Tráfico de drogas na Venezuela é a prática do tráfico ilegal de drogas na Venezuela. A Venezuela tem sido uma rota para os Estados Unidos da cocaína originária na Colômbia, passando pela América Central, México e países caribenhos como Haiti, República Dominicana e Porto Rico. Na década de 2010, a Venezuela também se tornou gradualmente um grande produtor de cocaína.
De acordo com as Nações Unidas, houve um aumento no tráfico de cocaína pela Venezuela desde 2002.El Universal, 24 February 2008, Aumenta narcotráfico por Venezuela Em 2005, a Venezuela rompeu relações com a DEA, acusando seus representantes de espionagem. Após a saída da DEA da Venezuela e a expansão da parceria da DEA com a Colômbia em 2005, a Venezuela tornou-se mais atraente para os traficantes de drogas. Entre 2008 e 2012, a classificação da Venezuela em apreensão de cocaína entre outros países caiu, passando de quarta no mundo em 2008United Nations, World Drug Report 2010 Statistical Annex: Drug seizures para sexta em 2012.
Rotas do tráfico de drogas
De acordo com um relatório dos EUA de 2009, 90% da cocaína nos EUA é originária da Colômbia, sendo que a Venezuela e o Caribe representaram cerca de 10% dos embarques de cocaína com destino aos EUA em 2010.Nações Unidas, World Drug Report 2010, p74 Outra rota significativa é a exportação de cocaína, maconha e outras drogas ilegais via embarques marítimos diretos da Venezuela para a Europa, com metade de todos os embarques diretos para a Europa entre 2006 e 2008 originando-se na Venezuela.Nações Unidas, World Drug Report 2010, p84Outra rota envolve embarques por via aérea através da África Ocidental até a Espanha, para serem distribuídos na Europa. - Nações Unidas, World Drug Report 2010, p84 Durante décadas, a Venezuela foi um grande centro de trânsito para o tráfico de cocaína, mas não era um grande produtor de cocaína até a década de 2010.
Rotas aéreas Em 2012, os Estados Unidos afirmaram que a maioria das aeronaves relacionadas ao tráfico de drogas se originava da região fronteiriça da Venezuela com a Colômbia, com "quase todos os aviões que aterrissam em Honduras, o ponto focal do tráfico aéreo de drogas da América Central, vindo da Venezuela".
Em Apure, o grupo guerrilheiro colombiano FARC estabeleceu locais no estado, criando múltiplas pistas de pouso na região. Em setembro de 2013, 31 malas contendo 1,3 toneladas de cocaína em um voo da Air France surpreenderam as autoridades de Paris, sendo a maior apreensão de cocaína registrada na França continental.
Numa apresentação na XXXII Conferência Internacional sobre Drogas, em 2015, o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general John Kelly, afirmou que, embora as relações com outras nações latino-americanas na luta contra o tráfico tenham sido boas, a Venezuela não foi tão cooperativa e que "há muita cocaína saindo da Venezuela para o mercado mundial". O general Kelly também afirmou que quase todos os embarques de cocaína por via aérea partiam da Venezuela e que, de 2013 a início de 2014, a rota mudou de América Central para ilhas do Caribe.
Grupos envolvidos Desde 2012, o governo dos Estados Unidos afirmou que "forças de segurança geralmente permissivas e um ambiente político corrupto tornaram a Venezuela uma das rotas preferidas de tráfico de cocaína da América do Sul", observando que organizações de tráfico que vão desde cartéis mexicanos, como o El Tren de Aragua, Los Zetas, Ángeles Caído e o Cartel de Sinaloa, até grupos armados colombianos de direita e as FARC e o ELN, operaram a partir da Venezuela. Segundo os EUA, "elementos das forças de segurança venezuelanas auxiliaram essas organizações de tráfico de drogas".
Clã Cuntrera-Caruana No início da década de 1970, afiliados do Clã Cuntrera-Caruana mudaram-se para a Venezuela,Tom Blickman (1997), "The Rothschilds of the Mafia on Aruba", Transnational Organized Crime, Vol. 3, No. 2, Summer 1997 tornando-se um importante esconderijo à medida que o clã comprava hotéis e fundava vários negócios em Caracas e Valência, bem como um extenso rancho em Barinas, próximo à fronteira colombiana. "A Venezuela tem sua própria família Cosa Nostra como se fosse território siciliano," segundo a polícia italiana. "A estrutura e a hierarquia da Máfia foram inteiramente reproduzidas na Venezuela." O clã Cuntrera-Caruana tinha ligações diretas com a Comissão da Máfia Siciliana e eram conhecidos como os "banqueiros da Cosa Nostra", devido à sua capacidade de lavar grandes quantias de dinheiro da Máfia.
Pasquale, Paolo e Gaspare Cuntrera foram expulsos da Venezuela em 1992, "quase secretamente contrabandeados para fora do país, como se fosse um de seus próprios transportes de drogas. Era imperativo que não pudessem contatar pessoas de fora que poderiam ter usado suas conexões políticas para impedir a expulsão." A expulsão foi ordenada por uma comissão do Senado venezuelano, chefiada pelo senador Cristobal Fernandez Dalo e seu investigador de lavagem de dinheiro, Thor Halvorssen Hellum. Eles foram presos em setembro de 1992 no aeroporto de Fiumicino (Roma),Fonzi, Gaeton. "The Troublemaker". The Pennsylvania Gazette (November 1994).Presumed Guilty, por Isabel Hilton, Gentlemen's Quarterly (GQ), julho de 1994 (edição do Reino Unido) e em 1996 foram condenados a 13–20 anos de prisão.
Cartel do Norte del Valle Em 2008, o líder do Cartel do Norte del Valle colombiano, Wilber Varela, foi encontrado morto em um hotel em Mérida, na Venezuela.BBC, 1 February 2008, Colombian drugs lord found dead
Governo venezuelano
Segundo Jackson Diehl, editor adjunto da página editorial do The Washington Post, o Governo Bolivariano da Venezuela abriga "um dos maiores cartéis de drogas do mundo". Também houve alegações de que o ex-presidente Hugo Chávez e Diosdado Cabello estariam envolvidos com o tráfico de drogas.
Em maio de 2015, o The Wall Street Journal relatou, com base em autoridades dos Estados Unidos, que o tráfico de drogas na Venezuela aumentou significativamente, com traficantes colombianos mudando-se da Colômbia para a Venezuela devido à pressão das forças da lei. Um funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos descreveu as altas patentes do governo e das forças armadas venezuelanas como "uma organização criminosa", com altos funcionários venezuelanos, como o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, sendo acusado de tráfico de drogas e chefe do Cartel dos Sóis. Os envolvidos nas investigações afirmaram que desertores do governo venezuelano e ex-traficantes forneceram informações e que os detalhes sobre os envolvidos no tráfico ligado ao governo estavam aumentando.
Incidente dos Narcosobrinos thumb|250px|right|Os sobrinhos do presidente Nicolás Maduro, Efraín Antonio Campo Flores e Francisco Flores de Freitas, após sua prisão pela Administração de Fiscalização de Drogas dos Estados Unidos em 10 de novembro de 2015. Em outubro e novembro de 2015, a DEA começou a monitorar dois sobrinhos da esposa do presidente Nicolás Maduro, Cilia Flores — Efraín Antonio Campo Flores e Francisco Flores de Freites — após os dois terem contatado uma pessoa que era informante da DEA. Eles buscavam conselhos sobre como traficar cocaína. Levaram a uma reunião um quilograma da droga para que o informante pudesse verificar sua qualidade. Em 10 de novembro de 2015, Campo Flores e Flores de Freites foram presos em Porto Príncipe, Haiti, pela polícia local, enquanto tentavam fechar um acordo para transportar 800 quilos de cocaína destinados a Nova Iorque e foram entregues à DEA, sendo levados diretamente para os Estados Unidos.
Os homens voaram de um hangar reservado ao presidente da Venezuela no Aeroporto Internacional Simón Bolívar para o Haiti, com auxílio de militares venezuelanos, incluindo dois membros da guarda de honra presidencial, e carregando passaportes diplomáticos venezuelanos que, segundo Michael Vigil, ex-chefe de operações internacionais da DEA, não tinham imunidade diplomática.
Uma posterior batida na mansão "Casa de Campo" e no iate de Efraín Antonio Campo Flores, na República Dominicana, revelou mais 127 kg de cocaína e 10 kg de heroína, sendo 80 kg encontrados na casa e o restante no iate.
Campo declarou no avião da DEA que era enteado do presidente Maduro e que cresceu na casa do presidente, sendo criado por sua esposa, Cilia Flores. Quando os dois souberam que não tinham imunidade diplomática, começaram a dar nomes de envolvidos, supostamente citando o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello e o governador do estado de Aragua Tareck El Aissami. Esperava-se que, sem cooperar com investigadores, os sobrinhos de Maduro pudessem enfrentar entre 20 e 30 anos de prisão. Devido ao processo de extradição, os tribunais de Nova Iorque não puderam prender aqueles que ajudaram os sobrinhos no trajeto até o Haiti. O incidente ocorreu em um momento em que vários membros de alto escalão do governo venezuelano estavam sendo investigados por envolvimento no tráfico de drogas, incluindo Walter Jacobo Gavidia, filho de Cilia Flores e juiz em Caracas, bem como Diosdado Cabello e Tarek El Aissami.
Em 18 de novembro de 2016, os dois sobrinhos foram considerados culpados, com o dinheiro supostamente destinado a "ajudar sua família a permanecer no poder".
Ligações com as FARC Em 2008, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acusou dois altos funcionários do governo venezuelano e um ex-funcionário de fornecer assistência material às operações de tráfico de drogas realizadas pelo grupo guerrilheiro colombiano FARC. No mesmo ano, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, testemunhou perante o Congresso dos EUA que "não há evidências" de que a Venezuela estivesse apoiando "grupos terroristas", incluindo as FARC. Em um relatório do Congresso dos EUA de 2009, afirmou-se que a corrupção nas forças armadas venezuelanas facilitava o tráfico de drogas das guerrilhas colombianas das FARC.
Em março de 2012, a Assembleia Nacional da Venezuela destituiu o juiz da Suprema Corte Eladio Aponte Aponte de seu cargo após uma investigação revelar supostos laços com o tráfico. No dia em que deveria prestar depoimento, Aponte fugiu do país e buscou refúgio nos EUA, onde passou a cooperar com a DEA e o Departamento de Justiça. Aponte afirmou que, enquanto juiz, foi forçado a absolver um comandante do exército ligado a um carregamento de duas toneladas de cocaína. Também declarou que Henry Rangel Silva, ex-ministro da Defesa, e o general Clíver Alcalá Cordones estavam envolvidos com o tráfico de drogas na Venezuela. Autoridades venezuelanas também teriam colaborado com cartéis de drogas mexicanos.
Em setembro de 2013, um incidente envolvendo homens da Guarda Nacional da Venezuela colocando 31 malas com 1,3 toneladas de cocaína em um voo para Paris surpreendeu as autoridades francesas. Em 15 de fevereiro de 2014, um comandante da milícia foi parado a caminho de Valência com sua família e preso por transportar 554 quilos de cocaína. Segundo a revista colombiana Revista Semana, o diretor da Dirección General de Inteligencia Militar (DGIM), agência de inteligência militar venezuelana, estava envolvido no apoio ao tráfico das FARC.
Ligações com Hezbollah e Irã