George Leonard Carey, Barão Carey de Clifton PC (nascido em 13 de novembro de 1935) é um ex-padre anglicano inglês, que serviu como 103º arcebispo de Canterbury de 1991 a 2002.
Em junho de 2017, Lorde Carey renunciou ao seu último cargo formal na Igreja da Inglaterra depois que uma investigação independente descobriu que ele não passou à polícia alegações graves de abuso sexual a jovens contra o bispo Peter Ball. Em 4 de dezembro de 2024, Carey apresentou sua renúncia como padre da Igreja da Inglaterra.
Biografia George Carey nasceu em 13 de novembro de 1935, em Bow, no East End de Londres. Seu pai, George Carey, trabalhava como porteiro de hospital e George era o mais velho de cinco filhos. Ele frequentou a Escola Primária Bonham Road em Dagenham, mas depois foi reprovado no Eleven-Plus. Ele então frequentou a Escola Secundária Moderna Bifrons em Barking antes de sair aos 15 anos. Trabalhou para o Conselho de Eletricidade de Londres como office boy antes de começar seu Serviço Nacional aos 18 anos na Força Aérea Real como operador de rádio, durante o qual serviu no Iraque.
Carey tornou-se um cristão convicto aos 17 anos, quando compareceu a um culto na igreja com alguns amigos. Aos 20 anos, retornou aos estudos e, em 15 meses, foi aprovado em três exames de nível avançado e seis de nível avançado, conquistando uma vaga no King's College de Londres. Estudou também na London College of Divinity (ALCD). Ele se formou em teologia (BD. Hons) em 1962 e foi ordenado diácono no mesmo ano. Foi ordenado sacerdote em 1963 pelo Bispo de Londres.
Reverendo Carey passou quatro anos como pároco na St. Mary's, em Islington, no norte de Londres. Continuou seus estudos e obteve o título de Mestre em Teologia com uma tese sobre Igreja, Ministério e Eucaristia nos Padres Apostólicos. Ingressou na equipe do Oak Hill Theological College como professor de teologia em 1966, transferindo-se para o St. John's College, em Nottingham, em 1970, onde também atuou como capelão. Durante esses anos, obteve o doutorado com uma tese sobre como os cristãos do século II entendiam a natureza da Igreja.
De 1975 a 1982, o Dr. Carey foi vigário da Igreja de São Nicolau, em Durham. Ainda atuou como capelão prisional em uma penitenciária juvenil (1977-1981) e manteve seus vínculos com a RAF, servindo como capelão da filial de Durham da Associação da RAF. Em 1982, foi nomeado Reitor do Trinity College, em Bristol, e acompanhou a instituição por um período de mudança e crescimento. Durante seus cinco anos em Bristol, atuou como membro eleito do Sínodo Geral e foi nomeado membro do Conselho para Missão e Unidade, servindo posteriormente como Presidente do Grupo Consultivo de Fé e Ordem. Foi também membro do Conselho Consultivo para o Ministério da Igreja (ACCM) e membro do Conselho de Estudos Teológicos e Religiosos do Conselho para Prêmios Acadêmicos Nacionais (CNAA). Também foi Cônego Honorário da Catedral de Bristol de 1984 a 1987.
Carey casou-se com Eileen Harmsworth Hood em 1960. Eles têm dois filhos, Mark (um padre anglicano) e Andrew (ex-editor-adjunto do jornal da Igreja da Inglaterra e mais tarde jornalista freelance); e duas filhas.
Episcopado Nomeado bispo de Bath e Wells em 1987, George Carey foi consagrado bispo por Robert Runcie, arcebispo de Canterbury, na Catedral de Southwark em 3 de dezembro de 1987 e entronizado em fevereiro de 1988. Durante seu mandato, também foi Presidente do Grupo Consultivo de Fé e Ordem. esquerda|miniaturadaimagem|Selo das Seychelles para a primeira visita do Arcebispo de Canterbury, 1993 Menos de três anos depois, em julho de 1990, a primeira-ministra Margaret Thatcher o indicou como novo Arcebispo de Canterbury. Era um cargo que ele certa vez disse que não desejaria nem para o seu pior inimigo. O correspondente religioso do The Times, Clifford Longley, comentou que "a conhecida impaciência da Sra. Thatcher com a indefinição teológica e moral... deve ter sido um fator" para a escolha.
Segundo o The New York Times, sua nomeação foi acolhida com entusiasmo, pois "possuía uma combinação de qualidades que se traduziriam em uma expressão clara, contundente e progressiva da fé cristã". O Arcebispo de Iorque, Dr. John Habgood, que era um dos favoritos para suceder o Dr. Runcie, disse que entre os atributos do Carey estavam "sua idade, para que ele pudesse dedicar tempo ao trabalho".
Já setores conservadores se preocuparam com a escolha devido às suas tendências evangélicas. Carey também foi criticado por sua defesa da ordenação de mulheres, pois havia observado que os oponentes da proposta eram hereges, declaração que também enfureceu Roma. Ele foi forçado a recuar, modificando sua acusação de heresia para chamar os inimigos das mulheres sacerdotisas de culpados apenas de “erro fundamental”. Diante de comentários sobre suas posições e atividades, Carey avisou que continuaria a se manifestar sobre questões sociais e políticas. Foi o primeiro Arcebispo de Canterbury a não ter frequentado as universidades de Oxford ou Cambridge e se tornou o primeiro arcebispo a discursar no Congresso Sindical.
Carey foi confirmado em 27 de março de 1991, na St Mary-le-Bow Church, e entronizado como 103º Arcebispo de Canterbury em 19 de abril seguinte. O novo arcebispo descreveu sua carreira como "dos trapos ao roxo". Nessa posição, se tornou Lorde Espiritual na Câmara dos Lordes e membro do Conselho Privado.
Em 31 de outubro de 2002, Carey aposentou-se, renunciando à Sé de Canterbury, e no dia seguinte foi criado um par vitalício como Barão Carey de Clifton, de Clifton na Cidade e Condado de Bristol, o que significa que ele permaneceu como membro da Câmara dos Lordes.
Carey foi chanceler da Universidade de Gloucestershire por sete anos, renunciando em 2010, e foi presidente da London School of Theology, também conhecida como St John’s College, Nottingham. De 2004 a 2010, foi copresidente do Conselho dos 100 Líderes do Fórum Econômico Mundial, promovendo a compreensão e o diálogo entre os mundos ocidental e islâmico, e a partir de 2003 foi presidente do conselho de curadores do World Faiths Development Dialogue (WFDD), o qual confundou em 2001, com James D. Wolfensohn, presidente do Banco Mundial, no Berkley Center.
Posições teológicas e sociais e marcas do arcebispado As raízes teológicas de Carey estão na tradição evangélica da Igreja da Inglaterra. Ele apoiou fortemente a ordenação de mulheres, mas também teve laços ecumênicos estreitos com a Igreja Católica Romana, tendo sido escolhido em 1976 para representar a Igreja da Inglaterra em uma reunião do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos em Roma. Ele presidiu a Conferência de Lambeth de 1998 e apoiou ativamente a resolução da conferência, que rejeitava intransigentemente toda prática homossexual como "incompatível com as escrituras".
Carey foi criticado por sua falta de neutralidade na questão da homossexualidade por aqueles que tentavam chegar a uma posição de compromisso que havia sido apresentada à conferência por um grupo de trabalho de bispos sobre sexualidade humana. Ele também votou contra uma condenação expressa (que estava presente na forma original da resolução) da homofobia. A resolução como um todo levou um dos colegas primazes de Carey, Richard Holloway, bispo de Edimburgo e primus da Igreja Episcopal Escocesa, a declarar "Sinto-me destruído, sinto-me traído, mas a luta continuará".
Carey disse: "Se esta conferência for conhecida pelo que dissemos sobre a homossexualidade, então teremos falhado." A resolução, no entanto, foi o início de uma crescente crise de unidade dentro da Comunhão Anglicana em torno da questão da sexualidade humana. Em 1999, ele foi um dos quatro bispos ingleses que se recusaram expressamente a assinar o Acordo de Cambridge: uma tentativa de chegar a um acordo sobre a afirmação de certos direitos humanos dos homossexuais, apesar das diferenças dentro da igreja sobre a moralidade do comportamento homossexual. Em uma entrevista com Sir David Frost em 2002, ele disse: "Não acredito em abençoar relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo porque, francamente, não sei o que estou abençoando."
Diante da crise quanto ao sacerdócio feminino, como Arcebispo, ele agiu para manter a Comunhão, estabelecendo os meios pelos quais clérigos, leigos e paróquias que discordavam da decisão permanecessem na igreja, por meio de bispos nomeados especialmente para cuidar deles. No entanto, a Conferência de Lambeth de 1998 também foi a primeira para a qual bispas foram convidadas. Durante seu governo, como líder da Comunhão Anglicana, ele viajou extensivamente por todas as províncias. Destacaram-se as viagem a Ruanda, após o genocídio, e ao Sudão, quando irritou seus anfitriões, resultando na expulsão do embaixador britânico. Em dezembro de 1996, durante uma visita oficial do Arcebispo de Canterbury ao Papa João Paulo II, no Vaticano, eles assinaram uma Declaração Comum. Ainda assumiu posições nas questões inter-religiosas, tanto no Reino Unido quanto fora.
Como administrador, diante da perda significativa de valor dos investimentos dos Comissários da Igreja, ele iniciou uma revisão das estruturas e da governança da igreja, que resultou na formação do Conselho do Arcebispo, um novo órgão sênior que reúne políticas e finanças.
Em 1998, Carey fez um apelo público para o tratamento humano de Augusto Pinochet, o antigo ditador do Chile, que na altura estava detido no Reino Unido.
Em 2000, Carey criticou o documento Dominus Iesus, emitido pela Congregação para a Doutrina da Fé sob o Papa João Paulo II, dizendo que "não refletia a profunda compreensão que foi alcançada através do diálogo ecumênico e da cooperação [entre católicos romanos e anglicanos] durante os últimos 30 anos... a Igreja da Inglaterra e a Comunhão Anglicana mundial não aceitam por um momento que suas ordens de ministério e Eucaristia sejam deficientes de alguma forma. Ela acredita ser parte da Igreja una, santa, católica e apostólica de Cristo, em cujo nome serve e dá testemunho, aqui e ao redor do mundo."
Após os ataques de 11 de setembro, ele apoiou a força militar no Afeganistão, mas disse que isso não tem nada a ver com religião. Em uma visita a uma mesquita em Shoreditch, no leste de Londres, em outubro de 2001, ele pediu um "diálogo mais profundo entre líderes cristãos e muçulmanos no Reino Unido". Um mês depois, em uma entrevista para a televisão árabe, ele pediu aos muçulmanos que não vissem a ação militar no Afeganistão como uma guerra contra o islamismo.
Como Arcebispo de Canterbury, Carey participou de eventos nacionais importantes: o funeral de Diana, Princesa de Gales, em 1997; liderou a oração pela nação no Domo do Milênio; lidereou o culto em memória às vítimas britânicas dos ataques de 11 de setembro; liderou as homenagens no funeral de Elizabeth, a Rainha Mãe, em 2001; e pregou no Jubileu de Ouro da Rainha em 2002.
Carey foi o primeiro ex-arcebispo de Canterbury a publicar suas memórias. O livro, "Know the Truth", menciona encontros com o Príncipe de Gales e Camilla Parker Bowles e seus pensamentos de que eles deveriam se casar, o que aconteceu apenas em 2005.
Escândalo de abusos sexuais na Igreja