Ronnie Von é o quinto álbum de estúdio do cantor brasileiro Ronnie Von, lançado pela Polydor em 1969. Geralmente apontado como o início da fase psicodélica do artista, o disco representa uma ruptura com a imagem de “príncipe” associada à Jovem Guarda e foi posteriormente reavaliado pela crítica.

Antecedentes e gravação No final dos anos 1960, Ronnie Von aproximou-se de artistas ligados ao Tropicália (como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Os Mutantes), buscando um som mais ousado e moderno. A feitura do álbum contou com o produtor Manoel Barenbein, a assistência de produção de Arnaldo Saccomani e regências/arranjos do maestro Damiano Cozzella, o que deu ao trabalho caráter experimental e controle artístico incomum na carreira do cantor à época.

Estilo musical e canções A obra combina referências psicodélicas (p.ex., Beatles e Pink Floyd) com lampejos do tropicalismo e elementos de música erudita, resultando em uma estética de vanguarda para o período. Entre as faixas destacadas pela crítica estão “Silvia: 20 horas, Domingo”, “Espelhos Quebrados”, “Anarquia”, “Meu Novo Cantar” e “Tristeza Num Dia Alegre”.

Lançamento e recepção Fontes reputadas citam o lançamento como ocorrido em 1969, embora alguns textos jornalísticos refiram 1968 para a estreia desta fase; a discografia oficial do artista também registra 1969. Os críticos reagiram com estranheza àquele álbum. O jornalista e compositor Sérgio Bittencourt (1941-1979), filho do músico Jacob do Bandolim (1918-1969), quebrou o disco de Ronnie em pleno programa de TV do apresentador Flávio Cavalcanti (1923-1986), onde era jurado. Comercialmente, o disco não foi bem, vendeu pouco. Assim como críticos musicais, o público não recebeu bem o disco, não estava preparado para aquele novo momento do artista. A faixa “Sílvia: 20 Horas, Domingo”, ainda chegou a ter alguma execução em rádio. Décadas depois o álbum viria a ser reconhecido como um marco do rock psicodélico brasileiro. O trabalho ganhou reedições em CD nos anos 2000, o que ampliou seu alcance e a redescoberta crítica.

Legado Com os álbuns seguintes — A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre contra o Império de Nuncamais (1969) e A Máquina Voadora (1970) —, Ronnie Von passou a ser visto como a abertura de uma trilogia psicodélica que ajudou a redefinir a imagem do cantor para além da Jovem Guarda e contribuiu para a consolidação de uma vertente experimental no pop brasileiro do período.

Faixas notáveis Silvia: 20 horas, Domingo – canção símbolo da virada estética do disco. Espelhos Quebrados – arranjos com cordas “elisabetanas” e efeitos de vidro estilhaçado, comparada por críticos à ambiência de “Eleanor Rigby”. Anarquia – registro do impulso contracultural do álbum.

Créditos Produção: Manoel Barenbein Assistência de Produção: Arnaldo Saccomani Maestro/Arranjos: Damiano Cozzella. Gravadora: Polydor (CBD).

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