de Santiago. Com o aumento do preço desse produto, a classe trabalhadora passou a consumir chá como alternativa mais econômica.
No once, uma refeição típica chilena servida depois do almoço, o chá é uma das bebidas mais consumidas em todo o país.
Do salão de chá à casa de chá Durante o , começaram a popularizar-se em diferentes cidades do Chile os salões de chá, espaços fechados de reunião social, especialmente frequentados pelo público feminino e dedicados à tertúlia, onde os participantes tomavam chá acompanhado de biscoitos ou de algum outro prato da confeitaria tradicional chilena. No , o consumo de chá no Chile experimentou uma diversificação da oferta existente no mercado nacional, com o aumento do consumo de outras variedades além do tradicional chá preto, como o chá verde, bem como com a expansão de marcas associadas à categoria «premium» ou gourmet, que oferecem produtos de maior qualidade. Esse processo coincidiu com o crescimento do número de «casas de chá», estabelecimentos especializados com ampla variedade de chás, tanto para consumo no local quanto para levar.
Cultivo de chá no Chile Historicamente não existiu um cultivo massivo da planta do chá (Camellia sinensis) dentro da agricultura chilena, principalmente devido às condições climáticas necessárias para produzir um chá de boa qualidade segundo os padrões internacionais — mais favoráveis em ambientes quentes e úmidos, com pouca nebulosidade, poucas horas de sol direto e altitude média a elevada. No entanto, no município chileno de Villarrica, na Região da Araucanía, desenvolveu-se a partir de 2014 um cultivo orgânico de chá verde, considerado o mais austral do mundo.
Economia miniaturadaimagem|240x240px|Parada de ônibus em Las Condes com publicidade de uma caixa gigante de chá vendida no Chile De acordo com um estudo de 2018 elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Chile é um dos quinze maiores consumidores de chá do mundo e o principal na América Latina.
A maior parte do chá consumido no Chile é importado, principalmente de Sri Lanka, Argentina, Singapura e Reino Unido, alcançando 54,6 milhões de dólares norte-americanos no total das importações do mercado chileno durante o ano de 2018.
As duas companhias que lideram a importação e o envase de chá no Chile são a chilena Cambiaso Hermanos e a multinacional Unilever Best Foods (UBF).
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