Manuel Francisco Artime Buesa, M.D. (29 de janeiro de 1932 - 18 de novembro de 1977) foi um cubano-americano que foi membro do exército rebelde de Fidel Castro, e que mais tarde foi o líder político das forças terrestres da Brigada 2506 na fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba em abril de 1961.

Biografia Vida pregressa Manuel Francisco Artime Buesa nasceu em Morón, na província de Camagüey, em 29 de janeiro de 1932. Seu pai, Manuel Felipe Artime, era contador e deixou a Espanha durante a Guerra Civil Espanhola, enquanto a sua mãe, Otilia Buesa, era farmacêutica e prima do renomado poeta cubano José Ángel Buesa. A família se estabeleceu em Esmeralda quando Artime tinha seis anos. Ainda na escola, Artime se destacou como um aluno e escritor talentoso, com uma incrível capacidade de oratória.

Na adolescência, Artime mudou-se para Havana e frequentou o Colégio Baldor, onde se formou em ciências. Ele também era naturalmente empático e, após a trágica perda de seu único irmão, ainda jovem, interessou-se por medicina e por ajudar os doentes, formando-se em medicina pela Universidade de Havana, especializando-se em psiquiatria e dedicando seu tempo livre ao cuidado de vítimas de hanseníase hospitalizadas nos arredores da cidade. Envolveu-se na política na universidade e ingressou no Grupo Católico Universitário (ACU) na capital Havana, uma organização administrada por jesuítas que o incentivou a perseguir seus interesses humanitários e políticos.

Política Em dezembro de 1958, ele se juntou ao exército rebelde de Fidel Castro nas montanhas da Sierra Maestra, e participou de ofensivas contra as forças do regime de Fulgencio Batista em Guisa, Maffo e Palma Soriano. Em janeiro de 1959, após o triunfo da Revolução Cubana, Artime foi nomeado segundo em comando da Zona 0–22 no distrito de Ciro Redondo, na região de Manzanillo, no Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA). Nesse posto, sob o comando do Major Humberto Sorí Marin, Ministro da Agricultura, e Rogelio Gonzalez Corzo (também conhecido como "Francisco Gutierrez"), Diretor de Agricultura, Artime promoveu o trabalho dos Comandos Rurais (), uma espécie de Corpo da Paz composto por jovens, a maioria dos quais pertencia ao Grupo Católico Universitário (ACU) em Havana. Tanto Sorí Marin quanto Rogelio Gonzalez foram capturados às vésperas da Invasão da Baía dos Porcos e executados em 20 de abril de 1961. Artime também foi professor na Academia Militar de Havana. Durante 1959, Artime formou o Movimento de Recuperação Revolucionária (, MRR), o qual recebeu a maior parte do apoio do Governo dos Estados Unidos, e que incluía Rogelio Gonzalez Corzo, Higinio "Nino" Diaz, Jorge Sotus, Sergio Sanjenis, Rafael Rivas Vazquez, Carlos Rodriguez Santana, alguns dos quais já estavam exilados no México.

Em outubro de 1959, após a prisão e o julgamento do Comandante Huber Matos, do Exército Revolucionário Cubano, a unidade de inteligência cubana G-2 iniciou a busca por outros contrarrevolucionários. Artime asilou-se com os jesuítas em Havana e, em 7 de novembro de 1959, sua carta de renúncia ao INRA e ao Exército Revolucionário foi publicada na primeira página do jornal Avance. Artime então contatou a embaixada americana em Havana e, em 14 de dezembro de 1959, a CIA providenciou sua viagem aos EUA em um cargueiro hondurenho. No México, ele escreveu seu primeiro livro, intitulado Treason ("Traição"), explicando como os comunistas se preparavam para assumir o controle total de Cuba. Artime então viajou pela América Latina, promovendo atividades e propaganda anticastristas e buscando bases para lançar uma invasão contra o regime comunista. O resultado foi o estabelecimento de vários campos de treinamento, incluindo uma base na Guatemala, que foi usada como quartel-general e área de treinamento para a Brigada de Assalto 2506. Com a assistência da CIA, uma organização anticastrista mais ampla foi criada, o Conselho Revolucionário Cubano (CRC).

Brigada de Assalto 2506 miniaturadaimagem|Manuel Artime em evidência enquanto o presidente John F. Kennedy e a primeira-dama Jacqueline Kennedy, em um carro aberto, cumprimentam os membros da Brigada 2506 no Estádio Orange Bowl, em Miami, na Flórida, em 29 de dezembro de 1962, às 10h34. Ele se envolveu intimamente com Gerry Droller (também conhecido como Frank Bender, conhecido como "Sr. B"), da CIA, no recrutamento e organização de exilados cubanos em Miami para futuras ações contra o governo cubano. A organização de Artime, MRR, cresceu e se tornou o principal movimento contrarrevolucionário dentro de Cuba, com membros de apoio em Miami, México, Venezuela, etc. Envolvidos estavam Tony Varona, José Miró Cardona, Rafael Quintero e Aureliano Sánchez Arango. A infiltração em Cuba, o lançamento de armas, etc. foram organizados pela CIA.

Em maio de 1960, ele era um dos dez ex-oficiais cubanos em Miami que planejavam uma campanha contra o governo cubano. Todos eram graduados da academia militar de Cuba, a Escola de Cadetes. Em 2 de junho de 1960, Artime e nove colegas "recrutas" foram transportados por agentes da CIA para a Ilha Useppa, perto de Fort Myers, na Flórida, para avaliações físicas e psicológicas. Em 22 de junho de 1960, Artime e outros 27 foram levados por terra e ar para Fort Gulick, no Panamá, para treinamento paramilitar. Em 22 de agosto de 1960, ele voou em uma aeronave de transporte C-54 da CIA para San José, na Guatemala. Em 15 de abril de 1961, José Miró Cardona, presidente do Conselho Revolucionário Cubano, sediado em Nova York, confirmou Manuel Artime como seu Administrador Econômico e "Delegado no Exército Invasor". Em 17 de abril de 1961, Artime desembarcou com a Brigada 2506, a brigada de assalto de exilados cubanos compostas de 1.200 homens, em Playa Larga na Invasão da Baía dos Porcos. Sem o apoio aéreo prometido pelos Estados Unidos e enfrentando 60.000 soldados das FAR, os líderes da Brigada deram a ordem de dispersão.

Depois que a Brigada cessou os combates em 19 de abril de 1961, ele e outros se espalharam pelas florestas e pântanos perto de Playa Girón. Artime escapou dos militares fidelistas por 14 dias e noites no pântano de Ciénaga de Zapata, que circunda a Baía dos Porcos. Em 2 de maio de 1961, ele foi capturado pelas forças cubanas perto da usina de açúcar de Covadonga com outros 21 brigadistas. Artime, junto com todos os outros capturados na invasão fracassada, foi condenado a 30 anos de prisão durante um julgamento por traição realizado em massa. Artime foi preso por 20 meses, oito deles em confinamento na solitária. Nas paredes de sua cela, ele escreveu e depois memorizou o seu segundo livro, War Marches and Prison Songs ("Marchas de Guerra e Canções da Prisão"), no qual imortalizou a luta épica e trágica da Brigada na Praia de Girón.

De volta aos Estados Unidos Em 24 de dezembro de 1962, os Estados Unidos trocaram mais de US$ 53 milhões em alimentos e remédios como resgate por 1.100 combatentes da Brigada capturados durante a invasão. Artime e seus companheiros foram libertados e enviados de avião para os Estados Unidos. Ele nunca mais teve permissão para retornar a Cuba ou ver seus pais. O próprio Artime foi libertado pelo pagamento de um resgate de 500.000 dólares. Em 29 de dezembro de 1962, Manuel Artime estava no palco ao lado do presidente dos EUA John F. Kennedy no Orange Bowl em Miami, na Flórida, durante a cerimônia de "boas-vindas" para os veteranos capturados da Brigada 2506. No exílio, o Dr. Artime continuou a pressionar por ações vigorosas contra Fidel Castro. Por iniciativa do procurador-geral dos EUA, Robert F. Kennedy, ele se envolveu no projeto cubano AMWORLD, uma unidade contrarrevolucionária patrocinada pela Casa Branca e organizada pela CIA, com bases na Costa Rica e na Nicarágua, que realizou incursões de comandos em instalações costeiras cubanas. esquerda|miniaturadaimagem|Foto com o presidente dos EUA (da esquerda para a direita): Alvaro Sánchez Jr., Roberto Pérez San Román, Jose Pérez San Román, Presidente Kennedy, Manuel Artime, Erneido Oliva e Enrique Ruíz-Williams. O Movimento de Recuperação Revolucionária emitiu seu "primeiro comunicado de guerra" em 13 de maio de 1964, com uma incursão anfíbia contra o porto de Pilon, na costa sul da província de Oriente. Os comandos travaram uma batalha, demoliram a usina de açúcar de Cabo Cruz e se retiraram. O movimento afirmou que o Dr. Artime participou do ataque a bordo de uma das três lanchas rápidas usadas na incursão. O comunicado informou que as forças guerrilheiras já em Cuba se juntaram a "comandos, homens-rãs, engenheiros de combate, unidades do corpo de comunicações e unidades de torpedos" e tomaram de assalto o porto de Pilon, e em seguida repeliram um contra-ataque pela milícia cubana, em maior número. O ataque ocorreu às 3h50, culminando numa "luta tenaz contra um exército comunista numericamente superior". O comunicado foi assinado por "Manuel Artime Buesa, Secretário-Geral, e Rafael Quintero, Coordenador Militar" do Movimento de Recuperação Revolucionária. Os comandos não tiveram baixas e ocuparam o porto por três horas. Foi publicada uma fotografia do Dr. Artime vestindo um uniforme cáqui e uma braçadeira com a insígnia do tridente, símbolo do movimento, enquanto apontava num mapa na parade os detalhes da incursão. O comunicado também anunciou que os incursores foram condecorados com a "Ordem do Tridente de Ouro" por suas ações.

O então premiê Fidel Castro chamou o ataque de um "novo e criminoso ato de vandalismo dos Estados Unidos". Desde 1963 outras incursões foram relatadas, sendo em grande parte atos de sabotagem contra plantações e indústrias e emboscadas isoladas de comboios militares cubanos e soviéticos. Em 1964, o Projeto Cubano foi cancelado pelo presidente dos EUA, Lyndon B. Johnson. Em 13 de julho do mesmo ano, Manuel Artime casou-se com Adelaida Padrón Cruz e constituiu família. Também abriu seu próprio consultório médico em Miami. Artime participou de uma tentativa fracassada de assassinato contra Fidel Castro em 1965.

Relações com a CIA Chamado de "O menino de ouro da CIA", Artime era conhecido pelo codinome AMBIDDY-1 e irritou os agentes da CIA com seu estilo de vida exagerado, aspirações ditatoriais e relações com mulheres. Segundo a documentação da Agência, os relacionamentos de Artime com mulheres estavam desestabilizando a comunidade exilada, a qual tentava planejar outro ataque a Cuba. Um memorando afirmava que Artime havia comprado para sua amante, Ofelia Padrón, uma casa de US$ 85.000 em North Miami. O cubano justificou a procedência do dinheiro como sendo dos royalties que recebeu por escrever um livro sobre a Baía dos Porcos. Ofelia Padrón havia sido amante de Fulgencio Batista e também do ex-presidente da Venezuela, Marcos Pérez Jiménez. A CIA temia que seus laços com vários "outros cubanos proeminentes" poderiam levar Artime a ser chantageado. Em algum momento de 1964, Artime se envolveu com uma mulher cujo nome foi omitido nos documentos da CIA. Funcionários da agência alertaram Artime sobre o relacionamento, e Artime "comentou que ela havia sido uma 'mulher má'. Artime disse à CIA que o ex-marido desta amante tentou lhe persuadir a participar de orgias, o qual recusara. Autoridades da CIA recomendaram-o a "transferir o centro de seu caso ilícito" para Manágua, na Nicarágua, "onde seria mais fácil conter repercussões desagradáveis". Um memorando de uma reunião de 28 de junho de 1964 com Artime em Miami mencionou que: "recebemos algumas fotografias obscenas que nos fizeram conversar rapidamente com 'algumas pessoas em Washington' que estão começando a ter algumas dúvidas sobre o AMBIDDY-1", escreveu o oficial da CIA Raul Hernandez.