direita|miniaturadaimagem|Fotografia do Papa Bento XVI durante uma missa papal na Basílica de São Pedro, em 2013. A Missa Papal é uma missa solene pontifical celebrada pelo papa. É celebrada em ocasiões como uma coroação papal, um pronunciamento ex cathedra, a canonização de um santo, na Páscoa ou no Natal, ou em dias de festas de guarda

Até a década de 1960, diversas cerimônias especiais eram executadas somente nas missas papais. Muitas caíram em desuso; algumas no pontificado do Papa Pio X, outras no pontificado do Papa Paulo VI.

Cerimônias no passado Uma missa papal celebrada no início do século XX, antes das reformas litúrgicas de Pio X e Paulo VI, seguia a seguinte forma:

Ministros assistentes Numa missa papal, um cardeal-bispo servia como padre assistente; nas ocasiões mais solenes, esse papel era desempenhado pelo Cardeal-bispo de Óstia, o Decano do Colégio dos Cardeais. Os cardeais-diáconos serviam como diáconos e diáconos assistentes. Um auditor da Rota Romana servia como subdiácono. Também havia um diácono e um subdiácono greco-católicos, vestidos de acordo com o rito bizantino. Os outros ofícios eram desempenhados pelos assistentes do trono pontifício, os membros de universidades prelatícias, etc.

Os que serviam como diáconos e subdiáconos eram chamados de "diácono apostólico" e "subdiácono apostólico".Rev. Dr. Athanasius D. McVay, "The Greek Deacon of the Papal Rite of Mass (Catholic/Orthodox Caucus)", Annales Ecclesiae Ucrainae blog, 27 de novembro de 2008.

Vestimentas Antes do início da cerimônia, o papa vestia a falda (uma vestimenta papal em forma de saia que se estendia abaixo da bainha da alva), amito, alva, cíngulo, cruz peitoral, estola, e um pluvial chamado de "mantum". Por fim, a tiara papal era posta em sua cabeça.

Entrada A entrada solene do papa na Basílica de São Pedro era acompanhada da Sinfonia Silveri, uma fanfarra tocada pela Guarda Nobre. A procissão de entrada era realizada pelos cardeais, bispos, prelados e os que compunham a capela pontifical, vestidos de acordo com suas hierarquias e ordens de precedência. Um turiferário e sete acólitos acompanhavam o portador da cruz, e o subdiácono apostólico carregava o Evangeliário (função agora reservada ao diácono). No fim da procissão, o papa era levado para dentro da basílica na sedia gestatoria e com duasflabella em ambos os lados. Era acompanhado por uma comitiva formada pelos guardas suíços e membros da nobreza romana em roupas nobres formais. Algumas vezes, um umbráculo era colocado na cabeça do papa. Dois protonotários apostólicos levantavam a frente da falda enquanto o papa caminhava para a sedia ou quando saía dela, e dois cavalheiros papais seguravam a cauda da falda. O decano da Rota levava a mitra (a mitra pretiosa), e dois patriarcas ou arcebispos carregavam o livro e o candelário, respectivamente.Uma descrição diferente é dada em Robert Willis, The Democracy of God: An American Catholicism (iUniverse, 2006), p. 106.

O papa era recebido na porta pelo cardeal-presbítero e os cônegos de São Pedro. Ajoelhava-se brevemente, inclinando-se num faldistório, para adorar o Santíssimo Sacramento. Isso acontecia no Altar de São Gregório, na Basílica Vaticana. O papa, então, dirigia-se a um pequeno trono para o canto da Terça, quando recebia a obediência dos cardeais, bispos e abades. Enquanto os salmos da Terça eram cantados, ele lia as orações preparatórias para a missa e colocava seus coturnos e chinelos papais. Ele, então, cantava a oração da Terça

Depois da Terça, ele retirava suas vestimentas externas, deixando apenas a falda, o amito, a alva e o cíngulo. O papa lavava suas mãos e colocava as seguintes vestimentas (em ordem), ajudado pelo diácono:

sub-cinctorium cruz peitoral fano (peças inferior e superior) – uma vestimenta de duas peças utilizada somente pelo papa durante a missa solene, com dois pedaços unidos por uma casa de botão central. Parecia-se com uma capa de ombro com listras alternadas de prata e ouro estola túnica dalmática luvas episcopais casula fano (apenas a peça superior) – a peça superior era colocada para cima das outras vestes e colocada sobre a casula e sob o pálio. A peça inferior permanecia debaixo das outras vestimentas. pálio mitra anel episcopal

(O papa não usava o báculo ou o candelabro nesse momento.) Ele, então, dava o ósculo da paz em, ao menos, três dos cardeais-presbíteros.

Missa

A missa acontecia segundo o ordinário da missa solene pontifical, com as seguintes diferenças:

No Confiteor, o cardeal-bispo ficava de pé à direita do papa, o cardeal-diácono à esquerda e os outros ministros atrás. O papa colocava o manípulo — um manípulo especial, entrelaçado com fios vermelhos e dourados, simbolizando a unidade dos ritos oriental e ocidental da Igreja Católica. Depois do primeiro uso do turíbulo, os cardeais-diáconos beijavam a bochecha e o peito do papa, e o pontífice ia para o trono diante da Cátedra de São Pedro, na abside.

O diácono sênior, que vestia uma mitra, sentava-se num faldistório, diante do altar e encarando o trono; o subdiácono apostólico, junto com os ministros gregos, sentavam-se nos degraus do altar; o bispo assistente e os dois diáconos assistentes permaneciam perto do trono.

A Epístola era cantada em latim pelo subdiácono apostólico, e depois em grego pelo subdiácono de rito bizantino — segundo o rito da Igreja Grega. Depois da Epístola, os dois subdiáconos iam juntos beijar o pé do papa. Também o Evangelho era cantado primeiro em latim pelo cardeal-diácono e depois em grego pelo diácono de rito oriental. O Evangelho latino era acompanhado de sete velas, enquanto o grego era acompanhado de apenas duas velas. Depois do Evangelho, ambos os Evangeliários eram levados ao papa, que beijava ambos.

Enquanto elevava a hóstia e o cálice, o papa virava-se em meia-lua para os lados da Epístola e do Evangelho, respectivamente, enquanto a "Sinfonia Silveri" era tocada pela Guarda Nobre (uma unidade honorária abolida em 1970). Oito prelados seguravam tochas para a elevação, mas nenhum sino de altar era usado em momento algum nas missas papais.

Era costume que um pouco do pão e do vinho usados na missa fossem consumidos, como precaução contra envenenamentos ou matéria inválida, pelo sacristão e o copeiro na presença do papa, primeiro no ofertório e depois noPater noster numa cerimônia chamada de praegustatio.

Comunhão Depois de dar o ósculo da paz aos padres assistentes e diáconos assistentes, o papa voltava a seu trono, e de lá recebia a comunhão — de pé.

O mestre de cerimônias colocava um asterico de doze raios na patena, para cobrir a hóstia. O cardeal-diácono elevava a patena até a altura de sua testa para ser vista pelo povo e pelo papa. Ele, então, colocava a patena nas mãos do subdiácono, que a cubria com um véu bordado conhecido como linteum pectorale, para que o subdiácono trouxesse-a para o papa no trono. O diácono elevava o cálice da mesma forma que a patena, o mestre de cerimônias cobria o cálice com um tecido bordado, e o diácono levava-o para o trono. O papa consumia a parte menor da hóstia, e comungava do cálice através de um tubo dourado chamado de fístula. Ele, então, partia o resto da hóstia, dava a comunhão ao diácono e ao subdiácono; o diácono recebia a comunhão de pé e o subdiácono ajoelhado. Eles, então, beijavam o anel papal, e davam o ósculo da paz. Somente esses três indivíduos recebiam a comunhão.

Depois da comunhão Depois da comunhão, o papa recebia o vinho da purificação de outro cálice e purificava seus dedos em uma pequena taça. O diácono e o subdiácono retornavam ao altar e comungavam do cálice através da fístula, o subdiácono consumia a partícula da hóstia no cálice e os dois comsumiam o vinho e a água usados na purificação do cálice.

O papa retornava ao altar e encerrava a missa. Depois da bênção, o padre assistente da missa concedia uma indulgência plenária para todos os que participaram da missa. Ao final do "Último Evangelho" (geralmente ), o papa sentava-se na sedia gestatoria, colocava a tiara e retornava em procissão do jeito que entrara, com os mesmos processionários

Vaticano II e depois esquerda|miniaturadaimagem|Papa Bento XVI celebrando uma missa papal pós-Vaticano II na cidade de São Paulo, em 2007. A cerimônia completa detalhada acima não foi mais utilizada desde o começo do pontificado do Papa Paulo VI, que aboliu muitos dos ofícios da casa pontifícia antes exigidos para a celebração de uma missa papal.

Logo após sua coroação, Paulo VI parou de usar a tiara papal. Ele descontinuou muitas vestimentas papais, incluindo os chinelos papais e as luvas episcopais. Entretanto, ele carregava uma férula papal diferente — prateada —, que também foi usada pelo Papa João Paulo II. Bento XVI utilizava uma férula dourada com a imagem do Cordeiro de Deus, sem a figura de Cristo Crucificado.

Em algumas ocasiões, João Paulo II e Bento XVI usaram o fano enquanto celebravam a missa. O costume de cantar o Evangelho em grego por um diácono greco-católico ainda é praticado, principalmente durante as missas de canonizações.

O latim é a língua usada na maior parte das missas papais em Roma, mas o vernáculo local é utilizado com crescente frequência nas últimas décadas, especialmente quando o papa está fora de Roma. Entretanto, durante os últimos anos do pontificado de Bento XVI, o latim era usado na oração eucarística mesmo fora de Roma. Durante o pontificado do Papa Francisco, muitas missas papais na Praça de São Pedro foram celebradas em italiano. No Domingo de Ramos de 2014, o latim foi usado somente para leituras e em algumas respostas; já nos anos seguintes, a missa de Domingo de Ramos foi celebrada completamente em italiano.

Nas antigas missas papais, somente o papa, o diácono e o subdiácono recebiam a Sagrada Comunhão. Nas atuais missas papais ela é dada para o povo, algumas vezes pelo próprio papa.

Tornou-se comum que os papas celebrassem missas em estádios ou arenas esportivas no exterior, para acomodar um maior número de peregrinos. Também é uma prática recorrente a celebração de algumas missas na Praça de São Pedro. Entretanto, na maior parte das vezes, a maioria das missas papais na Cidade do Vaticano são celebradas dentro da Basílica de São Pedro. Essas missas, com fiéis de todo o mundo, demonstram a universalidade da fé católica. As intenções na Oração Universal são ditas em diversas línguas, enquanto que a invocação é cantada em latim. A Missa do Galo de Natal normalmente acontece dentro da Basílica de São Pedro e é transmitida em todo o mundo.

Após o encerramento do Concílio Vaticano II, muitas das cerimônias e vestimentas utilizadas somente nas missas papais foram gradualmente descontinuadas. O Papa Bento XVI reviveu algumas dessas tradições. Um exemplo é a execução do Hino Papal por instrumentos de sopro da loggia no interior da Basílica de São Pedro para anunciar a chegada do papa, seguido do canto de "Tu Es Petrus" pelo Coral da Capela Sistina, quando apropriado.

Em 31 de dezembro de 2020, o Papa Francisco não pôde participar da tradicional missa papal da Véspera de Ano Novo devido à dores no ciático. A missa tradicional inclui as Vésperas e o canto do Te Deum. As dores também o impediram de celebrar a tradicional missa papal de Ano Novo.

Ver também

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice

Referências

Ligações externas

Liturgia e Beleza: Experiências de renovação em certas Celebrações Litúrgicas Papais, do Arcebispo Piero Marini, Mestres das Celebrações Litúrgicas Papais Categoria:Religião e política Categoria:História do papado Categoria:Cerimónias de Estado